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Foto: Divulgação / Entenda os casos BMG Foods, AgroGalaxy, Grupo Prime, Raízen e a desalavancagem preventiva da Cosan, além do recorde de recuperações judiciais em Mato Grosso.

Quando crescer vira risco: o custo da expansão e da dívida no agronegócio – TransMeridional Web
Agronegócio & Finanças

Quando crescer vira risco: o custo da expansão e da dívida no agronegócio

BMG Foods, Grupo Prime, AgroGalaxy, Raízen e Cosan ajudam a revelar uma face menos discutida do agro: empresas podem crescer, ganhar escala e até gerar resultado operacional enquanto a estrutura financeira construída para sustentar essa expansão começa a consumir o negócio.
👤 Por: Diretoria de Conteúdo (Inteligência Regional) 📅 Data: 17 de Agosto de 2026 ⏱️ Leitura: 8 min

Resumo Executivo

  • Operação vs. Estrutura Financeira: Casos como o do Grupo Prime demonstram que empresas com EBITDA positivo podem ser sufocadas por despesas financeiras desalinhadas.
  • Recorde de Recuperações Judiciais: O agronegócio brasileiro somou 1.990 pedidos de RJ em 2025 (+56,4%), com Mato Grosso liderando as solicitações nacionalmente.
  • Mudança no Custo do Capital: O fim do crédito barato transformou dívidas de longo prazo em pesados compromissos fixos diante da volatilidade de commodities.
  • Desalawancagem Preventiva: Movimentos estratégicos da Cosan evidenciam que vender ativos antecipadamente é essencial para preservar liquidez.
📉
1.990
RJs no Agro em 2025
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332
Pedidos em MT (Líder)
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R$ 131,7 Mi
Despesa Fin. Prime
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+21,9%
Alta de RJ no 1ºTri 2026

O agronegócio brasileiro aprendeu durante anos que escala era sinônimo de força. Mais hectares, mais lojas, mais frigoríficos, mais usinas, mais capacidade industrial, mais distribuição, mais clientes, mais ativos.

A lógica parecia simples: crescer reduz custos, aumenta poder de negociação e amplia a capacidade de gerar receita.

O problema começa quando o crescimento passa a ser financiado por uma estrutura de capital que se torna pesada demais para uma atividade cuja receita continua sujeita ao ciclo das commodities, do câmbio, dos juros, do clima e da demanda internacional.

É nesse ponto que alguns dos casos mais relevantes do agronegócio brasileiro começam a se encontrar.

BMG Foods, AgroGalaxy, Grupo Prime e Raízen pertencem a negócios diferentes, com modelos diferentes e histórias diferentes. Não há uma única causa capaz de explicar suas dificuldades. Mas existe um elemento comum que merece atenção: o tamanho da operação não garante, por si só, capacidade de carregar o tamanho da dívida.

E talvez nenhum número demonstre isso tão bem quanto o caso do Grupo Prime.

Quando a operação funciona, mas o dinheiro acaba

O Grupo Prime, que atua com distribuição de insumos agrícolas, nutrição vegetal, manejo biológico e integração lavoura-pecuária, entrou em recuperação judicial em 2026 com passivo informado de aproximadamente R$ 790,2 milhões.

O grupo reúne empresas e produtores rurais ligados à mesma estrutura familiar, emprega centenas de pessoas e atende mais de 500 clientes em 20 Estados. Até aí, seria apenas mais um caso de uma empresa do agronegócio pressionada pelo crédito caro e pela deterioração das condições de mercado.

Mas os números da Prime Agro contam uma história muito mais interessante.

Na demonstração financeira de 2025 apresentada no processo judicial, a empresa registrou R$ 166,2 milhões de receita bruta e EBITDA de aproximadamente R$ 26,6 milhões. Ou seja: a operação gerava resultado.

O problema estava em outro lugar. O resultado financeiro líquido foi negativo em R$ 131,7 milhões. A despesa financeira não apenas consumiu o EBITDA. Ela foi várias vezes superior à geração operacional da companhia e contribuiu para transformar uma operação com EBITDA positivo em prejuízo líquido de R$ 72,2 milhões.

É aqui que aparece uma das lições mais importantes da atual crise financeira do agronegócio: uma empresa pode ter uma operação saudável e, ainda assim, uma estrutura de capital doente.

Essa diferença costuma passar despercebida quando a análise se concentra apenas em faturamento, capacidade produtiva ou crescimento.

O problema não é crescer. É como financiar o crescimento

Crescer não é um erro. No agronegócio, muitas vezes é justamente a condição para sobreviver.

Um frigorífico precisa de escala para diluir custos industriais. Uma revenda precisa de estoque e capital de giro. Uma usina precisa de capacidade instalada. Uma distribuidora precisa financiar vendas. Uma empresa agrícola precisa comprar terra, máquinas, fertilizantes e tecnologia.

O problema aparece quando o crescimento cria obrigações financeiras permanentes sobre receitas que continuam cíclicas.

  • A dívida vence todos os meses.
  • A folha também.
  • O aluguel ou financiamento da estrutura também.
  • Os juros também.
  • Mas a soja não precisa estar cara quando a parcela vence.
  • O boi não precisa estar valorizado.
  • O açúcar não precisa estar em alta.
  • O milho não precisa remunerar o produtor.
  • E o mercado externo não precisa continuar comprando no mesmo ritmo.

É essa assimetria que transforma a alavancagem em risco.

BMG Foods: quando a expansão encontra a falta de liquidez

No mercado da carne, o caso da BMG Foods tornou essa discussão particularmente próxima do Nortão.

O grupo paraguaio Concepción construiu rapidamente uma presença relevante no mercado brasileiro, ampliando sua operação frigorífica por meio de unidades próprias, arrendadas e parcerias.

Em junho, reportagens apontaram dificuldades financeiras, atraso no pagamento de obrigações e a contratação de assessoria especializada para reestruturar dívidas, em um movimento que poderia desembocar em recuperação judicial.

A crise também atingiu a relação com pecuaristas. Em abril, a Acrimat informou que mais de 40 produtores da região de Juruena enfrentavam dificuldades para receber valores relativos a animais comercializados e abatidos pela empresa.

O caso é importante não porque prove que expansão causa insolvência — não prova. Mas porque mostra a velocidade com que uma estratégia de crescimento pode mudar de sinal quando a liquidez desaparece. A empresa deixa de perguntar: “Quanto podemos crescer?” e passa a perguntar: “Quanto caixa precisamos preservar para continuar operando?”. Essa é uma mudança radical de estratégia.

⚙️ O Ciclo da Inércia Financeira no Agro
1
Expansão Acelerada: Captação de crédito barato para aquisição de ativos, unidades e expansão de área.
2
Compromissos Fixos: Criação de inércia financeira (juros, folha, manutenção e amortizações).
3
Virada do Ciclo: Queda de commodities, juros altos e aperto no crédito reduzem a margem.
4
Sufoco de Liquidez: EBITDA operacional atinge nível positivo, mas é totalmente consumido pelas despesas financeiras.

AgroGalaxy: escala construída sobre aquisição também tem preço

No varejo de insumos, a AgroGalaxy representa outra dimensão do mesmo fenômeno.

A companhia construiu uma das maiores plataformas de distribuição de insumos agrícolas do país, expandindo sua presença por meio de crescimento orgânico e aquisições.

Em setembro de 2024, entrou com pedido de recuperação judicial. O passivo informado chegou a R$ 4,67 bilhões. O caso mostrou como uma empresa pode carregar simultaneamente os riscos do campo e os riscos financeiros de uma grande estrutura de distribuição.

A varejista precisa financiar estoque, conceder prazo, administrar recebíveis, financiar o produtor, manter lojas, equipes e logística — e ainda carregar a dívida utilizada para construir a própria escala. Quando o crédito aperta e o ciclo das commodities muda, todos esses elementos passam a pressionar o caixa ao mesmo tempo.

A AgroGalaxy chegou à recuperação judicial com aproximadamente R$ 4 bilhões de sua dívida concentrados entre os 100 maiores credores, incluindo fornecedores, bancos e investidores de certificados de recebíveis do agronegócio. O que parecia escala, em um cenário adverso, passou a funcionar também como multiplicador de exposição.

Raízen: o gigante também precisa escolher o que manter

A Raízen leva a discussão para outro patamar. Em março de 2026, a companhia protocolou recuperação extrajudicial para renegociar aproximadamente R$ 65,1 bilhões em obrigações, em um dos maiores processos desse tipo já registrados no país.

A história da Raízen não é simplesmente a de uma empresa que “cresceu demais”. É mais complexa. A companhia realizou investimentos bilionários, expandiu negócios, apostou em novas tecnologias e ampliou sua estrutura justamente enquanto tentava construir uma plataforma integrada de energia, combustíveis e bioenergia.

Quando o ciclo financeiro mudou, o tamanho da estrutura passou a importar tanto quanto a eficiência operacional.

E os resultados recentes ilustram a diferença. No primeiro trimestre da safra 2026/27, a Raízen apresentou EBITDA ajustado de R$ 3,85 bilhões, mais que o dobro do registrado no mesmo período anterior. Mas o resultado financeiro negativo chegou a R$ 2,97 bilhões, crescimento de 42,4%. Mesmo com uma operação melhorando, o resultado líquido continuou negativo em R$ 1,64 bilhão.

Mais uma vez, aparece a mesma equação: operação ≠ estrutura financeira. Uma empresa pode produzir EBITDA e ainda assim não gerar dinheiro suficiente para remunerar a estrutura de capital que construiu.

Cosan mostra o movimento antes do desastre

A Cosan é interessante justamente porque não deve ser colocada no mesmo grupo de empresas em recuperação judicial. Ela representa o outro lado da equação: a desalavancagem antes que o problema se torne maior.

A companhia vem vendendo ativos e simplificando sua estrutura para reduzir o endividamento. Em junho, a Radar, empresa do grupo, anunciou a venda de aproximadamente 41,2 mil hectares em Mato Grosso por R$ 1,85 bilhão, dos quais cerca de R$ 586 milhões correspondem à participação indireta da Cosan.

Em agosto, a Cosan também avançou na venda de sua participação no Porto São Luís por R$ 300 milhões. O movimento foi apresentado como parte da estratégia de venda de ativos não essenciais e redução do endividamento.

O segundo trimestre mostrou uma Cosan ainda pressionada: prejuízo líquido de R$ 320 milhões, embora a dívida líquida da holding tenha caído para R$ 9,22 bilhões, após medidas de desalavancagem.

A mensagem aqui é diferente: não é preciso esperar a recuperação judicial para perceber que o tamanho da estrutura financeira pode ter ficado incompatível com o momento do ciclo. Às vezes, a resposta é vender hoje o ativo que ontem parecia estratégico.

Análise TransMeridional: O Peso dos Juros na Produção

Durante a era de juros baixos, captar R$ 100 milhões parecia uma decisão trivial de alavancagem operacional. Com a Selic e os spreads de crédito agrícola em patamares elevados, o custo de carregar dívida exige margens que a volatilidade das commodities simplesmente não entrega. O divisor de águas entre o sucesso e a RJ passou a ser a gestão rigorosa do fluxo de caixa e do endividamento líquido.

O agro está pagando a conta da alavancagem

Os casos empresariais encontram respaldo em um fenômeno muito maior. Segundo a Serasa Experian, o agronegócio brasileiro registrou 1.990 pedidos de recuperação judicial em 2025, crescimento de 56,4% em relação a 2024 e maior volume da série histórica iniciada em 2021.

Mato Grosso liderou entre os Estados, com 332 pedidos.

O problema continuou em 2026. No primeiro trimestre, foram registrados 474 pedidos de recuperação judicial ligados ao agronegócio, alta de 21,9% sobre o mesmo período de 2025. Mato Grosso novamente apareceu na liderança, com 135 pedidos. Entre as atividades, o cultivo de soja respondeu por 137 solicitações e a criação de bovinos por 42.

Isso é importante porque mostra que não estamos diante de um problema exclusivo dos frigoríficos. A pressão atravessa a cadeia. Está na agricultura, na pecuária, nos insumos, na distribuição, na indústria, na agroindústria, na logística e nas empresas que financiaram esse crescimento.

O que mudou depois do dinheiro barato

Uma parte importante da explicação está no custo do dinheiro. Durante anos, o agronegócio brasileiro cresceu em um ambiente de forte disponibilidade de crédito, valorização de ativos, expansão das commodities e apetite por investimentos.

Esse ambiente estimulava uma pergunta: “Quanto podemos crescer?”. Com juros mais altos e crédito mais seletivo, a pergunta mudou: “Quanto da nossa geração de caixa sobra depois dos juros?”. É uma diferença brutal.

Uma dívida de R$ 100 milhões pode parecer administrável quando o negócio cresce, a margem é confortável e o dinheiro é barato. A mesma dívida pode se tornar pesada quando a commodity cai, o custo do insumo sobe, o produtor fica inadimplente, o câmbio muda, a exportação perde ritmo, o capital de giro aumenta ou o juro permanece elevado.

O problema não precisa começar na operação. Pode começar na relação entre o custo do dinheiro e a velocidade com que o negócio consegue gerar caixa.

Crescimento transforma custos variáveis em compromissos fixos

Essa talvez seja a parte mais importante da discussão. Uma empresa pequena pode reduzir sua operação rapidamente. Uma empresa que investiu centenas de milhões de reais em expansão não consegue fazer isso com a mesma velocidade.

Depois de construir uma fábrica, ela precisa ocupá-la. Depois de comprar uma rede de distribuição, precisa abastecê-la. Depois de arrendar plantas frigoríficas, precisa gerar escala. Depois de comprar ativos, precisa remunerar o capital utilizado. Depois de contratar dívida, precisa pagar juros.

O crescimento cria inércia financeira. E quanto maior a empresa, maior pode ser essa inércia. É por isso que escala pode ser simultaneamente uma vantagem competitiva e uma fonte de risco.

A grande diferença entre lucro operacional e sobrevivência

O caso Prime deixa isso cristalino. A empresa apresentou EBITDA positivo. Mas o resultado financeiro foi negativo em R$ 131,7 milhões. O EBITDA, portanto, não foi suficiente para pagar o custo da estrutura financeira.

Não é uma discussão meramente contábil. É uma questão de sobrevivência empresarial.

Uma operação pode vender, entregar, produzir, ter clientes, mercado, gerar margem bruta e até apresentar EBITDA positivo. Mas se o custo da dívida consumir toda essa geração, a empresa continua financeiramente vulnerável.

Essa é uma das lições mais importantes para o agronegócio brasileiro neste novo ciclo.

O tamanho deixou de ser suficiente

Durante a fase de expansão, o tamanho de uma empresa pode impressionar. Mais plantas, mais hectares, mais lojas, mais faturamento, mais funcionários, mais capacidade, mais mercado. Mas o mercado financeiro começa a fazer perguntas diferentes quando o ciclo vira:

  • Qual é a dívida líquida?
  • Quanto custa essa dívida?
  • Qual é o prazo médio?
  • Quanto do EBITDA é consumido pelos juros?
  • Qual é a cobertura de juros?
  • Quanto capital de giro a operação exige?
  • Quanto da dívida vence no curto prazo?
  • Quais ativos podem ser vendidos sem destruir a operação?

É nesse momento que o tamanho deixa de ser a principal medida de força. A capacidade de gerar caixa passa a ser mais importante.

O novo prêmio do agronegócio será a disciplina financeira

O próximo ciclo do agro brasileiro provavelmente continuará exigindo investimento. O país ainda precisa ampliar armazenagem, logística, processamento, energia, irrigação, tecnologia, fertilizantes, proteína animal e capacidade industrial. Não existe desenvolvimento sem capital.

O problema não é investir. O problema é investir sem considerar suficientemente a volatilidade da receita que deverá pagar esse investimento.

BMG Foods, AgroGalaxy, Grupo Prime e Raízen não contam exatamente a mesma história. E a Cosan não pertence ao mesmo grupo de risco. Mas, juntos, esses casos permitem enxergar uma transformação mais ampla: o mercado está reprecificando o crescimento.

Durante a fase de expansão, crescer era quase sempre interpretado como sinal de força. Agora, investidores, credores e gestores precisam perguntar outra coisa: Quanto de caixa esse crescimento realmente acrescenta — e quanto de dívida ele deixa para trás?

Essa pode ser a principal pergunta empresarial do agronegócio brasileiro na segunda metade desta década.

Para o Nortão, a discussão é ainda mais concreta

Essa não é uma questão distante dos produtores e empresas do Norte de Mato Grosso. O Nortão está justamente construindo uma economia de maior densidade: frigoríficos, armazéns, transportadoras, revendas, agroindústrias, comércio, serviços, energia, logística e infraestrutura.

O crescimento da região exige capital. E capital continuará sendo necessário. Mas quanto maior a estrutura econômica, maior também será a necessidade de gestão profissional de risco, capital de giro e estrutura de financiamento.

O desenvolvimento regional não precisa de empresas pequenas. Precisa de empresas fortes. Mas empresa forte não é necessariamente aquela que tem mais ativos. É aquela que consegue atravessar o ciclo ruim sem perder a capacidade de operar.

A nova pergunta

O agronegócio brasileiro não está deixando de crescer. Está aprendendo, de maneira cara, que crescer e sobreviver são problemas diferentes.

Uma empresa pode ganhar mercado e perder liquidez. Pode aumentar o faturamento e reduzir a capacidade de pagar juros. Pode comprar ativos e destruir valor. Pode construir uma operação eficiente e ser derrotada pelo custo do capital. Pode ter EBITDA positivo e terminar o exercício no prejuízo.

É por isso que a frase que resume essa nova fase talvez seja simples: O problema não é crescer. O problema é crescer mais rápido do que a capacidade de financiar o próprio crescimento.

No agro, onde preços são cíclicos, clima é imprevisível, câmbio muda e mercados externos podem se fechar ou abrir rapidamente, a dívida precisa ser compatível com a volatilidade da receita.

Quando não é, o crescimento que ontem parecia vantagem competitiva pode se transformar amanhã na maior vulnerabilidade do negócio. E talvez essa seja a verdadeira lição deixada pelos casos que começam a se acumular no agronegócio brasileiro: não é o tamanho da empresa que determina sua força. É a distância entre aquilo que ela consegue gerar e aquilo que precisa pagar para continuar grande.

Checklist de Perspectivas Estratégicas para o Agro

  • Revisão da Alavancagem: Monitorar de forma contínua a taxa de cobertura de juros pelo EBITDA.
  • Gestão Rigorosa de Recebíveis: Restringir a concessão de crédito próprio no varejo de insumos e no fornecimento direto.
  • Desmobilização Seletiva de Ativos: Alienação antecipada de ativos não operacionais para preservação de caixa.
  • Adequação do Perfil da Dívida: Alongamento de prazos de vencimento para alinhar aos ciclos longos das commodities.

Perguntas Frequentes sobre a Crise Financeira no Agro

Por que empresas do agro com EBITDA positivo entram em Recuperação Judicial?
Porque o EBITDA mede a geração de caixa operacional, mas não desconta o custo do endividamento. Se as despesas financeiras com juros forem superiores ao lucro operacional, a empresa consome o próprio caixa e entra em insolvência.
Qual é o impacto dos juros altos nas dívidas do agronegócio?
Com a Selic elevada, o custo de oportunidade e o pagamento de parcelas de financiamentos sobem expressivamente, pesando sobre receitas que continuam expostas às oscilações das commodities agrícolas.
Qual Estado lidera os pedidos de Recuperação Judicial no agronegócio brasileiro?
Mato Grosso liderou o ranking nacional em 2025 com 332 solicitações de RJ e seguiu na liderança no primeiro trimestre de 2026 com 135 pedidos registrados.
Qual a diferença entre a situação de empresas em RJ e a estratégia da Cosan?
Enquanto empresas em RJ entram em colapso de liquidez antes de reestruturar suas dívidas, a Cosan promoveu uma desalavancagem preventiva através da venda de ativos estratégicos para amortizar compromissos antes da crise de caixa.

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