Colíder, MT – 21 de maio de 2026 07:04

Fim do ‘sabor chocolate’? Queda no preço do cacau pode baratear produtos e mudar receitas

Fim do ‘sabor chocolate’? Queda no preço do cacau pode baratear produtos e mudar receitas

Miniatura do chocolate recheado com manteiga de amendoim Reese’s.
Mike Blake/Reuters
Após um ano de barras menores, mais wafers e alternativas com menos cacau, fabricantes começam a voltar às receitas tradicionais de chocolate.
Essa mudança, impulsionada por uma queda de quase 70% nos contratos futuros de cacau em relação aos recordes do fim de 2024, pode levar a preços mais baixos para os consumidores, à recuperação da demanda e à redução no uso de alternativas com pouco cacau, que nem sempre são consideradas chocolate.
A fabricante americana Hershey’s, por exemplo, anunciou planos de aumentar o teor de cacau em produtos que hoje funcionam como alternativas ao chocolate, chamados pela empresa de “chocolate candy”.
A mudança vem após o neto do fundador da Reese’s criticar a empresa por alterações na formulação de produtos icônicos da marca. Com isso, a expectativa é que tanto os itens da Hershey’s quanto o da Reese’s voltem às receitas originais a partir do próximo ano.
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Representantes e especialistas do setor alertam, ainda, que outras empresas devem seguir o exemplo.
“Com os preços atuais do cacau, faz todo o sentido voltar a consumir chocolate de verdade”, disse o consultor independente Roger Bradshaw à Reuters.
A fabricante de snacks Mondelez não respondeu aos pedidos de comentário sobre suas receitas, enquanto Nestlé e Ferrero não se pronunciaram.
Queda no preço do cacau
Após quase triplicarem e superarem US$ 12 mil (R$ 60,5 mil) por tonelada em 2024, puxados por problemas climáticos e doenças nas lavouras, os preços do cacau levaram fabricantes a reduzir o tamanho das barras, adicionar mais wafers, frutas e nozes e lançar alternativas ao chocolate.
As empresas também reduziram estoques, aumentaram preços e investiram mais em produtos como o ChoViva, uma alternativa ao chocolate sem cacau feita com sementes de girassol e aveia. Desenvolvido pela startup alemã Planet A Foods, o produto é comercializado em parceria com a Barry Callebaut, maior fabricante de chocolate e processadora de cacau do mundo.
Esse movimento derrubou a demanda por cacau e, segundo especialistas, ajudou a provocar uma queda de cerca de 70% nos preços do grão em relação aos picos do fim de 2024.
A demanda pode atingir o menor nível em nove anos nos 12 meses até setembro, afirmou Steve Wateridge, especialista em cacau, à Reuters. A queda nos preços, no entanto, deve levar a uma recuperação a partir do segundo semestre, acrescentou.
“É provável que todos os fatores que nos levaram a esses preços tão baixos se revertam”, disse Wateridge.
Preços mais baixos, maior demanda
Pode levar cerca de 10 meses para que mudanças no preço do cacau cheguem ao consumidor, já que os fabricantes costumam fixar preços com antecedência e manter estoques elevados.
Assim, supermercados e outros compradores vêm pressionando os fabricantes a reduzir preços desde meados de 2025 — e alguns já cederam.
A Mondelez afirmou no mês passado que havia reduzido alguns preços de chocolate na Europa e que estava começando a observar um aumento no volume de vendas.
A Barry Callebaut — cujos ingredientes estão presentes em cerca de um quarto dos chocolates do mundo — espera crescimento de 1% a 5% no volume de vendas nos seis meses até agosto, na comparação anual, segundo cálculos da Reuters.
A empresa, que fornece chocolate para marcas como KitKat (Nestlé) e o sorvete Magnum (Unilever), afirma que, aos preços atuais do cacau, produzir chocolate pode ser mais barato do que fabricar alternativas que usam gordura vegetal no lugar da manteiga de cacau.
Isso significa que “alguns clientes estão voltando a consumir chocolate”, disse o diretor executivo Hein Schumacher em abril, sem mencionar os nomes das empresas envolvidas.
Há também iniciativas legislativas que incentivam o retorno ao cultivo do cacau em algumas regiões.
No Brasil, sexto maior consumidor mundial de chocolate per capita, foi sancionada no início deste mês uma lei que exige que todos os produtos rotulados como chocolate amargo contenham, no mínimo, 35% de cacau.
A medida aproxima o Brasil de mercados como a Europa e a América do Norte, ao tornar mais rigorosos os seus requisitos de teor de cacau.
Um retorno lento
Um retorno à produção mais tradicional de chocolate seria positivo para cerca de 2 milhões de agricultores de cacau em situação de pobreza na Costa do Marfim e em Gana, principais produtores do mundo, ao indicar melhora na demanda e nos preços.
No entanto, a recuperação deve levar tempo até que os volumes voltem aos níveis de antes da alta dos preços.
“Prevejo que levará 2,5 anos para voltarmos ao nível anterior a 2023/24” em termos de demanda, disse um consultor veterano de cacau e ex-comerciante que preferiu não ser identificado.
Segundo a especialista, isso se deve a tendências que, embora pequenas isoladamente, têm efeito relevante no conjunto. Entre elas, a maior abertura da Geração Z a produtos como chocolate sem cacau e o impacto de medicamentos para emagrecer nos hábitos alimentares.
No entanto, com os fabricantes de chocolate temendo que os preços do cacau voltem a subir, algumas alternativas provavelmente permanecerão.
Isso ocorre porque esses produtos continuam lucrativos no mercado de massa, observou Jean-Philippe Bertschy, analista da Vontobel.
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*Com reportagem da agência de notícias Reuters.

China retoma compra de carne bovina de três frigoríficos brasileiros após mais de um ano

China retoma compra de carne bovina de três frigoríficos brasileiros após mais de um ano

Gado confinado em Barretos, São Paulo.
Joel Silva/Reuters
A China autorizou três frigoríficos brasileiros a retomar os embarques de carne bovina nesta quarta-feira (20), após uma suspensão iniciada em março de 2025. As informações foram divulgadas pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), após reunião entre autoridades dos dois países em Pequim.
“A medida representa uma importante conquista para o setor e reforça a confiança da China no sistema sanitário brasileiro e na qualidade da carne bovina produzida no país”, afirmou a Abiec, em comunicado.
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Entre as liberações está a unidade de Mozarlândia (GO), da JBS — maior processadora de carne do mundo —, disse Roberto Perosa, presidente da Abiec, à Reuters.
O Brasil é o maior exportador mundial de carne bovina e tem na China seu principal destino. O ministro da Agricultura, André de Paula, nomeado no fim de março, está em viagem ao país asiático.
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Frigoríficos estavam “fora da conformidade”
A suspensão temporária dos frigoríficos pela Administração-Geral de Aduanas da China (GACC) aconteceu em março de 2025, por “não conformidade” em relação aos “requisitos chineses para o registro de estabelecimentos estrangeiros”.
À época, o órgão do governo chinês não havia detalhado quais seriam os critérios de avaliação ou o que estaria fora do padrão chinês.
Além da indústria da JBS em Mozarlândia, também estavam bloqueados uma unidade da Frisa, em Nanuque (MG) e uma planta da Bon-Marte, em Presidente Prudente (SP).
Novas habilitações
Segundo o secretário de comércio e relações internacionais do Ministério da Agricultura, Luis Rua, a Pasta pediu ao governo chinês a habilitação de 33 novos frigoríficos brasileiros para exportação ao país.
De acordo com informações da Reuters, foram solicitadas autorizações para embarques à China para 20 plantas de carne bovina, 11 de aves e duas de suínos.
*Com informações da agência de notícias Reuters.
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Volkswagen reforça parceria com o agronegócio nas principais feiras do Brasil

Volkswagen reforça parceria com o agronegócio nas principais feiras do Brasil

Trio Agro Volkswagen traz eficiência, robustez e desempenho.
Volkswagen/Divulgação
As feiras agropecuárias se consolidaram como importantes pontos de encontro para o agronegócio brasileiro, reunindo inovação, conteúdo técnico e oportunidades de negócio em diferentes regiões do país. Mais do que eventos, esses espaços conectam produtores, especialistas e empresas que acompanham de perto a evolução do setor e suas necessidades no dia a dia.
É nesse contexto que a Volkswagen reforça sua presença no agro ao participar das principais feiras do calendário de 2026, oferecendo condições comerciais especiais e experiências voltadas aos profissionais do campo.
Entre os destaques da marca está o Trio Agro, formado por Saveiro Robust, Polo Robust e Amarok V6, desenvolvido para atender diferentes perfis de operação com foco em eficiência, robustez e desempenho.
Além de aproximar clientes e soluções, a presença da Volkswagen nas feiras cria oportunidades para que o público conheça os veículos de perto, experimente tecnologias e descubra modelos pensados para diferentes rotinas no campo.
No infográfico, confira os principais destaques do Trio Agro e o calendário das feiras agropecuárias do país.
Volkswagen
Divulgação

Exportações do agro crescem 11,7% e atingem recorde de US$ 16,65 bilhões em abril

Exportações do agro crescem 11,7% e atingem recorde de US$ 16,65 bilhões em abril

As exportações do agronegócio brasileiro somaram US$ 16,65 bilhões (ou R$ 83,22 bilhões) em abril, o maior valor já registrado para o mês desde o início da série histórica, em 1997. O resultado representa um crescimento de 11,7% em relação a abril de 2025 e reforça o peso do setor no comércio exterior do país.
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O agronegócio respondeu sozinho por 48,8% de tudo o que o Brasil exportou no mês. No acumulado de janeiro a abril de 2026, as vendas externas do setor chegaram a US$ 54,6 bilhões (R$ 272,8 bilhões), também o maior valor já registrado para esse período.
O avanço foi impulsionado tanto pelo aumento da quantidade embarcada quanto pela alta dos preços. Em comparação com abril do ano passado, o volume exportado cresceu 9,5%, enquanto o preço médio dos produtos subiu 2,1%.
No mesmo período, as importações de produtos do agronegócio caíram 3,6%, para US$ 1,62 bilhão (R$ 8,10 bilhões. Com isso, a diferença entre exportações e importações ficou positiva em US$ 15 bilhões (R$ 74,97 bilhões) em abril.
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Segundo o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, o resultado mostra a importância do setor para a economia brasileira.
“O recorde de abril confirma o tamanho e a responsabilidade do agro brasileiro. Isso significa renda no campo, emprego na indústria, oportunidades para quem produz e mais presença do Brasil no comércio internacional.”
China amplia liderança entre os compradores
A China permaneceu como principal destino dos produtos do agronegócio brasileiro em abril. As compras do país asiático somaram US$ 6,6 bilhões (R$ 32,99 bilhões), o equivalente a quase 40% de todas as exportações do setor no mês.
O valor representa um aumento de 21,8% em relação a abril de 2025. Na sequência aparecem:
União Europeia: US$ 2,36 bilhões (R$ 11,80 bilhões), alta de 8,7%
Estados Unidos: US$ 1 bilhão (R$ 5 bilhões), queda de 16,8%
O Ministério da Agricultura atribui parte desse desempenho à abertura de mais de 600 novos mercados para produtos agropecuários desde o início da atual gestão, o que ampliou o número de destinos para os produtos brasileiros.
Soja e carne bovina lideram as exportações
A soja em grãos continuou como o principal produto exportado pelo agronegócio brasileiro.
💵 Exportações: US$ 6,9 bilhões (R$ 34,49 bilhões), alta de 18,8%
🚢 Volume embarcado: 16,7 milhões de toneladas, aumento de 9,7%
📈 Preço médio: alta de 8,4%
A quantidade exportada foi a maior já registrada para meses de abril, favorecida pela safra recorde de 2025/2026.
A carne bovina in natura também teve o melhor desempenho da série para o mês.
💵 Exportações: US$ 1,6 bilhão (R$ 8 bilhões), alta de 29,4%
🚢 Volume embarcado: 252 mil toneladas, aumento de 4,3%
A China respondeu por US$ 877,4 milhões (R$ 4,39 bilhões) em compras, o equivalente a 55,8% de todas as exportações brasileiras de carne bovina in natura em abril.
Outros destaques do mês
Entre os grupos de produtos com melhor desempenho em abril estão:
🌱 Complexo soja: US$ 8,1 bilhões (R$ 40,48 bilhões), alta de 20,4%
🥩 Proteínas animais: US$ 3 bilhões (R$ 14,99 bilhões), crescimento de 18%
🌲 Produtos florestais: US$ 1,4 bilhão (R$ 7,00 bilhões), avanço de 8,6%
☕ Café: US$ 1,2 bilhão (R$ 6 bilhões), queda de 12,1%
Também registraram recordes o algodão, a celulose, com US$ 854,7 milhões (R$ 4,27 bilhões) exportados e alta de 16%, e o farelo de soja, com 2,4 milhões de toneladas embarcadas, aumento de 12,7%.
Produtos menos tradicionais também ampliaram sua participação nas exportações, como pimenta piper seca, ração para animais domésticos, óleo essencial de laranja, sebo bovino, abacate e manga.
Frutas brasileiras ganham espaço no exterior
A fruticultura brasileira também ampliou sua presença no mercado internacional. Desde 2023, foram abertas 34 novas oportunidades para a exportação de frutas brasileiras.
Entre janeiro e abril de 2026, melões, limões, limas, melancias e mamões registraram recordes de exportação.
O secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária, Luís Rua, destaca que o resultado mostra que o Brasil vem transformando sua capacidade de produção em maior acesso aos mercados internacionais.
Segundo ele, o comércio exterior é construído “com método, continuidade e presença”.
Exportação de carne de Mato Grosso do Sul para China bate recorde.
GOV-MS/Reprodução

Líder nacional na produção, RS se prepara para safra recorde de noz-pecã

Líder nacional na produção, RS se prepara para safra recorde de noz-pecã

Safra de noz-pecã deve ser recorde este ano
O Rio Grande do Sul, responsável por 90% da noz-pecã consumida no Brasil, deve ter uma safra recorde em 2026. A projeção da Emater/RS-Ascar é que a colheita atinja 8 mil toneladas, um aumento expressivo em comparação às 5,2 mil toneladas da safra passada.
As condições climáticas favoráveis são o principal motivo para o otimismo, segundo o gerente regional da Emater, Guilherme Passamani. “Tivemos precipitação em momentos adequados, que permitiram que a gente tivesse essa supersafra que a gente está observando agora”, explica.
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Dias de sol e ventos leves durante a brotação e a floração também proporcionaram uma ótima condição de produtividade. A colheita, que segue até junho, é feita de forma mecanizada. Máquinas balançam as nogueiras para que os frutos caiam.
Uma fazenda em Santa Maria, na Região Central, cultiva 20 mil pés em 120 hectares. Após colhida, a noz passa por limpeza, seleção e classificação por tamanho.
O produtor Eduardo Klumb destaca que, além do clima, o manejo é fundamental. “Aprendemos na cultura da pecã que você tem que não só aproveitar o ano da alternância, mas também adubar e usar os defensivos”, afirma.
Os municípios com as maiores áreas de cultivo no estado são Cachoeira do Sul, Dom Pedrito, Anta Gorda e Santa Maria. O bom rendimento dos pomares deve incentivar novos produtores e ampliar mercados.
Atualmente, a Itália é a maior compradora da noz-pecã gaúcha. A expectativa do setor é de crescimento contínuo.
“Nós dispomos aqui dentro do Rio Grande do Sul de 8 mil a 9 mil hectares já plantados de Nogueira Pecã. Acreditamos que até 2030 o Brasil todo vai estar produzindo acima das 15 mil toneladas de noz pecan”, projeta o presidente do Instituto Brasileiro de Pecan (IBPecan), Claiton Wallauer.
O bom retorno financeiro da cultura tem sido um estímulo para a expansão da atividade no estado. “A gente observa que quem começa a cultivar geralmente tem um bom retorno e acaba ampliando a área, e estimula outros também a iniciarem essa atividade”, conclui o gerente da Emater.
Líder nacional na produção, RS se prepara para safra recorde de noz-pecã
Reprodução/RBS TV
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Exportações globais de café crescem, mas embarques do Brasil recuam 16,8%

Exportações globais de café crescem, mas embarques do Brasil recuam 16,8%

Produção de café arábica da Cooxupé atende a rigorosas exigências do mercado que busca por produtos cada vez mais sustentáveis – Crédito: Divulgação
]Crédito: Divulgação
As exportações mundiais de café verde — grão ainda não torrado comercializado no mercado internacional — cresceram 0,8% em março na comparação com o mesmo mês do ano passado, alcançando 11,7 milhões de sacas de 60 quilos, segundo relatório divulgado nesta terça-feira (19) pela Organização Internacional do Café.
O resultado reflete desempenhos distintos entre os principais tipos de café negociados no mercado global.
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O robusta, variedade mais usada em cafés solúveis e misturas, registrou forte expansão, enquanto parte do mercado de arábica apresentou desempenho mais moderado ou até retração.
As exportações de robusta avançaram 24% em relação a março do ano passado e atingiram o recorde de 5,52 milhões de sacas. O principal impulso veio do Vietnã, maior produtor mundial da variedade, cujos embarques cresceram 30,3% no período.
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Já a categoria chamada de “outros suaves”, que reúne cafés arábica produzidos em países da América Central, como Honduras, Guatemala e Nicarágua, registrou alta de 0,9%, para 2,59 milhões de sacas.
Na Colômbia, as exportações de arábicas suaves caíram 33,8%, para 880 mil sacas, em meio a dificuldades de abastecimento interno.
No caso do Brasil, o recuo ocorreu nas exportações de arábicas naturais, categoria que representa uma das principais especialidades do país no comércio internacional. Esse tipo de café pertence à variedade arábica, conhecida pelo maior valor agregado e pela ampla utilização em cafés de melhor qualidade.
As exportações brasileiras desse segmento caíram 16,8% em março, para 2,71 milhões de sacas.

O que as novas compras agrícolas da China nos EUA significam para o comércio global?

O que as novas compras agrícolas da China nos EUA significam para o comércio global?

O presidente dos EUA, Donald Trump (à esquerda), posa para fotos com o presidente da China, Xi Jinping, durante uma visita ao Jardim Zhongnanhai, em Pequim, em 15 de maio de 2026.
Evan Vucci / Pool / AFP
A China se comprometeu a comprar pelo menos US$ 17 bilhões (R$ 86,1 bilhões) por ano em produtos agrícolas dos Estados Unidos, além de soja, durante três anos, informou a Casa Branca no último domingo (17), após uma cúpula dos líderes dos dois países em Pequim, na semana passada.
Maior importadora de produtos agrícolas do mundo, a China reduziu drasticamente as compras dos EUA após a guerra comercial do ano passado entre as duas maiores economias globais.
No entanto, os dois países concordaram em expandir o comércio agrícola e eliminar as barreiras não tarifárias para carne bovina e aves, informou o Ministério do Comércio chinês.
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A seguir, os principais detalhes do comércio agrícola entre os países e como essas compras podem evoluir:
O que significa o acordo?
A promessa de US$ 17 bilhões (R$ 86,1 bilhões), além dos compromissos existentes com a soja, levaria o total das importações agrícolas da China nos EUA para perto de US$ 28 bilhões a US$ 30 bilhões (de R$ 141,8 bilhões a R$ 152 bilhões) por ano, segundo operadores e analistas.
O valor ainda fica abaixo do pico de US$ 38 bilhões (R$ 192,5 bilhões) em 2022, mas muito acima dos US$ 8 bilhões (R$ 40,5 bilhões) do ano passado e dos US$ 24 bilhões (R$ 121,6 bilhões) em 2024.
Para atingir essa meta, Pequim terá de ampliar significativamente as compras de trigo, grãos para ração, carne e produtos agrícolas não alimentícios, como algodão e madeira, segundo operadores e analistas.
Pequim cumpriu o compromisso de comprar 12 milhões de toneladas de soja, além de adquirir algum volume de trigo e uma grande quantidade de sorgo, após um acordo firmado em outubro passado entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o líder chinês, Xi Jinping.
Como parte desse acordo, a Casa Branca afirmou que a China compraria pelo menos 25 milhões de toneladas de soja por ano.
Redirecionamento das Importações
O aumento das compras de produtos agrícolas dos Estados Unidos deve ocorrer às custas das exportações de fornecedores rivais…
“Alcançar US$ 17 bilhões anuais excluindo a soja provavelmente exigiria que a China redirecionasse intencionalmente as compras dos fornecedores existentes para os Estados Unidos por motivos políticos e estratégicos, e não por motivos puramente comerciais”, disse Cheang Kang Wei, vice-presidente da StoneX em Cingapura, à Reuters.
O Brasil, principal fornecedor de soja da China, com 73,6% de participação no mercado em 2025, também se tornou seu principal fornecedor de milho. No ano passado, a China aprovou as importações de grãos secos de destilaria brasileiros (DDGS), ingrediente para ração animal com alto teor de proteína obtido durante o processo de fabricação de etanol.
A Austrália, que foi o principal fornecedor de trigo da China em 2023 e de sorgo em 2025, pode enfrentar queda na demanda se o trigo e o sorgo dos EUA ganharem terreno. As importações de cevada também podem sofrer pressão, enquanto as maiores compras de carne bovina dos EUA podem reduzir a demanda pela carne bovina premium da Austrália na China.
Outros grandes fornecedores, como o Canadá e a França, no caso do trigo, e a Argentina, no caso do sorgo, também podem ter uma demanda menor.
Soja
Espera-se que a China comece a comprar soja dos Estados Unidos da nova safra para embarques a partir de outubro, já que os preços da produção norte-americana estão competitivos em relação aos brasileiros, segundo operadores do mercado.
“A compra de 25 milhões de toneladas de soja dos EUA não deve ser um problema, pois os preços dos EUA estão bastante atraentes agora”, disse um especialista que negocia sementes oleaginosas à Reuters. “Eles podem comprar para esmagamento e também para estocagem.”
As estatais Cofco e Sinograin devem liderar as compras de soja dos Estados Unidos enquanto a China mantiver uma tarifa adicional de 10%, segundo operadores.
A China reduziu drasticamente sua dependência da soja dos Estados Unidos desde o primeiro mandato de Donald Trump. Em 2024, o produto norte-americano representou cerca de um quinto das importações chinesas, ante 41% em 2016.
Milho e trigo
É provável que os comerciantes estatais chineses continuem como principais compradores de milho e trigo dos Estados Unidos, já que recebem cotas de importação com tarifas reduzidas.
A China possui cotas de importação de 9,64 milhões de toneladas para o trigo e 7,2 milhões para o milho, com tarifa de 1%. As compras que excedem essas cotas estão sujeitas a tarifas de até 65%.
Em 2025, a China comprou apenas US$ 5 milhões (R$ 25,3 milhões) em milho dos Estados Unidos, bem abaixo dos US$ 561,5 milhões (R$ 2,8 bilhões) registrados no ano anterior. Os embarques foram interrompidos após junho, segundo dados da alfândega chinesa.
As importações de trigo caíram para quase zero em 2025, após somarem 1,9 milhão de toneladas, equivalentes a cerca de US$ 600 milhões (cerca de R$ 3 bilhões), em 2024.
Sorgo e DDGS
Espera-se que a China aumente as compras de grãos para ração, incluindo sorgo, após fortes chuvas prejudicarem a produção no norte do país em 2025.
Ao contrário do trigo e do milho, o sorgo não está sujeito a cotas de importação.
Desde novembro, Pequim comprou pelo menos 2,5 milhões de toneladas de sorgo dos Estados Unidos para compensar a escassez de milho no mercado interno. Já compras mais relevantes de DDGS dependeriam da suspensão das tarifas antidumping e antissubsídios em vigor desde 2017.
Carne
A China é um mercado importante para produtos como pés de frango, orelhas de porco e miúdos dos Estados Unidos — itens com pouca demanda no mercado americano.
As importações de carne bovina e de aves dos Estados Unidos devem aumentar após Pequim indicar que os dois países vão trabalhar para resolver pendências comerciais.
Na sexta-feira, a China concedeu extensões de registro por cinco anos a 425 unidades produtoras de carne bovina dos Estados Unidos, que haviam sido em grande parte suspensas após o vencimento das licenças no ano passado. Além disso, aprovou novos registros de cinco anos para outras 77 unidades.
Pequim introduziu, em dezembro passado, um sistema de cotas para importação de carne bovina, com tarifa de 55% para volumes acima do limite estabelecido. A medida atinge os principais fornecedores, incluindo os Estados Unidos, e tem como objetivo proteger a indústria local.
Produtos agrícolas não alimentícios
As importações chinesas também podem incluir produtos não alimentícios, como algodão e madeira. No caso do algodão, as compras caíram de US$ 1,85 bilhão (R$ 9,4 bilhões) em 2024 para US$ 225,7 milhões (R$ 1,1 bilhão) no ano passado.
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