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Bezerro segue valorizado em Mato Grosso e pressiona custos da pecuária de engorda no Nortão

Bezerros nelore em área de campo de pasteio alto.

Menor oferta de animais, retenção de matrizes e exportações aquecidas mantêm mercado firme; produtores avaliam com cautela a reposição para o segundo semestre

Foto: Arquivo da internet | 25 de Junho 2026, 05h57

O mercado pecuário de Mato Grosso continua operando com forte valorização dos animais de reposição em 2026. O bezerro Nelore de 12 meses, referência para grande parte dos sistemas de recria e engorda do estado, segue negociado entre R$ 3,6 mil e R$ 4 mil por cabeça, dependendo do padrão genético e da região de comercialização.

Levantamentos de mercado apontam que o bezerro Nelore de aproximadamente 240 quilos (8 arrobas) está cotado em torno de R$ 3.660 por cabeça em Mato Grosso, equivalente a cerca de R$ 15,25 por quilo vivo. Já animais com genética superior e maior demanda chegam a superar R$ 16 por quilo.

O movimento mantém a tendência observada ao longo dos últimos meses. Segundo análises do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), o preço do bezerro atingiu os maiores patamares históricos em 2026, impulsionado principalmente pela menor oferta de animais para reposição e pela retenção de fêmeas nas propriedades.

O que está sustentando os preços?

A valorização não ocorre por acaso.

O ciclo pecuário brasileiro atravessa uma fase de redução na disponibilidade de animais jovens. Muitos produtores optaram por reter matrizes nos últimos anos para ampliar os rebanhos, diminuindo temporariamente a oferta de bezerros ao mercado.

Ao mesmo tempo, a demanda por carne bovina brasileira continua forte no mercado internacional. As exportações seguem em níveis elevados, garantindo sustentação para toda a cadeia produtiva e fortalecendo as expectativas dos pecuaristas.

O resultado é uma disputa maior pelos animais de reposição, especialmente em estados líderes da pecuária nacional como Mato Grosso.

Reposição mais cara exige contas mais apertadas

Se por um lado o criador comemora a valorização do bezerro, por outro os produtores de recria, engorda e confinamento enfrentam um cenário mais desafiador.

O custo para recompor o rebanho aumentou significativamente nos últimos 12 meses. Dados do Imea mostram que a valorização do bezerro tem superado a evolução do boi gordo, reduzindo margens em diversas operações pecuárias.

Em abril, o indicador do bezerro acumulava alta superior a 22% em relação ao mesmo período do ano anterior, enquanto a valorização do boi gordo permanecia próxima de 10%.

Na prática, isso significa que muitos confinadores precisam desembolsar mais capital para comprar animais, sem garantia de que a arroba futura acompanhará o mesmo ritmo de valorização.

Impacto direto no Norte de Mato Grosso

A situação é acompanhada de perto por produtores de municípios como Sinop, Colíder, Alta Floresta, Matupá, Guarantã do Norte, Peixoto de Azevedo, Terra Nova do Norte e Nova Canaã do Norte.

A região concentra milhares de propriedades voltadas à cria, recria e engorda, além de estar integrada a importantes corredores logísticos ligados à BR-163 e aos frigoríficos instalados no estado.

Qualquer alteração no custo da reposição influencia diretamente o planejamento das fazendas, os investimentos em pastagens, suplementação e confinamento, além da oferta futura de animais para abate.

O que esperar para o segundo semestre?

A perspectiva predominante no mercado é de manutenção de preços firmes para os animais de reposição.

Enquanto a oferta de bezerros permanecer restrita e a demanda internacional por carne bovina brasileira continuar aquecida, dificilmente haverá uma queda expressiva nas cotações.

Por outro lado, especialistas alertam que a rentabilidade dependerá cada vez mais da relação de troca entre bezerro e boi gordo, além dos custos com nutrição, suplementação e manejo.

Para os pecuaristas do Nortão, o momento reforça a importância do planejamento financeiro e da análise criteriosa das compras de reposição, especialmente para operações de recria intensiva e confinamento.

Cotações de referência em Mato Grosso

O que essa pauta revela sobre o desenvolvimento do Nortão?

A valorização recorde do bezerro mostra que Mato Grosso continua ampliando sua importância na pecuária nacional. Porém, também evidencia um desafio crescente: manter a rentabilidade dos sistemas de recria e engorda diante de custos cada vez maiores de reposição.

Para uma região onde a pecuária movimenta bilhões de reais por ano, o comportamento do mercado de bezerros pode influenciar diretamente investimentos, geração de empregos, demanda por insumos e a dinâmica econômica de dezenas de municípios do Norte do estado.

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