Mauro Mendes mantém posição contra o fim da escala 6×1 e reafirma defesa de jornadas de até 16 horas
Senador eleito por Mato Grosso diz que não mudará de opinião diante das críticas e defende maior flexibilidade nas relações de trabalho; declaração ocorre às vésperas da votação de proposta que prevê dois dias de descanso semanal.

Foto/Arte: TransMeridional Web | Montagem jornalística sobre a declaração de Mauro Mendes, feita na terça-feira (13), durante a inauguração de um comitê de apoio a Flávio Bolsonaro. O senador eleito por Mato Grosso reafirmou sua posição sobre a jornada de trabalho e declarou que não pretende mudar de opinião diante das críticas.
O senador eleito por Mato Grosso Mauro Mendes (União Brasil) reafirmou sua posição contrária ao fim da escala de trabalho 6×1 e voltou a defender maior flexibilidade na organização das jornadas profissionais, incluindo a possibilidade de períodos de trabalho de até 16 horas por dia, em situações que citou como referência do modelo norte-americano.
A declaração foi feita na terça-feira (13), durante a inauguração de um comitê de apoio a Flávio Bolsonaro no segundo turno da eleição presidencial. Questionado sobre a repercussão negativa de suas falas entre trabalhadores, Mendes afirmou que não pretende rever sua posição.
“Não é porque alguém é contra, alguém chia, alguém reclama, que eu vou mudar as minhas opiniões”, declarou, conforme reportagem do portal Olhar Direto.
O senador eleito argumentou que sua trajetória política foi marcada por decisões que considera corretas e afirmou que, em uma democracia, diferentes posições devem ser respeitadas.
📋 O que Mauro Mendes defende
- Flexibilização das regras: Mendes sustenta que o Brasil deveria adotar regras mais flexíveis, tomando como referência práticas existentes nos Estados Unidos.
- Jornadas estendidas: Mentionou brasileiros que trabalham no exterior por períodos de 10, 12, 14 ou até 16 horas diárias, afirmando que isso pode proporcionar remuneração maior.
- Crítica à rigidez: Avalia que maior liberdade de negociação entre empregados e empregadores poderia favorecer a atividade econômica e elevar a produtividade.
- Oposição à PEC: Sua posição contrasta com a proposta de emenda à Constituição que prevê o fim da escala 6×1 e a redução gradual da jornada para 40 horas semanais.
Senado discute mudança na escala de trabalho
A discussão ganhou importância nacional porque o Senado colocou a PEC 221/2019 na pauta de 14 de outubro. A proposta já havia sido aprovada pela Câmara dos Deputados e pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado.
A votação em primeiro turno estava prevista para esta quarta-feira. A possibilidade de concluir também o segundo turno no mesmo dia dependia da aprovação de um calendário especial para dispensar o intervalo regimental entre as votações.
Se aprovada nos dois turnos exigidos, a proposta seguirá os procedimentos constitucionais aplicáveis à promulgação. Até a conclusão desse processo, a mudança não deve ser tratada como regra já vigente.
🔄 O Caminho da Proposta de Transição
Aprovação Legislativa: Votação em dois turnos no Senado, com possível dispensa de intervalo regimental.
Primeira Fase: A jornada semanal passaria inicialmente para 42 horas.
Fase Final: Redução posterior para 40 horas semanais, mantendo os salários.
Descanso Garantido: Estabelecimento de dois dias de descanso remunerado por semana.
Jornada de 16 horas e limites legais
A defesa de jornadas de até 16 horas feita por Mendes precisa ser distinguida das regras atualmente aplicáveis no Brasil.
A Constituição Federal estabelece, como regra geral, jornada normal de até oito horas diárias e 44 horas semanais, com possibilidade de compensação e horas extraordinárias conforme a legislação. Existem regimes especiais, como o de 12 horas de trabalho por 36 horas de descanso, sujeitos aos requisitos legais específicos.
Portanto, a declaração do senador eleito expressa uma posição sobre a flexibilização pretendida, mas não significa que jornadas habituais de 16 horas sejam automaticamente permitidas pela legislação brasileira.
Reação e divergência sobre os efeitos da proposta
As declarações de Mendes provocaram críticas de representantes políticos e setores ligados à defesa dos direitos trabalhistas. O deputado estadual Lúdio Cabral (PT), por exemplo, contestou a posição do senador eleito e criticou a possibilidade de ampliar a liberdade de negociação entre trabalhadores e empregadores sem garantias consideradas suficientes de proteção.
O debate envolve duas preocupações distintas. Defensores de maior flexibilidade argumentam que negociações mais amplas podem permitir diferentes arranjos de jornada, remuneração e produtividade. Já os defensores da redução da escala 6×1 destacam a importância do descanso semanal, da convivência familiar e da proteção contra jornadas excessivas.
Entidades empresariais também levantaram preocupações sobre os custos de adaptação à redução da jornada, especialmente em atividades que dependem de funcionamento contínuo ou de atendimento diário.
O que está em jogo para Mato Grosso
Em Mato Grosso, o debate alcança setores com estruturas de trabalho distintas, como comércio, indústria frigorífica, transporte rodoviário, serviços e atividades agropecuárias.
Em operações que funcionam continuamente, mudanças na escala podem exigir reorganização de equipes, contratação adicional, ajustes de turnos ou investimentos em produtividade. Para os trabalhadores, a discussão envolve renda, tempo de descanso e condições de conciliação entre trabalho e vida pessoal.
Contexto da cadeia produtiva: Confinamento bovino deve chegar a 10 milhões de cabeças em 2026, mas pecuarista recalcula a estratégia. Entenda como a reorganização de equipes e custos operacionais impactam esse setor em expansão.No caso dos frigoríficos e das empresas de logística, a análise também precisa considerar exigências de continuidade operacional, segurança ocupacional e cumprimento dos intervalos previstos em lei.
A questão econômica central é como compatibilizar produtividade, remuneração, custos empresariais e proteção trabalhista. Os efeitos de qualquer alteração não serão necessariamente iguais em todos os segmentos.
⚖️ A análise TransMeridional: O debate vai além das horas
A declaração de Mauro Mendes deixa clara sua posição política, mas a definição das regras trabalhistas depende do processo legislativo e dos limites estabelecidos pelo ordenamento jurídico.
O debate sobre a escala 6×1 continua aberto no Congresso e coloca em discussão não apenas quantas horas se trabalha, mas também como distribuir os períodos de atividade, descanso e remuneração na economia brasileira. Para Mato Grosso, o desafio será encontrar um equilíbrio que não asfixie a competitividade do agronegócio e da indústria, mas que também garanta direitos fundamentais aos trabalhadores.
📌 Pontos de atenção para os setores produtivos
- Reorganização de escalas: Necessidade de avaliar o impacto financeiro da contratação de novos turnos para cobrir a redução de horas.
- Segurança ocupacional: A fadiga em jornadas estendidas exige protocolos rígidos, especialmente no transporte rodoviário e operação de máquinas.
- Negociação coletiva: A importância dos sindicatos e convenções coletivas na mediação de qualquer flexibilização, garantindo contrapartidas reais aos trabalhadores.
