Colíder, MT – 13 de maio de 2026 13:55

Com recursos do Banco Mundial e contrapartida do Governo de Mato Grosso, iniciativa coordenada pela Seaf busca regularizar terras, incentivar práticas sustentáveis e conectar pequenos produtores aos mercados — beneficiando indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais até 2030.

Por Redação TransMeridional Web | 8 de maio de 2026 | Atualizado às 05h40 (horário de Mato Grosso) Foto: Gemini/Secom MT

De cidade em cidade, uma expedição estadual está mudando a realidade de pequenos produtores rurais em Mato Grosso. O programa MT Produtivo – Desenvolvimento e Sustentabilidade leva informações sobre crédito, regularização fundiária e assistência técnica diretamente ao interior do estado.

Em Nova Xavantina, o produtor de melancia Ítalo Leão resume o sentimento de muitos: vê na iniciativa “um empurrão para produzir”. Para ele, o projeto pode inaugurar uma nova fase para cooperativas e associações da agricultura familiar.

Oportunidade real para quem produz

“É um excelente incentivo para os produtores organizados em associações e cooperativas. Se tiver coragem de colocar a mão na terra, tem uma chance aí”, afirma Leão, destacando a importância do apoio institucional para quem vive do campo.

Até esta sexta-feira (8), a mobilização já percorreu 13 municípios-polo, alcançando 24 cidades mato-grossenses. A meta é concluir, nos próximos 15 dias, o roteiro em 23 municípios-polo, totalizando 61 localidades com potencial para desenvolver planos de negócios sustentáveis.

Investimento histórico com foco em sustentabilidade

Coordenada pela Secretaria de Estado de Agricultura Familiar (Seaf), a iniciativa prevê investimentos de US$ 80 milhões financiados junto ao Banco Mundial, somados a US$ 20 milhões de contrapartida estadual. As ações estão previstas para seguir até 2030.

Segundo Luciano Ferreira, coordenador de Inclusão Produtiva Inteligente para o Clima, o programa deve movimentar cerca de R$ 600 milhões em investimentos até o final da década. Os recursos serão destinados a cooperativas e associações que atenderem aos critérios dos editais.

Organizações produtivas emergentes poderão acessar até R$ 1 milhão em financiamento. Já cooperativas e associações estruturadas terão acesso a valores de até R$ 3 milhões.

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Regularização e acesso a mercados: as maiores demandas

O MT Produtivo tem como foco principal ampliar o acesso de agricultores familiares, povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais aos serviços de regularização ambiental e fundiária. Além disso, incentiva práticas produtivas sustentáveis e a inclusão nos mercados consumidores.

Rogério Monteiro, coordenador de Assistência Técnica do projeto, identifica na comercialização um dos maiores gargalos enfrentados pelos produtores. “O produtor faz seu papel, mas muitas vezes não consegue vender. Então o projeto quer incluir esses produtores nos mercados, fazer essa conexão”, explica.

Associativismo como caminho para permanência no campo

As reuniões realizadas nas regiões noroeste, baixada cuiabana, sul do estado e Vale do Araguaia têm reforçado a importância do associativismo. A estratégia visa garantir renda e estimular a sucessão geracional no meio rural.

“Por que os jovens estão saindo da zona rural? Porque não estão tendo renda. Então essa política pública quer que ele entre no processo produtivo e comece a ter sua renda”, destaca Monteiro.

Participação feminina e de comunidades tradicionais surpreende

Um dado animador observado durante a expedição é a forte presença das mulheres nas reuniões. “A participação das mulheres é de mais de 50% do público, o que nos deixa muito animados. Elas têm apresentado sugestões importantes para melhorar o acesso ao edital”, comemora Luciano Ferreira.

A mobilização também registrou adesão significativa de comunidades quilombolas, especialmente em cidades como Nossa Senhora do Livramento e Poconé. Os participantes têm levantado questionamentos sobre documentação necessária, CAF, investimentos e elaboração de planos de negócios.

Parceria institucional fortalece execução

O projeto conta com cooperação técnica da Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer), responsável pela mobilização de lideranças comunitárias. Também integram a iniciativa a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), o Instituto de Terras de Mato Grosso (Intermat) e a Corregedoria-Geral da Justiça do Estado (CGE).

As equipes orientam os participantes sobre gestão de recursos, capacitação de lideranças e práticas sustentáveis voltadas à resiliência climática e produção de baixo carbono.

Histórico de investimentos na agricultura familiar

Segundo a Seaf, entre 2019 e 2025 o Governo de Mato Grosso destinou mais de R$ 817 milhões para fortalecer a agricultura familiar nos 142 municípios do estado. Os recursos incluíram entrega de máquinas, distribuição de insumos, incentivo à tecnologia genética para a cadeia leiteira e criação do Fundo de Apoio à Agricultura Familiar (Fundaaf) – Inclusão Rural.


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Nota de esclarecimento: Esta reportagem foi produzida com base em informações oficiais da Secretaria de Estado de Agricultura Familiar (Seaf) e da Empaer. O TransMeridional Web reafirma seu compromisso com a informação de interesse público e a transparência na cobertura regional.

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