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Colheitadeira colhendo campo de milho e ao lado nova plantação ainda verde.

Queda no ranking internacional reforça preocupações com infraestrutura, crédito e segurança para investimentos em uma das regiões mais produtivas do país

Embora o Brasil esteja projetando uma das maiores safras agrícolas de sua história, os sinais vindos da economia apontam para um desafio que preocupa empresários, produtores e investidores: a perda de competitividade do país no cenário internacional.

Da Redação | 22 de Junho de 2026, 05h14 | Foto: Acervo Digital

O Brasil caiu sete posições no Ranking Mundial de Competitividade elaborado pelo IMD em parceria com a Fundação Dom Cabral e passou a ocupar a 65ª colocação entre 70 economias avaliadas. O resultado coloca o país entre os últimos colocados do levantamento e evidencia problemas estruturais que há décadas afetam a capacidade nacional de atrair investimentos e gerar crescimento sustentável.

Para o Norte de Mato Grosso, região fortemente dependente do agronegócio e da logística de exportação, o impacto pode ser ainda mais significativo.

O problema não está dentro da porteira

O produtor mato-grossense é reconhecido mundialmente pela eficiência produtiva. A tecnologia empregada nas lavouras, os ganhos de produtividade e a capacidade de expansão da produção colocam o estado entre os maiores polos agrícolas do planeta.

Entretanto, a competitividade de uma economia não depende apenas do desempenho das fazendas.

Estradas precárias, gargalos ferroviários, burocracia excessiva, insegurança regulatória e custo elevado do capital acabam reduzindo a eficiência conquistada no campo.

Na prática, especialistas resumem o problema de forma simples: o produtor consegue produzir com eficiência, mas perde competitividade quando precisa financiar, armazenar e transportar sua produção.

O custo Brasil continua pesando sobre o Nortão

A queda do país no ranking ocorre justamente em um momento em que Mato Grosso enfrenta desafios importantes relacionados ao aumento dos custos de produção.

Projeções para a safra 2026/27 indicam alta nos custos da soja, enquanto o crédito rural segue mais caro e restritivo.

Ao mesmo tempo, o Brasil aparece entre os piores colocados em indicadores ligados ao custo do capital, ambiente regulatório e eficiência governamental.

Esses fatores afetam diretamente municípios como Sinop, Sorriso, Lucas do Rio Verde, Alta Floresta, Matupá e Guarantã do Norte, onde grande parte da economia depende de investimentos constantes em máquinas, armazenagem, transporte e agroindústrias.

Investidores observam previsibilidade antes de investir

Um dos pontos mais sensíveis destacados pelo ranking é a percepção de instabilidade institucional.

Grandes investidores internacionais costumam priorizar ambientes com regras previsíveis e segurança jurídica de longo prazo.

Quando essa confiança diminui, projetos de infraestrutura, logística e processamento industrial tendem a perder prioridade ou encontrar financiamento mais caro.

Para Mato Grosso, essa questão é estratégica.

O estado possui uma das maiores carteiras de investimentos logísticos do país, incluindo ferrovias, terminais, armazéns e projetos de industrialização ligados ao agronegócio.

A redução da confiança internacional pode elevar o custo desses empreendimentos justamente quando a demanda por infraestrutura cresce em ritmo acelerado.

O gargalo da armazenagem continua aberto

A perda de competitividade também aparece na capacidade de armazenar a produção.

Mesmo liderando a produção nacional de grãos, Mato Grosso ainda convive com um déficit expressivo de armazenagem.

O problema obriga muitos produtores a vender parte da safra em momentos desfavoráveis ou a depender de estruturas terceirizadas, reduzindo margens e aumentando custos operacionais.

Para uma economia baseada na exportação de commodities, armazenagem não é apenas uma questão operacional. É um fator decisivo de competitividade.

Recuperações judiciais acendem sinal de alerta

Outro indicador que chama atenção é o aumento das recuperações judiciais registradas no país.

A combinação entre juros elevados, crédito mais restrito e aumento dos custos operacionais tem pressionado empresas de diversos setores, incluindo cadeias ligadas ao agronegócio.

Em regiões onde a economia gira em torno da produção agrícola, dificuldades financeiras em transportadoras, revendas, cooperativas e agroindústrias acabam repercutindo em toda a cadeia econômica.

Mato Grosso tenta construir seu próprio ambiente competitivo

Apesar das dificuldades nacionais, Mato Grosso vem adotando uma estratégia própria para reduzir gargalos históricos.

Os investimentos estaduais em infraestrutura, a expansão da malha logística e o avanço de projetos ferroviários representam uma tentativa de criar condições mais favoráveis para a atração de investimentos.

A Ferrovia Estadual, por exemplo, é vista por especialistas como uma das iniciativas mais relevantes para reduzir o chamado “imposto da distância” que penaliza produtores localizados longe dos portos.

Projetos como a Ferrovia de Integração Centro-Oeste (FICO), a consolidação dos corredores ferroviários e a ampliação da capacidade de armazenagem poderão determinar o nível de competitividade da região nas próximas décadas.

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O que a queda do Brasil revela sobre o desenvolvimento do Nortão?

O ranking internacional mostra que a discussão sobre competitividade vai muito além dos indicadores econômicos nacionais.

Para o Norte de Mato Grosso, a questão envolve a capacidade de transformar produção recorde em desenvolvimento sustentável, renda e geração de empregos.

A região continua produzindo mais, exportando mais e atraindo novos empreendimentos.

Mas o futuro dessa expansão dependerá cada vez mais da capacidade de superar gargalos logísticos, reduzir custos estruturais e criar um ambiente capaz de atrair o capital necessário para financiar a próxima etapa de crescimento.

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