Colíder, MT – 6 de junho de 2026 07:33
Espiga de milho com lagarta.

Cientistas da Unemat em Alta Floresta desenvolvem inseticida natural encapsulado para combater a lagarta-do-cartucho, praga capaz de causar perdas de até 70% no milho, segundo a professora Juliana Garlet, doutora em Engenharia Florestal e coordenadora do projeto.

Por Redação TransMeridional Web | 06 de junho de 2026 – 06h04
Foto: IA

Pesquisadores da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), no câmpus de Alta Floresta, estão desenvolvendo uma tecnologia sustentável para combater uma das pragas mais destrutivas do agronegócio brasileiro.

O projeto utiliza um inseticida natural encapsulado para enfrentar a lagarta-do-cartucho, conhecida cientificamente como Spodoptera frugiperda.

A pesquisa é conduzida pelo Centro de Pesquisa e Tecnologia da Amazônia Meridional.

Saiba mais sobre os temas acessando o site da Unemat AQUI.

Praga ameaça lavouras em todo o país

A lagarta-do-cartucho é considerada uma das principais ameaças às lavouras de milho, soja, algodão e arroz.

Segundo pesquisadores, o inseto consegue atacar mais de 350 espécies vegetais registradas no Brasil.

No milho, os danos podem ser severos.

A praga destrói o ponto de crescimento da planta e pode provocar perdas de até 70% da produção quando não há controle eficiente.

“A iniciativa é uma tecnologia sustentável que aumenta a eficiência de inseticidas botânicos e minimiza impactos ambientais”, afirmou a professora Juliana Garlet, coordenadora do projeto e doutora em Engenharia Florestal.

Planta amazônica vira aliada da ciência

A base do inseticida natural é a planta Apeiba tibourbou, conhecida popularmente como pente-de-macaco ou escova-de-macaco.

A espécie possui compostos naturais chamados taninos e terpenoides, encontrados nas folhas.

Pesquisas anteriores já haviam demonstrado potencial inseticida no extrato vegetal.

O problema enfrentado pelos cientistas era a baixa resistência desses compostos à luz solar e ao calor.

Encapsulamento aumenta eficiência

Para superar essa limitação, os pesquisadores adotaram a técnica de encapsulamento.

O processo funciona como uma proteção para o princípio ativo extraído da planta.

As moléculas ficam envolvidas em materiais solúveis de baixo custo, capazes de aumentar a durabilidade do produto no campo.

Segundo a equipe da Unemat, a tecnologia também reduz a quantidade de aplicações necessárias nas lavouras.

“O encapsulamento protege o composto contra a degradação solar e permite liberação controlada do princípio ativo”, explicou Juliana Garlet.

Meta é competir com inseticidas comerciais

Os testes seguem sendo realizados no Laboratório de Silvicultura da Unemat.

A expectativa dos pesquisadores é alcançar mortalidade igual ou superior a 80% das lagartas em até 72 horas.

O objetivo é criar uma alternativa eficiente aos inseticidas sintéticos utilizados atualmente no agronegócio.

Além da eficiência, a proposta busca reduzir impactos ambientais causados pelo uso excessivo de defensivos químicos.

Próxima etapa será em campo

Antes de chegar ao mercado, o produto ainda passará por testes em casa de vegetação e avaliações em condições reais de lavoura.

Os pesquisadores também estudam futuras parcerias para avançar no chamado nanoencapsulamento.

A tecnologia poderá ampliar ainda mais a eficiência e estabilidade do inseticida natural.

Especialistas apontam que soluções biológicas ganham espaço diante da resistência crescente de pragas aos métodos tradicionais de controle agrícola.

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Nota de Esclarecimento Público: Esta reportagem foi produzida com base em informações divulgadas por pesquisadores e instituições públicas, seguindo critérios jornalísticos de interesse coletivo, verificação de dados e neutralidade editorial.

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