Colíder, MT – 13 de maio de 2026 16:57

Como a mudança nos hábitos de consumo da China pode ajudar a proteger a floresta amazônica

Como a mudança nos hábitos de consumo da China pode ajudar a proteger a floresta amazônica

Gado Nelore
Divulgação/IRD
Quando Xing Yanling publicou no WeChat sobre sua visita à Amazônia brasileira, em abril, descreveu aos amigos na China a sensação inesquecível de estar “envolvida por dezenas de milhares de tons de verde”.
Xing não é uma turista comum. Ela lidera a Associação da Indústria de Carnes de Tianjin, que representa importadores responsáveis por cerca de 40% das compras chinesas de carne bovina provenientes do Brasil.
Sob sua liderança, os membros da associação de Tianjin se comprometeram a comprar 50 mil toneladas de carne bovina brasileira certificada e livre de desmatamento até o fim do ano.
O movimento pode ser um sinal precoce de que a China — uma das forças mais poderosas do comércio global de commodities — está disposta a pagar mais por cadeias de suprimento mais sustentáveis. O volume equivale a cerca de 4,5% do total que os exportadores brasileiros de carne bovina devem vender ao mercado chinês neste ano.
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O compromisso desafia uma crença antiga entre produtores brasileiros: a de que a China, maior importadora mundial de carne bovina e soja, se preocupa apenas com o preço.
A iniciativa ocorre em um momento em que o governo chinês sinaliza a intenção de agir sobre o impacto ambiental do comércio, ao mesmo tempo em que busca proteger sua indústria nacional.
Em 2019, a China alterou sua lei florestal para proibir o comércio de madeira ilegal. Em 2023, assinou um compromisso conjunto com o Brasil para acabar com o desmatamento ilegal impulsionado pelo comércio. Já a partir do ano passado, a COFCO, empresa estatal chinesa de comércio exterior, comprometeu-se a eliminar o desmatamento de sua cadeia de suprimentos.
Carne bovina ligada ao desmatamento
A cadeia de abastecimento da carne bovina está mais preparada para ações concretas, por não ser tão essencial à dieta chinesa quanto outras commodities, como a soja, afirmou Andre Vasconcelos, chefe de engajamento global da Trase, plataforma que monitora o impacto ambiental de diversas cadeias de suprimento.
“Ao mesmo tempo, há uma consciência, respaldada pelas informações disponíveis, de que a carne bovina — especialmente a brasileira — é a mercadoria mais associada ao desmatamento entre os produtos agrícolas importados pela China”, afirmou.
A floresta amazônica, a maior e mais biodiversa do mundo, perde centenas de milhares de hectares de árvores todos os anos. Cerca de 90% dessa área é transformada em pasto para gado logo após o desmatamento, segundo o MapBiomas, organização brasileira sem fins lucrativos que monitora o uso da terra.
Segundo Xing, alguns consumidores chineses estão cientes desse impacto e se tornam mais exigentes à medida que aumentam sua renda.
“Não se trata apenas de ‘o barato sai caro’”, disse. “Isso significa que a carne bovina livre de desmatamento, sustentável, segura e rastreável terá um mercado mais forte no futuro.”
Escolher produtos alimentares com base em critérios ambientais, em vez do preço, é impraticável para a maioria dos consumidores chineses, que, assim como grande parte do mundo, enfrentam preços mais altos nos supermercados.
Ainda assim, a rastreabilidade oferecida pelo projeto também ajuda a reduzir as preocupações com a segurança alimentar.
A carne será comercializada com o selo “Beef on Track”, desenvolvido pela ONG brasileira Imaflora. O selo prevê quatro níveis de conformidade, definidos de acordo com o grau de rastreabilidade da carne na cadeia de suprimentos e com a comprovação de que as fazendas foram legalmente regularizadas.
Os importadores de Tianjin estão dispostos a pagar um preço até 10% maior pela carne bovina proveniente de frigoríficos que comprovem que as fazendas fornecedoras não têm qualquer ligação com o desmatamento — legal ou ilegal — nem com o trabalho escravo.
Se essa mudança ganhar escala, o impacto poderá ser significativo.
A China compra mais de 10% da carne bovina exportada pelo Brasil, segundo dados do governo e da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC), cujos membros incluem empresas como JBS e Marfrig.
No entanto, qualquer impacto positivo pode ser limitado pelo frágil sistema de rastreabilidade do Brasil. O modelo atual se baseia em documentos de transporte de gado que, segundo promotores, podem ser facilmente fraudados para ocultar irregularidades na cadeia de suprimentos — prática conhecida como “lavagem de gado”.
Melhorias nesse sistema podem levar anos.
Oportunidade ou obstáculo?
Quando Xing e sua delegação chegaram à fazenda Carioca, em Castanhal, no norte da Amazônia, o fazendeiro Altair Burlamaqui não esperava mais do que uma conversa produtiva.
Burlamaqui apresentou o gado e parte da vasta reserva de floresta tropical em suas terras. Ao final do almoço, a delegação estava tão entusiasmada que perguntou se ele sonhava em ver sua carne bovina vendida na China como um produto associado à proteção da floresta amazônica. A ideia, segundo ele, foi ao mesmo tempo emocionante e avassaladora.
“O que entendi da conversa é que eles querem um produto com mais valor agregado para uma parcela da população disposta a pagar por isso”, disse. “E essa parcela pode ser maior do que toda a população brasileira.”
No setor como um todo, o projeto de sustentabilidade de Tianjin teve uma recepção mais discreta.
A ABIEC, entidade que reúne exportadores de carne bovina, está insatisfeita com a iniciativa liderada por Xing, segundo disseram à Reuters duas pessoas que falaram recentemente com a direção da associação.
Uma das fontes afirmou à Reuters que a preocupação é que a demanda por carne bovina sustentável se transforme em um obstáculo adicional para um mercado já considerado restrito.
Neste ano, a China impôs cotas à importação de carne bovina para proteger sua indústria nacional. A expectativa é que o Brasil atinja o limite estabelecido, de 1,1 milhão de toneladas, até o fim do próximo mês — justamente quando Tianjin planeja importar seu primeiro contêiner de carne bovina com certificação de sustentabilidade.
Em comunicado, a ABIEC afirmou que “apoia iniciativas focadas em certificação, mas avalia que novos selos devem estar alinhados aos sistemas já existentes, evitando sobreposições e exigências que careçam de infraestrutura pública para implementação, o que poderia criar barreiras à produção”.
A entidade não respondeu aos questionamentos enviados pela Reuters.
A cota pode atrasar os planos de Tianjin, já que qualquer importação de carne bovina realizada após o limite estabelecido estará sujeita a um imposto chinês de 55%.
Pequim introduziu as cotas em um período em que a produção global de carne bovina tende a diminuir, com pecuaristas reconstruindo rebanhos nos Estados Unidos e no Brasil — movimento que pressiona os preços em diversos países, incluindo a China.
Valor agregado
Os consumidores chineses já estão habituados a comprar produtos com algum nível de rastreabilidade. Durante a visita, a equipe de Xing mostrou a autoridades e empresários brasileiros como adiciona códigos QR aos ovos, permitindo que os consumidores rastreiem o produto até a fazenda de origem.
A rastreabilidade facilita o trabalho dos órgãos reguladores na identificação da origem de surtos de doenças e permite que empresas deixem de operar com fornecedores envolvidos em crimes ambientais.
Segundo Xing, os consumidores estão dispostos a pagar até o dobro por esses ovos.
A certificação Beef on Track deve estar pronta para adoção por frigoríficos, supermercados e importadores até o fim do ano.
O nível mais básico do padrão é comparável ao utilizado pelo Ministério Público Federal para verificar se as fazendas que fornecem diretamente à indústria da carne bovina cumprem a legislação ambiental e trabalhista.
Esse programa abrange fornecedores responsáveis por cerca de 2,7 milhões de toneladas de carne bovina por ano — aproximadamente um quinto da produção brasileira, mas quase o dobro das importações chinesas registradas no ano passado.
A carne bovina que Tianjin pretende importar neste ano fará parte desse volume certificado.
Até o momento, nenhuma empresa frigorífica brasileira anunciou planos de adotar a certificação.
A Imaflora argumenta que a certificação que desenvolveu pode criar oportunidades, em vez de se tornar um obstáculo para os produtores — como, segundo a organização, ocorreu nos setores de madeira e café.
“O setor ainda está tentando entender como essa certificação pode reconhecer e valorizar os produtos brasileiros em um cenário de tensão geopolítica”, disse Marina Guyot, gerente de políticas da Imaflora.
Ela acrescentou, no entanto, que a certificação busca reconhecer aquilo que as empresas já fazem para cumprir seus próprios compromissos de sustentabilidade e rastreabilidade.
“É uma certificação que cria a possibilidade de valorizar esse esforço”, afirmou.

A JBS de Joesley Batista é alvo de megainvestigação do governo Trump: ‘Devemos nos preocupar com a influência de estrangeiros’

A JBS de Joesley Batista é alvo de megainvestigação do governo Trump: 'Devemos nos preocupar com a influência de estrangeiros'

O conselheiro de Comércio e Manufatura do governo norte-americano, Peter Navarro, enfatizou o fato de duas das quatro maiores indústrias de carne do país são brasileiras
Getty Images
A reunião dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump em Washington nesta quinta-feira (7) coincide com uma nova rodada de ameaças do governo dos Estados Unidos contra gigantes brasileiras da carne que operam no país.
Embora o tema não tenha feito parte da agenda dos presidentes na Casa Branca, múltiplas movimentações à margem da agenda diplomática indicam que a pauta está no radar das autoridades federais norte-americanas.
Em entrevista coletiva após a reunião, na embaixada do Brasil em Washington, Lula brincou a respeito do menu do almoço oferecido por Trump na Casa Branca, que incluiu filé bovino grelhado: “Fiquei curioso para saber se era carne brasileira, mas não quis perguntar porque poderia não ser”.
Horas depois de a notícia da viagem-relâmpago de Lula aos EUA vir à tona na segunda-feira (4), o governo norte-americano anunciou detalhes de uma megainvestigação sobre a indústria de carne no país por suspeita de “práticas anticompetitivas”, seguindo uma postagem presidencial feita em novembro de 2025.
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No alvo das apurações estão as chamadas Quatro Grandes (Big Four) do setor, responsáveis por cerca de 85% da atividade nos Estados Unidos. E duas dessas gigantes são brasileiras ou controladas por capital brasileiro: a JBS Foods USA e a National Food.
Maior processadora de carne do mundo, a JBS é líder do setor em solo americano por meio da marca JBS Foods USA.
Já a National Food é controlada pela brasileira MBRF, resultante da fusão entre a BRF e a Marfrig.
Na lista de quatro gigantes estão também a Cargill e a Tyson Foods, de capital norte-americano.
O empresário Joesley Batista, do Conselho de Administração da J&F, holding que abriga a JBS Foods USA, teria sido um dos articuladores do encontro entre Lula e Trump, segundo a agência Reuters.
A processadora de carne de frango Pilgrim’s Pride, uma das subsidiárias da JBS Foods USA, esteve entre as maiores doadoras de campanha de Trump em 2024, com um aporte de US$ 5 milhões (R$ 24,6 milhões).
Batista esteve em Washington na quinta-feira (7) ao mesmo tempo em que ocorria a reunião entre Lula e Trump na Casa Branca, segundo informações do jornal “O Globo”.
A investigação contra a megaindústria da carne havia sido antecipada em novembro de 2025 em postagem de Trump na sua rede social Truth Social, sem especificar os nomes das companhias.
O secretário de Justiça dos Estados Unidos, Todd Blanche, participou do anúncio de investigações sobre o setor da carne.
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Companhias brasileiras no alvo
Na segunda-feira (4), além de citar nominalmente as Quatro Grandes, representantes do governo dos Estados Unidos responsáveis pelas investigações fizeram declarações duras sobre o peso brasileiro no setor.
O tom do anúncio contrastou com o clima ameno e otimista do encontro entre Trump e Lula.
“[…] Metade das Quatro [Grandes] são brasileiras. E no meu mundo das tarifas eu me lembro vividamente de que recentemente, quando o presidente [Trump] impôs tarifas sobre o Brasil em razões de ações prejudiciais para o povo americano”, afirmou Peter Navarro, conselheiro especial para Comércio e Manufatura do governo dos Estados Unidos, que participou do anúncio da investigação no Departamento de Justiça.
“O que aconteceu? O lobby da carne, representado por brasileiros, silenciosamente ameaçou a Casa Branca de que nós veríamos a carne vendida nos supermercados americanos indo para onde? China”, prosseguiu.
E concluiu: “Não é apenas com abuso de preços e cartel que devemos nos preocupar. É também com a influência de estrangeiros em nossa cadeia de abastecimento”.
Economista com formação em Harvard, Navarro acompanha Trump desde o primeiro mandato (2017-2020) e é considerado o principal inspirador das políticas protecionistas do presidente norte-americano.
“Essa investigação da JBS e da National Beef denota que a relação Brasil-Estados Unidos mergulhou em um enredo pautado em [política] antitruste, inflação alimentar e nacionalismo econômico”, afirma Priscila Caneparo, doutora em Direito das Relações Econômicas Internacionais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e professora do Curso de Relações Internacionais da Unicuritiba.
O resultado, na opinião da professora, é uma “contaminação da agenda bilateral” por meio de acusações de concentração de mercado e segurança alimentar.
Ao mesmo tempo, diz Priscila, ocorre um fortalecimento do discurso protecionista.
Joesley Batista, da JBS, teria sido um dos articuladores do encontro entre Lula e Trump
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Impopularidade e alta de preço da carne preocupam Trump
O efeito político da medida, segundo a pesquisadora, é colocar as grandes empresas brasileiras sob suspeita em setores considerados estratégicos pelos Estados Unidos.
As apurações anunciadas por Washington não são somente técnicas, sustenta Priscila.
“[Por meio da investigação das Quatro Grandes] o governo dos Estados Unidos tenta responder a uma pressão doméstica, que é o preço dos alimentos, que gera inflação e foi uma bandeira de campanha de Trump”, afirma a professora.
O governo dos Estados Unidos anunciou também que vai recompensar financeiramente quem der informações sobre práticas ilícitas cometidas pela indústria da carne.
“Há uma politização e uma tentativa de securitização muito tênue dessa discussão [sobre as práticas comerciais das empresas], tentando trazê-la para o campo da segurança nacional”, define Natali Hoff, doutora em Ciência Política pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e professora do Curso de Relações Internacionais da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR).
Às voltas com queda nos índices de aprovação e uma decisiva campanha para as eleições legislativas de meio de mandato — marcadas para novembro de 2026 —, Trump tenta enfrentar uma das questões mais candentes para o eleitorado: o custo de vida. O preço da carne é um componente importante da inflação no país.
Para Natali, a investigação sobre empresas estrangeiras permite ao governo Trump “terceirizar” a culpa pelo aumento do preço da carne.
“Trump está muito enfraquecido, principalmente depois da Guerra do Irã, e com isso [a investigação das gigantes da carne], consegue tentar emplacar algum tipo de discurso diante do eleitorado, sejam consumidores ou pecuaristas, que se irritaram com a ampliação das importações de carne para lidar com a alta dos preços.”
Em nota, a MBRF afirmou que atua em estrita conformidade com as leis de defesa da concorrência e mantém políticas robustas de governança e compliance.
“[…] Nos Estados Unidos as operações da National Beef [subsidiária da MBRF] têm uma característica especial, já que elas são baseadas em sociedade de longa data com cerca de 700 produtores locais, que juntos detêm aproximadamente 18% do capital da empresa”, diz a nota.
A BBC News Brasil procurou a JBS e a J&F para tratar da investigação anunciada pelos Estados Unidos, mas não havia obtido resposta até o fechamento desta reportagem.
A BBC News Brasil também questionou o Ministério das Relações Exteriores do Brasil e os Departamentos de Agricultura e Justiça dos Estados Unidos sobre a investigação norte-americana, mas não havia recebido retorno até a finalização desta reportagem.
Assim que houver manifestação, o texto será atualizado

Você já experimentou carrapito? Conheça doce artesanal centenário feito no ES

Você já experimentou carrapito? Conheça doce artesanal centenário feito no ES

Carrapito: conheça doce artesanal de mais de um século feito com cana, mamão e gengibre
Feito com cana-de-açúcar, mamão verde e gengibre, o carrapito é uma receita centenária que resiste ao tempo no interior de Alfredo Chaves, na Região Serrana do Espírito Santo.
Produzido de forma artesanal pela família Bravim, o doce desperta memórias afetivas e mantém viva uma tradição que já dura mais de um século.
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“Às vezes, tem pessoas assim: ‘Nossa, eu comi o seu doce, eu lembrei do meu avô, lembrei do meu bisavô’. Antigamente, todo mundo fazia carrapito, mas foi se perdendo. Toda casa tinha alguém que fazia”, conta a produtora rural Rosana Javarini Bravim.
Produção artesanal mantém tradição viva
A produção acontece uma vez por semana, na propriedade que fica em Vila Nova do Ribeirão. A receita atravessou gerações da família de Adevaldo Valentin Bravim, mas só em 2018 passou a ser produzida de forma estruturada, após adequações exigidas pela Vigilância Sanitária.
“Fui visitar outro produtor e vi a estrutura. Aí falei: ‘Vou ter que construir uma igual’. E hoje está aqui preparadinha”, contou Adevaldo.
Mesmo com a profissionalização, o processo continua totalmente manual e envolve apenas três pessoas da família.
Doce carrapito feito no Espírito Santo
Reprodução/ TV Gazeta
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Produção exige paciência
A produção começa ainda no dia anterior, com a colheita dos ingredientes. “Colhe na segunda para já começar cedo na terça, senão não dá conta fazer tudo num dia só”, explicou Adevaldo.
O preparo é longo. O caldo de cana fica cerca de três horas fervendo antes de receber o mamão ralado e prensado. Depois, é preciso mexer a mistura por mais quatro horas no fogo até atingir o ponto ideal.
“Tem que aguentar, né? A gente cansa, mas tem que mexer. Pode parar não”, disse Luciana Bravim, que ajuda na produção.
O toque final vem com o gengibre triturado, que dá sabor e aroma ao doce.
Produção limitada e alta procura
Atualmente, a família produz cerca de cinco tachos por semana, com aproximadamente 25 quilos cada, totalizando cerca de 300 bandejas. A demanda, no entanto, é maior do que a capacidade de produção.
Segundo a Prefeitura de Alfredo Chaves, a família Bravim é a única que ainda produz o carrapito na região. E o doce já ultrapassou fronteiras.
“Já teve gente levando para a Austrália. Também já teve encomenda para Santa Catarina”, contou Rosana.
Doce carrapito feito no Espírito Santo
Reprodução/ TV Gazeta
Tradição que resiste ao tempo
Apesar das dificuldades, como a falta de mão de obra e o trabalho intenso, a família faz questão de manter a tradição.
“Faz pena deixar essa tradição perder. A gente já está ficando velho e é difícil outra pessoa começar, porque é muito trabalhoso”, afirmou Adevaldo.
Rosana, por outro lado, não guarda segredo da receita. Pelo contrário, incentiva que outras pessoas aprendam.
“Gosto de ensinar para ver se desperta em alguém o desejo de fazer também”, disse.
Mesmo assim, ela reconhece que há algo difícil de reproduzir. “Quando a gente faz algo com amor, com carinho, tudo fica melhor”.
Doce carrapito feito no Espírito Santo
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