
A administração municipal e o Consórcio de Saúde do Vale do Peixoto barraram a aquisição de medicamentos após indícios de sobrepreço; Nilmar Nunes de Miranda — atual prefeito e presidente do consórcio — afirma que não houve pagamentos e que a economicidade foi preservada.
Por Redação TransMeridional Web 9 de maio de 2026 | Atualizado às 09:15 Foto por: Internet/Lucas Torres – Gemini
A Prefeitura de Peixoto de Azevedo, localizada no Nortão de Mato Grosso, agiu para suspender um contrato milionário antes que qualquer recurso saísse dos cofres públicos. A medida envolve um montante de R$ 11,7 milhões que seria destinado à compra de insumos hospitalares e medicamentos.
De acordo com nota oficial emitida pela gestão municipal, o contrato foi interrompido ainda em sua fase embrionária. A decisão administrativa ocorreu no âmbito do Consórcio Intermunicipal de Saúde da Região do Vale do Peixoto (CISVP), garantindo que nenhum valor fosse liquidado ou pago às empresas envolvidas.
A prefeitura sustenta que a adesão à ata de preços, modalidade conhecida como “carona”, visava solucionar um desabastecimento crítico no Hospital Regional. O problema teria sido causado por fornecedores antigos que descumpriram prazos de entrega, colocando em risco o atendimento à população.
Decisão administrativa e preservação do patrimônio
A suspensão foi determinada pela presidência do Consórcio de Saúde sob o argumento de reavaliação dos valores de mercado. Segundo a nota oficial, a ordem para paralisar os atos executórios foi dada “antes mesmo do recebimento de qualquer liminar judicial”, focando na proteção do erário.
A administração reforça que o patrimônio público segue intacto. “O patrimônio público permanece integralmente preservado, não havendo que se falar em qualquer tipo de prejuízo aos cofres municipais ou do consórcio”, informou o executivo em comunicado à imprensa e aos órgãos de controle.
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Com a paralisação do processo, a prefeitura busca assegurar que futuras compras ocorram dentro de padrões éticos e legais mais rígidos. O objetivo agora é implementar novas estratégias de suprimentos que não onerem a saúde financeira do município, mantendo o fluxo do Hospital Regional.
Questionamentos do Ministério Público e transparência
O caso atraiu a atenção do Ministério Público de Mato Grosso, que ingressou com uma ação civil pública. A promotora Fernanda Luckmann Saratt apontou uma discrepância severa entre os valores da ata de adesão e os preços de uma licitação homologada pela própria prefeitura dias antes.
Em alguns itens, a diferença chegava a ser 28 vezes superior ao valor de mercado previamente registrado. O MP destacou o fato de o prefeito Nilmar Nunes de Miranda ocupar também a presidência do consórcio, sendo o responsável pelas homologações em ambas as esferas.
A defesa da prefeitura alega boa-fé, utilizando como argumento o fato de que os preços mais baixos usados como referência pelo MP vieram justamente de um certame realizado pela gestão atual. O município reafirmou sua total disposição em colaborar com a Justiça e o Ministério Público para esclarecer os fatos.
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Nota de Esclarecimento Público: Este portal preza pela imparcialidade e transparência. O espaço segue aberto para manifestações de todas as partes citadas nesta reportagem.