Colíder, MT – 13 de maio de 2026 12:23

Departamento de Justiça dos EUA oferece recompensa de 15% a 30% sobre multas acima de US$ 1 milhão para quem colaborar com provas; Brooke Rollins — secretária de Agricultura com histórico em think tanks conservadores — critica controle estrangeiro no setor; produtor mato-grossense precisa acompanhar desdobramentos que afetam exportações e cotações internas.

Por Redação TransMeridional Web 6 de maio de 2026 | Atualizado às 05h45 (Horário de Mato Grosso) Foto: Canva/Internet

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, determinou uma investigação federal contra quatro grandes frigoríficos que atuam no mercado americano.

O alvo inclui empresas com controle brasileiro: JBS e National Beef, esta última sob gestão da Marfrig.

As norte-americanas Cargill e Tyson Foods também integram o inquérito, em andamento desde novembro do ano passado.

A apuração busca identificar práticas comerciais abusivas e possível conluio para elevar artificialmente os preços da carne bovina no país.

Recompensa por informações e alcance da apuração

O Departamento de Justiça revisou mais de 3 milhões de documentos e ouviu centenas de depoimentos de pecuaristas, produtores e especialistas do setor.

Quem fornecer provas concretas sobre crimes contra a concorrência ou fraudes pode receber entre 15% e 30% do valor das multas aplicadas, caso ultrapassem US$ 1 milhão.

“Uma empresa de propriedade brasileira detém cerca de um quarto do mercado e possui um histórico documentado de corrupção internacional e atividade ilícita”, afirmou Brooke Rollins, secretária de Agricultura dos EUA.

Rollins, que já comandou o think tank America First Policy Institute, reforçou que a concentração de mercado prejudica tanto produtores independentes quanto consumidores americanos.

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Empresas brasileiras respondem às acusações

Em nota oficial, a MBRF (holding da Marfrig) declarou que respeita integralmente as leis de defesa da concorrência em todas as jurisdições onde atua.

A companhia destacou que, nos Estados Unidos, a National Beef opera em parceria com cerca de 700 produtores locais, que detêm aproximadamente 18% do capital social da empresa.

A JBS foi procurada pela reportagem, mas não retornou o contato até a última atualização desta matéria.

Vale lembrar que, no final de abril, o Ministério Público do Trabalho do Pará pediu a condenação da JBS em, no mínimo, R$ 118 milhões por trabalho análogo à escravidão na cadeia produtiva da pecuária.

Na ocasião, a empresa informou que “não foi notificada sobre as ações mencionadas” e que segue colaborando com as autoridades.

O que isso significa para Mato Grosso e o agro brasileiro

Mato Grosso é o maior produtor de gado do Brasil, responsável por cerca de 30% do rebanho nacional, segundo dados do Imea.

Qualquer restrição comercial ou sanção contra frigoríficos brasileiros nos EUA pode afetar diretamente as cotações internas e a estratégia de exportação dos produtores mato-grossenses.

O Brasil é o principal fornecedor de carne bovina para a indústria norte-americana. Em agosto de 2025, os EUA aplicaram tarifa de 50% sobre diversos produtos brasileiros, incluindo a carne.

“Os pecuaristas, que eu amo, não entendem que a única razão pela qual estão indo bem, pela primeira vez em décadas, é porque eu impus tarifas sobre o gado que entra nos EUA, incluindo uma tarifa de 50% sobre o Brasil”, escreveu Trump em sua rede social.

Cenário de escassez pressiona preços nos EUA

Os estoques de gado nos Estados Unidos caíram ao nível mais baixo em quase 75 anos. A seca prolongada prejudicou as pastagens e elevou os custos de alimentação animal.

Além disso, o país suspendeu há um ano a maioria das importações de gado vindo do México, por receio da disseminação da bicheira-do-Novo-Mundo, praga que afeta o rebanho.

Com a demanda interna firme e a oferta restrita, os frigoríficos passaram a pagar mais pelo gado destinado à produção de hambúrgueres e bifes, repassando parte do custo ao consumidor final.

Nesse contexto, JBS e Tyson Foods anunciaram, respectivamente, o fechamento permanente de unidades na Califórnia e em Nebraska, medidas que reforçam a reestruturação do setor.

Próximos passos e o que o produtor deve observar

A investigação do Departamento de Justiça dos EUA deve seguir por meses, com possibilidade de acordos ou aplicação de multas pesadas.

Para o produtor de Mato Grosso, o cenário exige atenção redobrada:

Peter Navarro, conselheiro de Trump, chegou a afirmar que o lobby da carne representado por brasileiros teria “ameaçado silenciosamente a Casa Branca” em resposta ao tarifaço.

Ainda não há previsão para conclusão do caso, mas o desfecho pode influenciar negociações comerciais entre Brasil e EUA nos próximos meses.


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SEÇÃO DE SERVIÇO

O quê: Investigação do Departamento de Justiça dos EUA sobre práticas comerciais no setor de carne bovina, com foco em frigoríficos de controle brasileiro.

Local: Estados Unidos, com reflexos diretos para Mato Grosso e demais estados produtores do Brasil.

Data: Atualizado em 6 de maio de 2026.

Contato: Redação TransMeridional Web — envie pautas e sugestões pelos nossos canais oficiais.


Nota de esclarecimento: Esta matéria foi produzida com base em informações públicas e oficiais. O TransMeridional Web preza pela apuração ética e pelo direito de resposta. Caso identifique algum equívoco, entre em contato para apuração.

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