Reforma Tributária e Planejamento 2032: Fazenda alerta para desafios de MT em debate no TRT
Secretário Fábio Pimenta detalha impactos do novo modelo de arrecadação nos estados produtores e traça perspectivas econômicas para o próximo ciclo estratégico do Tribunal Regional do Trabalho da 23ª Região.

Foto/Divulgação | Meramente ilustrativa: O assunto voltou ao centro do debate na quarta-feira (28), quando o secretário de Estado de Fazenda, Fábio Pimenta, apresentou as perspectivas econômicas de Mato Grosso durante a elaboração do planejamento estratégico do Tribunal Regional do Trabalho da 23ª Região (TRT23), em Cuiabá.
Resumo Executivo
- O secretário de Fazenda, Fábio Pimenta, participou da construção do Planejamento Estratégico do TRT23 para o ciclo 2027–2032.
- Alerta central: a reforma tributária nacional, ao priorizar a arrecadação no destino (consumo), ameaça a receita e os instrumentos de fomento de estados produtores como Mato Grosso.
- O Estado reafirma o compromisso com o equilíbrio fiscal e destaca os investimentos realizados na última década como base para o desenvolvimento futuro.
- A harmonização entre os Poderes foi apontada como pilar indispensável para a continuidade do progresso econômico e social do Estado.
O futuro econômico de Mato Grosso ganhou um capítulo importante de debate nesta quarta-feira (28). O secretário de Estado de Fazenda, Fábio Pimenta, marcou presença no encontro de construção do Planejamento Estratégico do Tribunal Regional do Trabalho da 23ª Região (TRT23), que define as diretrizes da Justiça do Trabalho para o ciclo 2027–2032.
Sob o tema “Mato Grosso 2032: desenvolvimento econômico, trabalho e transformações do território”, o titular da pasta apresentou um raio-X das perspectivas estaduais. O foco não foi apenas celebrar os números, mas apontar os obstáculos que se desenham no horizonte, especialmente com a reconfiguração do pacto federativo trazida pela reforma tributária.
O desafio da reforma: o custo de ser estado produtor
Ao abordar o novo sistema tributário nacional, Fábio Pimenta foi direto ao ponto nevrálgico para estados como o nosso. “O modelo nacional vai priorizar a arrecadação no consumo. Os estados produtores, como Mato Grosso, vão sofrer perdas de arrecadação e também de instrumentos de desenvolvimento econômico e de política fiscal”, afirmou o secretário.
A lógica é clara: no sistema atual, estados que produzem e exportam commodities geram grande volume de arrecadação própria. Com a transição para a tributação no destino, essa receita tende a migrar para os grandes centros consumidores do Sudeste e Sul, esvaziando a capacidade de Mato Grosso de manter incentivos fiscais que historicamente atraíram indústrias e geraram empregos no Norte do Estado.
Diálogo institucional como bússola para 2032
Além da palestra magna, o secretário integrou a mesa de diálogo “Futuro, território e Justiça do Trabalho”, ao lado do professor Álvaro Gregório e de representantes da Presidência e da Corregedoria do TRT23. O espaço serviu para conectar as tendências macroeconômicas com a realidade das relações de trabalho que chegarão à Justiça nos próximos seis anos.
Para o gestor estadual, a coordenação entre as esferas de poder é a única via para navegar esse período de transição. “A harmonização entre os poderes, observadas a autonomia de cada um e as decisões que são tomadas, é fundamental para que o Estado, a União e os municípios continuem nesse processo de desenvolvimento, trazendo cada vez mais benefícios à população”, destacou Pimenta.
Cenário Base
Equilíbrio fiscal e investimentos consolidados nos últimos 8 anos.
O Desafio
Mudança do eixo de arrecadação para o consumo, impactando estados produtores.
A Resposta
Planejamento estratégico estadual alinhado ao ciclo 2027-2032 do TRT.
O Objetivo
Diálogo institucional para garantir desenvolvimento e estabilidade social.
💡 A Leitura TransMeridional: O paradoxo do motor do País
Mato Grosso vive um paradoxo histórico: é o motor que alimenta a balança comercial brasileira, mas as regras do jogo estão mudando sem que o país tenha um plano de compensação claro para quem produz. A transição para um sistema tributário focado no destino tira a vantagem competitiva dos estados que geram a riqueza na origem.
O alerta de Fábio Pimenta não é apenas um exercício técnico de contabilidade pública. É um aviso de que a “guerra fiscal” benéfica e os incentivos que atraíram indústrias de processamento para o Nortão podem ser severamente limitados. Isso exigirá do Estado uma reinvenção profunda: competir não mais por benefício fiscal, mas por eficiência logística, segurança jurídica e infraestrutura de ponta.
Perspectivas: o que monitorar nos próximos anos
- Compensação de Perdas: Acompanhar como o Fundo de Desenvolvimento Regional (previsto na reforma) irá, na prática, compensar a migração de receita dos estados produtores para os consumidores.
- Relações de Trabalho no Campo: Observar como a mecanização e as novas demandas da indústria de processamento (como a de etanol de milho) refletirão nos processos da Justiça do Trabalho regional.
- Autonomia dos Poderes: A manutenção do diálogo construtivo entre Executivo e Judiciário como ferramenta de estabilidade para atrair investimentos de longo prazo.
- Políticas de Estado: A necessidade de transcender ciclos de governo, garantindo que o planejamento para 2032 seja respeitado independentemente de mudanças na gestão estadual.
• Tribunal Regional do Trabalho da 23ª Região (TRT23): Encontro de construção do Planejamento Estratégico 2027–2032.
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Perguntas Frequentes
Qual o principal alerta da Fazenda de MT sobre a reforma tributária?
O secretário Fábio Pimenta alertou que o novo modelo nacional, ao priorizar a arrecadação no local do consumo, pode gerar perda de receita e de instrumentos de política fiscal para estados produtores como Mato Grosso, que hoje arrecadam com base na produção.
O que foi discutido no encontro de Planejamento Estratégico do TRT23?
O encontro teve como tema “Mato Grosso 2032: desenvolvimento econômico, trabalho e transformações do território”, visando alinhar as prioridades da Justiça do Trabalho com as tendências econômicas, fiscais e institucionais que impactarão o Estado nos próximos seis anos.
Por que estados produtores podem ser prejudicados pela nova tributação?
No modelo atual, estados que produzem e exportam geram grande volume de arrecadação. Com a mudança para a tributação no destino, a receita tende a migrar para os estados mais populosos e consumidores, reduzindo a capacidade de investimento e fomento dos estados produtores.
