
Foto: QwenIA 3.6 (Internet)
Dados do Imea apontam crescimento de 16,9% na produção estadual impulsionado pela mistura obrigatória B15; relatório também traz projeções revisadas para algodão, milho e análise do mercado pecuário
Por Redação TransMeridional Web | Ozieu Alves | Colíder, MT
6 de maio de 2026 | Atualizado às 19h45
Mato Grosso consolidou, mais uma vez, sua posição de destaque no cenário nacional de biocombustíveis. De acordo com boletim divulgado pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), o estado produziu 228,36 mil metros cúbicos de biodiesel em março, volume que representa 26% de toda a produção brasileira no período.
O resultado marca o maior patamar já registrado na série histórica estadual e aponta crescimento expressivo de 16,9% em relação a fevereiro.
No contexto nacional, as usinas brasileiras processaram 893,60 mil m³ do combustível renovável no mesmo mês. A expansão da demanda pelo biodiesel — impulsionada pela vigência da mistura obrigatória de 15% no diesel fóssil (B15), em vigor desde agosto de 2025 — tem sido o principal motor desse crescimento.
B15 e adaptação industrial sustentam expansão
A elevação do percentual de biodiesel na composição do diesel, determinada pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), alterou a dinâmica de consumo e exigiu ajustes na cadeia produtiva. Segundo Rodrigo Silva, coordenador de Inteligência de Mercado Agro do Imea, o setor respondeu com agilidade à nova realidade.
“A elevação da mistura obrigatória, aliada ao aquecimento do mercado interno, tem sustentado o crescimento da produção no estado”, analisou Silva. “As indústrias mato-grossenses estão se adaptando para atender à demanda crescente, o que reflete diretamente nos volumes processados.”
A medida B15, que entrou em vigor em 1º de agosto de 2025, representa um avanço significativo na política energética brasileira e tem estimulado investimentos em capacidade produtiva, especialmente em estados com forte base agrícola como Mato Grosso.
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Matéria-prima: soja mantém hegemonia
O óleo de soja segue como principal insumo para a produção de biodiesel em Mato Grosso, respondendo por 84% do total utilizado nas usinas estaduais. Embora tenha registrado leve recuo de 0,34 ponto percentual em relação a fevereiro, a predominância da oleaginosa reflete a integração entre o complexo agroindustrial e o setor de biocombustíveis.
Essa conexão entre agricultura e energia reforça a importância estratégica da soja para a economia mato-grossense, que lidera a produção nacional do grão e possui infraestrutura consolidada para processamento e escoamento.
Projeções agrícolas: ajustes de safra em algodão e milho
Além do biodiesel, o boletim do Imea trouxe atualizações relevantes para outras cadeias produtivas essenciais ao agronegócio estadual.
Algodão: Para a safra 2025/2026, a área plantada foi projetada em 1,38 milhão de hectares, com leve redução frente à estimativa anterior. Contudo, a produtividade foi revisada para cima, atingindo 297,69 arrobas por hectare. Com isso, a produção total de algodão em caroço deve alcançar 6,14 milhões de toneladas.
Milho: A área destinada à cultura foi mantida em 7,39 milhões de hectares. Já a produtividade apresentou melhoria, sendo estimada em 118,78 sacas por hectare. O resultado projeta uma produção de 52,66 milhões de toneladas, beneficiada pelas condições climáticas favoráveis registradas em parte do estado nas últimas semanas.
Mercado pecuário: oscilações entre boi e suínos
O relatório também analisou o comportamento dos preços no segmento pecuário, apontando movimentos distintos entre as cadeias de bovinos e suínos.
Boi gordo: Em abril, o preço da arroba em Mato Grosso atingiu média de R$ 350,11, registrando alta em relação aos meses anteriores. A valorização foi impulsionada pela oferta restrita de animais prontos para abate. Esse cenário contribuiu para reduzir o diferencial de base em relação ao mercado paulista, onde a média foi de R$ 367,57.
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Suínos: Em sentido oposto, o segmento de suínos apresentou retração. O valor pago ao produtor mato-grossense caiu para R$ 5,96 por quilo, pressionado pela menor demanda no mercado interno, que elevou a oferta de animais vivos e de carne no atacado.
Perspectivas e desafios para o setor
O crescimento da produção de biodiesel em Mato Grosso reforça o potencial do estado para liderar a transição energética no agronegócio brasileiro. Contudo, especialistas apontam que a sustentabilidade desse avanço dependerá de fatores como estabilidade regulatória, acesso a financiamento e investimentos em logística.
Para o coordenador do Imea, o momento exige planejamento estratégico. “O setor precisa continuar se adaptando às mudanças no consumo de combustíveis e às políticas públicas. A capacidade de resposta das indústrias mato-grossenses tem sido um diferencial competitivo”, avaliou Rodrigo Silva.
Enquanto isso, produtores e indústrias acompanham de perto as projeções para as próximas safras e as possíveis alterações na matriz energética nacional, cientes de que a integração entre agro e energia será cada vez mais determinante para a competitividade do estado.
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Glossário rápido:
• B15: Mistura obrigatória de 15% de biodiesel ao diesel fóssil, em vigor desde agosto de 2025.
• Imea: Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária, entidade que produz dados e análises do agronegócio estadual.
• Arroba: Unidade de medida equivalente a 15 kg, utilizada na comercialização de gado.
• Algodão em caroço: Produto bruto da cotonicultura, antes do beneficiamento para obtenção da fibra.Esta reportagem foi produzida com base em dados oficiais do Imea e informações de fontes especializadas, com o objetivo de prestar esclarecimento de interesse público ao setor produtivo e à sociedade.