Por que a China tem comida fresca e barata, enquanto os EUA enfrentam alta de preços e consumo de alimentos industrializados?


Segurança alimentar: um desafio de estratégia e sobrevivência entre EUA e China
A diferença entre a comida fresca e barata da China e os alimentos caros e empacotados dos Estados Unidos foi o tema do segundo episódio da série “Entre Dois Mundos”, exibida pelo Fantástico. A reportagem investigou como o país asiático conseguiu garantir segurança alimentar para mais de 1,4 bilhão de pessoas, enquanto os americanos enfrentam inflação nos alimentos, desertos alimentares e uma dieta cada vez mais baseada em produtos ultraprocessados.
Veja a reportagem completa no vídeo acima.
Da fome ao planejamento
Alimentar 1,4 bilhão de pessoas nunca foi simples. A China tem apenas 10% das terras aráveis do planeta, mas precisa sustentar cerca de 20% da população mundial. O desafio carrega um peso histórico: entre 1959 e 1962, durante o episódio conhecido como Grande Salto Adiante, uma combinação de políticas fracassadas e retirada de agricultores do campo levou a uma das maiores fomes da história, com a morte de até 50 milhões de pessoas.
O trauma virou projeto. A partir do fim dos anos 1970, o país promoveu reformas econômicas, devolveu poder de decisão aos produtores rurais e passou a tratar a comida como uma questão estratégica de Estado.
Hoje, esta é a primeira vez na história em que a China consegue alimentar toda a sua população com estabilidade.
Tecnologia no campo e comida perto de casa
Em Xangai, uma das maiores metrópoles do mundo, plantações convivem com arranha-céus. Por decisão do governo, cerca de 20% da área urbana da cidade deve ser destinada à produção de alimentos. Estufas inteligentes, algumas com mais de 100 mil metros quadrados, produzem verduras, legumes e até frutas como banana — tradicionalmente importada de países tropicais.
Sensores monitoram nível de água, gás carbônico e oxigênio. Drones aplicam fertilizantes e ajudam na colheita. Cada nova tecnologia ou alimento cultivado localmente rende subsídios estatais aos produtores.
O objetivo é simples: encurtar o caminho entre o campo e a mesa. A comida sai da terra, vai direto para a geladeira do consumidor — muitas vezes entregue por caminhões sem pedágio ou até por drones.
Preço baixo sem controle direto
Apesar da forte presença do Estado, os preços nos mercados chineses não são oficialmente tabelados. O controle acontece de forma indireta. O país mantém enormes estoques reguladores: em 2024, a colheita de grãos bateu recorde histórico, chegando a cerca de 700 milhões de toneladas. Mais da metade é comprada pelo governo.
Existe um sistema que compara o preço do porco e do arroz. Se o preço do porco cai demais, o governo compra. Se sobe, vende parte das reservas. Quanto mais oferta no mercado, mais barato fica o alimento.
Outro fator decisivo é a margem de lucro. Atacadistas chineses operam com ganhos em torno de 3%. Nos Estados Unidos, essa margem chega a 15%.
Comer fora é barato — e fresco
Uma refeição completa em Xangai, com várias entradas, pratos quentes e sobremesa, pode custar o equivalente a R$ 50 por pessoa — e ainda sobra comida. Não é exceção: o chinês médio consome mais de 400 quilos de vegetais frescos por ano.
Nos Estados Unidos, esse número é muito menor. Milhões de americanos vivem nos chamados desertos alimentares, regiões onde só é possível comprar comida fresca depois de dirigir por longos minutos. O resultado aparece nas estatísticas: maior consumo de ultraprocessados, mais casos de diabetes tipo 2 e expectativa de vida até cinco anos menor nessas áreas.
Eleições, inflação e reação política
A alta do custo de vida virou tema central na política americana. O preço da comida já foi decisivo nas últimas eleições presidenciais e voltou ao debate em campanhas mais recentes. Em Nova York, um novo prefeito surpreendeu ao defender a criação de mercados populares em terrenos públicos, com subsídios para manter os preços baixos — uma ideia inspirada, em parte, no modelo chinês.
Enquanto isso, agricultores dos EUA enfrentam custos crescentes de fertilizantes e combustível, agravados por conflitos internacionais que afetam rotas estratégicas, como o Estreito de Ormuz.
Importados caros e espaço para o Brasil
Na China, produtos importados contam outra história. Um vinho californiano pode custar mais de três vezes o preço praticado nos Estados Unidos, por causa de tarifas de importação, imposto sobre luxo e IVA. O chamado “imposto do burguês” torna esses produtos inacessíveis para a maioria da população.
Essa política fechou uma porta para os americanos — mas abriu outra para o Brasil. Com a guerra tarifária, a venda de soja brasileira para a China cresceu significativamente. O país asiático é hoje o principal cliente do Brasil no setor, impulsionado pela maior renda da população chinesa e pelo aumento no consumo de carne.
Segurança alimentar: um desafio de estratégia e sobrevivência entre EUA e China
Reprodução/TV Globo
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Programa Saúde no Campo leva atendimento gratuito a produtores rurais em Mineiros do Tietê


Programa Saúde no Campo leva atendimento gratuito a famílias rurais em Mineiros do Tietê
Reprodução/TV TEM
Em Mineiros do Tietê (SP), trabalhadores do campo estão recebendo atendimento de saúde sem sair da propriedade. A ação faz parte do programa Saúde no Campo, do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural, em parceria com o sindicato rural do município.
O objetivo é melhorar a qualidade de vida das famílias que vivem e trabalham na zona rural, oferecendo acompanhamento periódico e orientação preventiva.
Em uma das propriedades atendidas, a produtora Vera Lúcia Rodrigues Giraldi divide o tempo entre os pés de café e a máquina de costura. Durante a visita da equipe, a técnica em saúde rural Cássia Fernanda Dalmazo realiza o acompanhamento básico, como aferição de pressão e orientações. Vera conta que o suporte faz diferença na rotina.
“Ajuda muito. Quando a Cássia me procurou, fiquei muito feliz. A gente sabe que pode contar com esse acompanhamento todo mês”, afirma.
O programa também atende outras famílias da região, como a de Dilsa Mara da Silva. Para ela, o acesso ao serviço facilita o cuidado com a saúde. “É muito especial. A gente tem dificuldade de ir ao médico, então isso ajuda bastante. Eles medem pressão, acompanham diabetes, peso facilita muito pra nós”, diz.
Segundo a supervisora do programa, Katy Priscila Lisboa Fernandes, o trabalho começa com o cadastro das famílias e segue com visitas periódicas. Além do acompanhamento, cada propriedade recebe um kit de primeiros socorros, e crianças e adolescentes ganham kits de saúde bucal.
Programa Saúde no Campo leva atendimento gratuito a famílias rurais em Mineiros do Tietê
Reprodução/TV TEM
Veja a reportagem exibida no programa em 03/05/2026:
Programa Saúde no Campo leva atendimento gratuito a produtores rurais em Mineiros do Tietê
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Tecnologia e gestão transformam agro no Noroeste Paulista


Empreendedores rurais de Jales e região apostam em tecnologia para crescer
Reprodução/TV TEM
Produtores rurais das cidades de Jales e Jaci, no interior de São Paulo, estão transformando o cenário agrícola da região com investimentos em tecnologia e novos modelos de negócio. A aposta em maquinário moderno, especialização técnica e gestão empresarial tem impulsionado a expansão de propriedades, desde viveiros de mudas até granjas e usinas de borracha.
Um dos exemplos é o do produtor Leandro da Silva, de Jales. O que começou há 22 anos em um terreno cedido pelo avô se tornou um viveiro com 14 mil metros quadrados de estufas. A grande mudança veio com a mecanização: uma máquina comprada há cinco anos preenche em uma hora a mesma quantidade de bandejas de mudas que antes levava um dia inteiro de trabalho manual.
Com o ganho de produtividade, o viveiro hoje produz mais de 8 milhões de mudas de hortaliças e legumes por mês, que são vendidas para todo o Brasil. Além disso, o produtor investe em enxertia, uma técnica que torna as plantas mais resistentes a pragas e variações do clima.
Outro caso de sucesso é o de Renato Martins, que em 2018 transformou um sítio de lazer da família em uma granja. Ele aderiu ao sistema de integração, no qual frigoríficos fornecem ração, aves e assistência veterinária. Em cinco anos, a propriedade saltou de três para 10 aviários e hoje abriga 420 mil aves.
No setor da borracha em Jaci, o agrônomo Marcos Murbach usou sua formação para virar empresário. Após atuar como técnico e consultor, ele se uniu a outros produtores e fundou, há 10 anos, uma indústria de beneficiamento de látex. Atualmente, o grupo administra mais de 500 mil pés de seringueira.
Esses casos mostram como a combinação de conhecimento técnico e visão de negócio tem gerado crescimento e contribuído para a economia da região.
Veja a reportagem exibida no programa em 03/05/2026:
Tecnologia e gestão transformam agro no noroeste paulista
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