Focos de Newcastle em Santa Catarina acendem alerta sanitário e comercial para a avicultura de MT
Com três focos confirmados no Oeste catarinense, o Indea-MT reforça protocolos de biosseguridade para proteger um setor que exportou mais de 90 mil toneladas de frango em 2026.

Foto/Divulgação | Meramente ilustrativa: Para Mato Grosso, preservar o status sanitário significa proteger uma atividade que movimenta produção rural, processamento industrial, transporte, empregos e receitas de exportação.
Resumo Executivo
- Alerta máximo: Três focos da doença de Newcastle foram confirmados em granjas comerciais no Oeste de Santa Catarina, elevando a vigilância em todo o país.
- Impacto econômico: Mato Grosso exportou 90,12 mil toneladas de carne de frango entre janeiro e setembro de 2026, o maior volume para o período desde 2017.
- Histórico de proteção: O estado completa 20 anos sem registrar a enfermidade em aves domésticas, um ativo econômico que precisa ser blindado.
- Ação imediata: O Indea-MT emitiu nota técnica reforçando o controle de acesso, a proteção de galpões e a higienização rigorosa nas propriedades.
A confirmação de um terceiro foco da doença de Newcastle em granjas comerciais de Santa Catarina elevou o nível de atenção sanitária sobre a avicultura brasileira. Com as ocorrências concentradas no Oeste catarinense, as autoridades de defesa agropecuária entraram em estado de alerta, levando o Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea-MT) a reforçar imediatamente as orientações de biosseguridade para as propriedades avícolas do estado.
Para Mato Grosso, o alerta tem um peso econômico direto e mensurável. São 90,12 mil toneladas de carne de frango exportadas apenas nos primeiros nove meses de 2026 — um volume que coloca o estado em patamar recorde para o período desde 2017, conforme dados do Conselho Regional de Medicina Veterinária de Mato Grosso (CRMV-MT). Em um mercado internacional onde a condição sanitária dita as regras do jogo, um único foco pode resultar em restrições comerciais, suspensão de embarques e prejuízos em cadeia para frigoríficos, produtores integrados e fornecedores de insumos.
A cronologia dos focos e a resposta oficial
A sequência de ocorrências em Santa Catarina teve início em 18 de outubro, com a confirmação de um foco em uma criação comercial de perus no município de Nova Itaberaba. Posteriormente, outros dois focos foram identificados em estabelecimentos comerciais de aves nos municípios de Coronel Freitas e Nova Erechim, com confirmações divulgadas entre os dias 24 e 26 de outubro.
Em resposta, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) declarou emergência zoossanitária por 60 dias na região, por meio da Portaria nº 962/2026. A medida viabiliza a intensificação das ações de vigilância, o controle rígido do trânsito de animais, a investigação epidemiológica e a contenção dos focos. Vale notar que, embora tenha havido detecção de paramixovírus aviário tipo 1 em pombos de vida livre no município de Marema, as autoridades sanitárias esclareceram que este evento não foi caracterizado como um novo foco comercial associado aos estabelecimentos sob investigação, evitando interpretações equivocadas sobre a extensão da emergência.
O risco que não termina na porteira
A doença de Newcastle é uma enfermidade viral que afeta aves e pode provocar elevada mortalidade, além de alterações respiratórias, digestivas e neurológicas. Sua importância econômica, no entanto, vai muito além da perda de animais: está na capacidade de paralisar o comércio.
Após a confirmação do primeiro foco catarinense, parceiros comerciais adotaram restrições imediatas. O México suspendeu as importações de produtos avícolas de todo o Brasil, enquanto outros mercados restringiram produtos provenientes especificamente de Santa Catarina. No caso da China, a negociação sanitária conseguiu limitar a restrição à produção catarinense, poupando o restante do território brasileiro.
Esse ponto é estratégico. A regionalização das medidas sanitárias permite que estados e regiões sem ocorrência continuem exportando, desde que cumpram os requisitos exigidos e consigam demonstrar a separação clara das áreas afetadas. Uma ocorrência localizada pode produzir consequências comerciais desproporcionais quando não existe capacidade de comprovar a origem dos produtos e a efetividade dos controles.
Indea-MT reforça a blindagem sanitária
Em 28 de outubro, o Indea-MT emitiu a Nota Técnica nº 00016/2026, orientando o reforço imediato das medidas preventivas. A prevenção não pode ser tratada como rotina burocrática; ela exige que procedimentos de controle de acesso, proteção de galpões (com revisão de telas e cortinas), proteção da alimentação contra aves de vida livre e higienização rigorosa de instalações e veículos sejam incorporados à rotina diária das granjas.
A detecção precoce é a chave. Diarreia, torcicolo, secreção nasal, queda abrupta na produção de ovos e mortalidade fora do padrão exigem comunicação imediata. A orientação é clara: não tentar resolver a suspeita por conta própria. O produtor deve acionar o Indea-MT pelo sistema e-SISBRAVET, procurar a unidade veterinária local ou ligar para o 0800 065 3015.
Análise de Destaque: Sanidade animal é infraestrutura econômica
A ocorrência de Newcastle em Santa Catarina expõe uma dimensão frequentemente pouco percebida do agronegócio: a competitividade internacional não depende apenas de produtividade, escala industrial ou preço. Depende da capacidade de um território demonstrar que produz com controle sanitário, rastreabilidade e resposta rápida a emergências. Mato Grosso chega a este momento com um histórico valioso de duas décadas sem a doença e uma cadeia exportadora robusta. Preservar essas condições exige atenção permanente, pois a biosseguridade não é apenas uma exigência veterinária; é a infraestrutura que sustenta a produção, protege investimentos e mantém abertas as portas do comércio exterior.
Vigilância ativa e a tranquilidade do consumidor
O monitoramento sanitário é a ferramenta que valida a condição epidemiológica do estado. Dados do CRMV-MT apontam que o Indea monitorou 84 granjas comerciais em 2026, com coleta de amostras para vigilância de Newcastle e influenza aviária, todas com resultados negativos até o momento. Embora positivo, esse dado não elimina a necessidade de prevenção contínua.
E, para o consumidor final, a mensagem é de tranquilidade. A ocorrência da doença exige medidas de controle nos plantéis, mas não justifica alarme sobre o consumo. O Mapa esclarece que os produtos provenientes de estabelecimentos sob inspeção oficial permanecem seguros, não havendo qualquer recomendação para suspender a compra de carne de frango e ovos.
Checklist de Perspectivas para o Setor
- Responsabilidade compartilhada: A blindagem sanitária de Mato Grosso não é tarefa apenas do governo; é um dever de integradoras, frigoríficos, transportadores e do produtor na ponta.
- Investimento em biosseguridade: Para as regiões do Nortão que buscam ampliar sua participação na agroindústria, a biosseguridade deve ser tratada como parte do ambiente de negócios, não como custo extra.
- Comunicação rápida: A cultura de ocultar suspeitas deve ser erradicada. A notificação imediata é o único caminho para conter focos e preservar o status sanitário do estado.
Perguntas Frequentes (FAQ)
O consumidor deve parar de comprar frango e ovos por causa da doença de Newcastle?
Não. O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) esclarece que os produtos provenientes de estabelecimentos sob inspeção oficial permanecem totalmente seguros para consumo, não havendo qualquer recomendação para suspender a compra desses alimentos.
O que o produtor deve fazer ao identificar sinais da doença de Newcastle?
O produtor deve comunicar imediatamente o serviço veterinário oficial por meio do sistema e-SISBRAVET, procurar a unidade veterinária local ou ligar para o 0800 065 3015 do Indea-MT, sem tentar resolver a suspeita por conta própria ou movimentar as aves.
Há quanto tempo Mato Grosso não registra focos de Newcastle em aves domésticas?
Mato Grosso completa 20 anos sem registrar um foco de doença de Newcastle em aves domésticas, um histórico que data de outubro de 2006 e que é fundamental para a manutenção das exportações e a confiança dos mercados internacionais.
- Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea-MT) – Nota Técnica nº 00016/2026.
- Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) – Portaria nº 962/2026 e comunicados oficiais.
- Conselho Regional de Medicina Veterinária de Mato Grosso (CRMV-MT) e Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso (Famato).
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