Colíder, MT – 10 de junho de 2026 00:09
Biomassa na usina. No primeiro plano a matéria prima e no segundo plano a indústria.

Por Ozieu Alves| Redação TransMeridional Web 08/06/2026 | 20h59h08 — Colíder, MT

Foto: IA

O Governo de Mato Grosso e o Ministério Público Estadual (MPE) assinaram, nesta segunda-feira (8), um Termo de Compromisso Ambiental que institui o Plano de Desenvolvimento Florestal do Estado. Focada em garantir segurança jurídica e previsibilidade de insumos ao setor fabril, a medida estabelece metas audaciosas: expandir as florestas plantadas para mais de 700 mil hectares e ampliar as áreas de manejo florestal sustentável para ao menos 6,5 milhões de hectares até 2040. A resolução dita o fim definitivo do uso de biomassa de supressão nativa pela grande indústria até 2034.

Saiba mais acessando AQUI o site da Secretária de Comunicação do governo de MT.

O coração do novo acordo reside na regulamentação da matriz térmica que move as caldeiras industriais mato-grossenses. Com o crescimento acelerado de indústrias de base tecnológica, processadoras de proteínas e, fundamentalmente, as usinas de etanol de milho ao longo do Nortão e do eixo logístico da BR-163, a demanda por energia limpa disparou, pressionando os remanescentes florestais e exigindo uma resposta coordenada do Estado.

O governador Otaviano Pivetta enfatizou que a regulamentação do uso da biomassa representa uma plataforma de atração de novos capitais e fomento à economia verde regional. “Este termo determina com clareza prazos e limites para o uso de biomassa originária de florestas nativas, pavimentando uma transição sem rupturas econômicas. Teremos o tempo necessário para que as indústrias se adaptem, mas o ganho em governança será enorme. É, acima de tudo, uma janela extraordinária de diversificação de renda para os pequenos e médios produtores rurais por meio da silvicultura comercial”, avaliou o governador.

O Cronograma da Transição Industrial A partir da assinatura do termo, grandes consumidores de biomassa do Estado passarão por auditorias periódicas. A substituição da madeira proveniente de desmatamentos autorizados legais por fontes cultivadas (como o Eucalipto e a Teca) ou manejadas será progressiva. A meta jurídica e operacional intransponível é o ano de 2034, quando 100% da demanda térmica industrial do Estado deverá vir exclusivamente de fontes renováveis e manejadas de forma sustentável.

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A secretária de Meio Ambiente de Mato Grosso, Mauren Lazzaretti, explicou que a política pública desenhada pelo Estado em parceria com os órgãos de controle visa blindar as exportações mato-grossenses contra barreiras internacionais não-tarifárias ligadas ao desmatamento. “O ponto central é extinguir a dependência industrial da supressão de vegetação nativa, mesmo que autorizada legalmente. Queremos que a caldeira que agrega valor ao nosso grão seja alimentada por florestas cultivadas ou pelo legítimo manejo florestal sustentável. Unimos conservação com a preservação da competitividade econômica de nossas cadeias produtivas”, apontou Lazzaretti.

A visão é compartilhada pelo Ministério Público. Segundo a procuradora de Justiça Ana Luiza Peterlini, a chancela do órgão ao plano de desenvolvimento de base florestal traz a estabilidade institucional de que os grandes empreendimentos necessitam para investir no longo prazo. “Trata-se de induzir o mercado de forma inteligente, estimulando as empresas a expandirem os plantios comerciais e o manejo de alta performance, mitigando riscos de degradação e chancelando Mato Grosso como líder em sustentabilidade corporativa real”, ponderou Peterlini.

Rastreabilidade eletrônica e Compliance Além das metas volumétricas de plantio e transição de matriz, o plano impõe obrigações severas em conformidade (compliance) ambiental. O termo de compromisso cria mecanismos digitais integrados para a rastreabilidade ponta a ponta da matéria-prima vegetal consumida no Estado.

As empresas compradoras de biomassa serão obrigadas a atualizar constantemente seus Planos de Suprimento Sustentável (PSS), que passarão por auditorias externas e independentes periódicas. A transparência pública dos dados ambientais será ampliada, permitindo um monitoramento em tempo real do mercado de energia térmica.

A formalização do acordo contou ainda com o respaldo técnico e político do procurador-geral de Justiça, Rodrigo Fonseca, e dos secretários de Estado Mauro Carvalho (Casa Civil) e Mayran Beckman (Desenvolvimento Econômico), além do procurador-geral do Estado, Francisco Lopes, assegurando o alinhamento total das pastas de infraestrutura, finanças e controle ambiental rumo à consolidação do novo polo de silvicultura do Centro-Oeste.

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