
Da redação | Ozieu Alves | Colíder, MT – 25 de Abril de 2026 | Foto: Reprodução da Internet
Gargalo na rede: Expansão da energia solar em Mato Grosso acende alerta para risco de instabilidade elétrica
ONS – Com mais de 2,8 GW de potência instalada, estado enfrenta restrições técnicas; ONS alerta que rede atual não suporta volume de injeção simultânea nos horários de pico.
O sucesso da energia fotovoltaica em Mato Grosso, líder nacional em geração distribuída, encontrou um obstáculo crítico: a infraestrutura da rede elétrica. O crescimento acelerado de painéis em residências, empresas e propriedades rurais está pressionando os limites técnicos do sistema, gerando o que especialistas chamam de “sobrecarga reversa”. O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) já sinaliza restrições para novas conexões no estado, medida que também atinge os estados vizinhos de Rondônia e Acre.
O desafio do “Pico de Geração”
O problema central reside na arquitetura das redes locais, que não foram projetadas para receber grandes fluxos de energia vindos dos consumidores para a distribuidora. No auge do meio-dia, quando a incidência solar é máxima, o volume de energia injetado simultaneamente por milhares de pequenos geradores ultrapassa a capacidade de absorção dos transformadores e linhas de transmissão.
Essa saturação eleva o risco de oscilações de voltagem e, em casos extremos, pode provocar desligamentos preventivos para evitar danos permanentes aos equipamentos da rede, resultando em apagões localizados.
Restrições e Fiscalização da Aneel
Diante da iminência de colapso em determinados circuitos, novos pedidos de instalação ou ampliação de sistemas solares estão sendo indeferidos por falta de capacidade técnica. Paralelamente, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) intensificou a fiscalização para coibir sistemas que operam acima da potência outorgada, prática que agrava as sobrecargas.
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Futuro e Investimentos
Mato Grosso já soma 2,8 gigawatts (GW) de potência e a projeção é que ultrapasse 3,5 GW até 2030 — um volume que pode superar a própria demanda máxima do estado em momentos específicos do dia.
Para equilibrar o sistema, especialistas defendem:
- Modernização da Rede: Investimentos pesados em subestações e linhas de distribuição.
- Armazenamento (Baterias): Soluções para estocar o excedente gerado de dia para uso noturno.
- Novas Regras Tarifárias: Ajustes na legislação para incentivar o consumo no horário de maior geração.
Embora a energia solar seja vital para a sustentabilidade da matriz brasileira, o cenário atual exige uma transição coordenada entre o avanço tecnológico e o reforço da infraestrutura para garantir a segurança energética do Centro-Oeste.
TransMeridional | TOCANDO VOCÊ – A rádio que informa Mato Grosso. Colíder, MT | Sábado, 25 de Abril de 2026 – 05:58.
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