
Cientistas da Unemat em Alta Floresta desenvolvem inseticida natural encapsulado para combater a lagarta-do-cartucho, praga capaz de causar perdas de até 70% no milho, segundo a professora Juliana Garlet, doutora em Engenharia Florestal e coordenadora do projeto.
Por Redação TransMeridional Web | 06 de junho de 2026 – 06h04
Foto: IA
Pesquisadores da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), no câmpus de Alta Floresta, estão desenvolvendo uma tecnologia sustentável para combater uma das pragas mais destrutivas do agronegócio brasileiro.
O projeto utiliza um inseticida natural encapsulado para enfrentar a lagarta-do-cartucho, conhecida cientificamente como Spodoptera frugiperda.
A pesquisa é conduzida pelo Centro de Pesquisa e Tecnologia da Amazônia Meridional.
Saiba mais sobre os temas acessando o site da Unemat AQUI.
Praga ameaça lavouras em todo o país
A lagarta-do-cartucho é considerada uma das principais ameaças às lavouras de milho, soja, algodão e arroz.
Segundo pesquisadores, o inseto consegue atacar mais de 350 espécies vegetais registradas no Brasil.
No milho, os danos podem ser severos.
A praga destrói o ponto de crescimento da planta e pode provocar perdas de até 70% da produção quando não há controle eficiente.
“A iniciativa é uma tecnologia sustentável que aumenta a eficiência de inseticidas botânicos e minimiza impactos ambientais”, afirmou a professora Juliana Garlet, coordenadora do projeto e doutora em Engenharia Florestal.
Planta amazônica vira aliada da ciência
A base do inseticida natural é a planta Apeiba tibourbou, conhecida popularmente como pente-de-macaco ou escova-de-macaco.
A espécie possui compostos naturais chamados taninos e terpenoides, encontrados nas folhas.
Pesquisas anteriores já haviam demonstrado potencial inseticida no extrato vegetal.
O problema enfrentado pelos cientistas era a baixa resistência desses compostos à luz solar e ao calor.
Encapsulamento aumenta eficiência
Para superar essa limitação, os pesquisadores adotaram a técnica de encapsulamento.
O processo funciona como uma proteção para o princípio ativo extraído da planta.
As moléculas ficam envolvidas em materiais solúveis de baixo custo, capazes de aumentar a durabilidade do produto no campo.
Segundo a equipe da Unemat, a tecnologia também reduz a quantidade de aplicações necessárias nas lavouras.
“O encapsulamento protege o composto contra a degradação solar e permite liberação controlada do princípio ativo”, explicou Juliana Garlet.
Meta é competir com inseticidas comerciais
Os testes seguem sendo realizados no Laboratório de Silvicultura da Unemat.
A expectativa dos pesquisadores é alcançar mortalidade igual ou superior a 80% das lagartas em até 72 horas.
O objetivo é criar uma alternativa eficiente aos inseticidas sintéticos utilizados atualmente no agronegócio.
Além da eficiência, a proposta busca reduzir impactos ambientais causados pelo uso excessivo de defensivos químicos.
Próxima etapa será em campo
Antes de chegar ao mercado, o produto ainda passará por testes em casa de vegetação e avaliações em condições reais de lavoura.
Os pesquisadores também estudam futuras parcerias para avançar no chamado nanoencapsulamento.
A tecnologia poderá ampliar ainda mais a eficiência e estabilidade do inseticida natural.
Especialistas apontam que soluções biológicas ganham espaço diante da resistência crescente de pragas aos métodos tradicionais de controle agrícola.
Serviço
- O quê: Pesquisa da Unemat desenvolve inseticida natural contra lagarta-do-cartucho
- Local: Câmpus da Unemat em Alta Floresta – Mato Grosso
- Data: Projeto divulgado em junho de 2026
- Contato: Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat)
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Nota de Esclarecimento Público: Esta reportagem foi produzida com base em informações divulgadas por pesquisadores e instituições públicas, seguindo critérios jornalísticos de interesse coletivo, verificação de dados e neutralidade editorial.
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