
Setor encerra o primeiro trimestre de 2026 com crescimento acumulado de 9,8%, porém enfrenta queda de 4,8% em comparação ao ano anterior; Marcelo Azevedo — gerente de Análise Econômica da CNI — aponta juros altos como entrave.
Por Redação TransMeridional Web | 9 de maio de 2026 | Atualizado às 10:28
Foto por: Divulgação/CNI – Gemini
A indústria de transformação brasileira apresentou sinais de fôlego no mês de março, registrando um avanço de 3,8% no faturamento em relação a fevereiro. O desempenho positivo contribuiu para que o setor fechasse os primeiros três meses do ano com uma alta consolidada de 9,8% frente a dezembro de 2025.
Apesar do otimismo recente, o balanço anual ainda carrega o peso das incertezas econômicas. Quando comparado ao primeiro trimestre de 2025, o faturamento industrial amarga uma retração de 4,8%. Os dados foram apresentados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) nesta sexta-feira.
Especialistas apontam que a oscilação reflete a dificuldade de retomada do consumo em larga escala. Embora a produção mensal tenha subido, o acumulado do ano mostra que o ritmo atual ainda é insuficiente para superar os patamares alcançados no período anterior.
Juros elevados e ociosidade nas fábricas
De acordo com Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI, o cenário de juros altos iniciado no final de 2024 é o principal vilão do setor. Essa conjuntura encarece o crédito e reduz a busca por bens industriais, impactando diretamente o caixa das empresas.
A Utilização da Capacidade Instalada (UCI) subiu levemente para 77,8% em março. Contudo, o índice permanece abaixo do registrado no ano passado, o que evidencia uma ociosidade preocupante. Na prática, as fábricas possuem máquinas e recursos prontos, mas a demanda do mercado não acompanha o potencial produtivo.
“Há recursos disponíveis, mas a produção é inferior ao que poderia ser atendido pela demanda atual”, destacou Azevedo ao analisar a distância entre o que se pode produzir e o que o consumidor está disposto a comprar.
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Retração no emprego e massa salarial
O mercado de trabalho industrial também sente os reflexos dessa instabilidade. O nível de emprego no setor recuou 0,3% na passagem de fevereiro para março, marcando a quinta queda em um intervalo de sete meses. No trimestre, o saldo de vagas é negativo em 0,7%.
A massa salarial teve um encolhimento de 2,4% somente em março, acompanhada por uma queda de 1,8% no rendimento médio real dos trabalhadores. Por outro lado, as horas trabalhadas na produção cresceram 1,4% no mês, sendo o terceiro aumento consecutivo.
Mesmo com os trabalhadores produzindo por mais tempo, a indústria ainda luta para equilibrar os custos de operação com a rentabilidade final, aguardando condições macroeconômicas mais favoráveis para uma recuperação sustentável em 2026.
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Nota de Esclarecimento Público: Este conteúdo baseia-se em dados oficiais da CNI e visa informar o cidadão sobre os rumos da economia nacional e regional. O espaço para contrapostos de entidades do setor permanece aberto.