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Frente da cabina de um caminhão Volvo da empresa Copersucar com os dizeres: Movido a Biometano.

Com lucro de R$ 631 milhões, companhia amplia investimentos em biometano, etanol e transporte de baixo carbono, sinalizando mudanças que podem influenciar regiões produtoras como o Norte de Mato Grosso

Quando uma das maiores comercializadoras de açúcar e etanol do mundo anuncia lucro de R$ 631 milhões, o resultado financeiro chama atenção. Mas o dado mais relevante talvez esteja fora do balanço.

Da Redação | 24 de Junho de 2026, 06h16 | Foto: Arquivo da Internet

Ao encerrar a Safra 2025/26 com crescimento de 56,9% no lucro líquido, a Copersucar mostrou que a próxima fronteira de competitividade do agronegócio brasileiro não depende apenas da produção dentro da porteira. Ela passa cada vez mais por energia, logística e eficiência ambiental.

A companhia consolidou a BioRota, considerada a maior operação logística baseada em biometano do país, e ampliou sua estratégia de utilização do etanol como alternativa para a descarbonização do transporte marítimo internacional.

O movimento ocorre em um momento em que os mercados globais exigem não apenas alimentos e energia, mas também cadeias produtivas mais eficientes e com menor emissão de carbono.

O diesel já não é a única resposta

Atualmente, 14% do açúcar transportado por caminhões até o Terminal Açucareiro Copersucar, no Porto de Santos, já utiliza veículos movidos a biometano.

Desde 2024, a operação realizou mais de 13 mil viagens e evitou o consumo de aproximadamente 5 milhões de litros de diesel.

O resultado demonstra que a discussão sobre logística no agronegócio brasileiro não envolve apenas novas rodovias, ferrovias ou portos.

A matriz energética dos transportes também começa a ganhar importância estratégica.

O que isso tem a ver com Mato Grosso?

Muito.

O Norte de Mato Grosso concentra algumas das regiões agrícolas mais dinâmicas do país e vem ampliando sua participação na produção de milho, bioenergia e etanol.

Municípios como Sinop, Sorriso, Lucas do Rio Verde e Nova Mutum já convivem com investimentos em etanol de milho, cogeração de energia e novas soluções para agregar valor à produção agrícola.

Ao mesmo tempo, a região depende fortemente do transporte rodoviário para levar grãos, combustíveis e insumos até centros consumidores e corredores de exportação.

Nesse contexto, iniciativas ligadas ao biometano e aos combustíveis renováveis passam a ser observadas não apenas como questão ambiental, mas também como ferramenta de competitividade.

Uma nova etapa da economia do agro

A trajetória da Copersucar indica uma tendência que vai além do setor sucroenergético.

Empresas ligadas ao agronegócio estão ampliando investimentos em energia renovável, combustíveis alternativos e soluções logísticas capazes de reduzir custos operacionais e emissões.

A estratégia busca atender exigências crescentes dos mercados internacionais e fortalecer a posição do Brasil como fornecedor global de alimentos, energia e produtos de base renovável.

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O que esta pauta revela sobre o desenvolvimento do Nortão?

Revela que o futuro da competitividade agrícola não será definido apenas pela capacidade de produzir mais.
A próxima disputa envolve infraestrutura, energia, inovação e logística.

Enquanto Mato Grosso amplia sua produção de grãos, proteína animal e biocombustíveis, cresce também a necessidade de sistemas de transporte mais eficientes, fontes energéticas renováveis e soluções capazes de reduzir custos em uma cadeia que movimenta bilhões de reais todos os anos.

O lucro da Copersucar mostra que parte desse futuro já começou a ser construída.

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