Colíder, MT – 5 de junho de 2026 23:09
Foto em close do prefeito de Cuiabá, Abílio Brunini, em entrevista a inúmeros órgãos de imprensa. Ao fundo folhagens de palmeira anã, verdes.

A proposta que prevê o fim da escala 6×1 e a adoção gradual da jornada 5×2 continua provocando forte debate em Mato Grosso. Após aprovação na Câmara dos Deputados, com votos favoráveis de toda a bancada federal mato-grossense, o texto segue em análise no Senado Federal. Enquanto trabalhadores defendem mais qualidade de vida, setores empresariais alertam para possíveis impactos no custo de produtos, geração de empregos formais e funcionamento de serviços essenciais. O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), afirmou que a mudança pode provocar aumento de preços e crescimento da informalidade no país.

Por Redação TransMeridional Web | 04 de junho de 2026 – 07h04

Foto: IA/Secom-MT

O debate sobre a redução da jornada de trabalho ganhou força nacional nos últimos meses.

A proposta prevê limite de 40 horas semanais, dois dias de descanso remunerado e implantação gradual da escala 5×2.

O texto ainda depende de votação no Senado e possível regulamentação futura.

Saiba mais acessando o site da Secom, MT. AQUI

Prefeito de Cuiabá vê risco de aumento nos preços

O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini, afirmou que o mercado deverá se adaptar à nova realidade trabalhista, mas prevê reflexos diretos no custo de vida.

Segundo ele, empresas precisarão contratar mais funcionários para manter operações funcionando diariamente.

A avaliação é que parte desse custo poderá ser repassada ao consumidor final.

“Se contratar mais profissionais, vai ter que repassar esse valor para o arroz, feijão, coca-cola…”, afirmou Abilio Brunini.

O prefeito também citou a possibilidade de redução salarial em alguns setores como forma de compensar custos operacionais.

Informalidade entra no centro da discussão

Outro ponto levantado por Abilio foi o possível crescimento da informalidade no mercado de trabalho.

Na avaliação dele, trabalhadores poderão buscar renda extra em atividades paralelas para complementar ganhos mensais.

O tema acende preocupação principalmente em setores que já enfrentam dificuldades para contratação formal.

“O trabalhador pode acabar buscando outras atividades para complementar renda”, declarou o prefeito ao comentar os possíveis efeitos da mudança.

Especialistas em relações trabalhistas apontam que o impacto poderá variar conforme o segmento econômico e o porte das empresas.

CDL critica votação e cobra prazo maior

O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Cuiabá, Júnior Macagnam, classificou a aprovação da proposta na Câmara como precipitada.

Segundo ele, empresários enfrentam dificuldade crescente para contratação de mão de obra especializada em Mato Grosso.

Macagnam defende que eventual implantação da nova jornada ocorra de forma gradual, com período de adaptação entre quatro e oito anos.

“Hoje já existe dificuldade para encontrar profissionais em diversas áreas. A transição precisa ser mais ampla”, afirmou o dirigente da CDL.

O setor comercial teme impactos principalmente em segmentos que funcionam diariamente.

Comércio, bares e serviços podem sentir impacto

Empresários avaliam que áreas como supermercados, postos de combustíveis, bares, restaurantes e shopping centers podem enfrentar maiores desafios.

Isso porque muitos estabelecimentos operam em escalas contínuas, incluindo domingos e feriados.

Mesmo com possibilidade de acordos coletivos e banco de horas, representantes do setor produtivo afirmam que haverá necessidade de reorganização operacional.

A proposta mantém autorização para trabalho aos domingos em setores essenciais.

O que muda na prática

Atualmente, a Constituição permite jornada de até 44 horas semanais.

Com a PEC, o limite passaria gradualmente para 40 horas, mantendo salário e garantindo dois descansos semanais remunerados.

O texto também preserva acordos coletivos para categorias específicas e mantém regras sobre compensação de jornada.

Outro ponto previsto é a criação da figura do chamado “superempregado”, profissional com alta remuneração e autonomia contratual diferenciada.

Debate deve continuar no Senado

A proposta ainda passará por novas discussões políticas e econômicas antes de eventual aprovação definitiva.

Enquanto sindicatos destacam ganhos sociais e qualidade de vida, empresários defendem cautela na implantação.

Em Mato Grosso, o debate ganhou forte repercussão devido ao peso do comércio, serviços e agronegócio na economia estadual.

A expectativa é de que novas audiências públicas e negociações ocorram nos próximos meses.

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