Colíder, MT – 14 de maio de 2026 06:16

Você conhece a gabiroba gigante? Fruta rara da Mata Atlântica ficou famosa ao vencer concurso de sorvete

Você conhece a gabiroba gigante? Fruta rara da Mata Atlântica ficou famosa ao vencer concurso de sorvete

Gabiroba gigante: conheça fruta rara da Mata Atlântica que só existe no ES
Uma fruta diferente e rara, que só existe na Mata Atlântica e pode ser encontrada em alguns lugares da Região Serrana do Espírito Santo, fez sucesso internacional em uma versão de sorvete. É a gabiroba gigante, que possui sabor cítrico e depende de alguns fatores essenciais para frutificar.
A fruta não é tão comum porque, para aparecer, precisa da polinização de abelhas sem ferrão endêmicas do estado capixaba. Segundo especialistas, o fruto é considerado em extinção e diminuiu sua frequência por causa das mudanças climáticas.
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Adenilson Panzini é empresário no setor de rochas, conheceu a fruta há 30 anos, e plantou um pé em sua propriedade na cidade de Vargem Alta, Região Serrana do estado.
Atualmente, a árvore, que já é um pé adulto, gera mais de 100 kg da fruta. Com todo esse material, o empresário de 56 anos guarda grande parte da fruta no freezer e realiza doações para escolas e chefs que fazem pratos com a gabiroba.
A fruta é versátil e rende várias opções na gastronomia, de geleias a bolos e até cachaça. Com tantas possibilidade, a gabiroba e outros frutos nativos da Mata Atlântica no estado renderam um projeto voluntário realizado pelo empresário e o chef Ricardo Silva.
Gabiroba gigante precisa de temperaturas mais amenas e ambiente úmido para conseguir crescer
Reprodução/TV Gazeta
O Experiência Cores e Sabores da Mata Atlântica apresenta os frutos em eventos. E foi a partir desse projeto que a mestre sorveteira Gabriela Maretto conheceu a gabiroba, se apaixonou pela fruta e fez um sorvete que foi o preferido do público em uma competição de gelatos.
Saiba algumas curiosidades sobre a fruta:
🍋 A fruta é cítrica e lembra o limão, mas com sabor mais marcante e mais ácido;
⛑️ Segundo nutricionistas, a gabiroba é rica em vitamina C, fibras, potássio e cálcio;
🚽 Ajuda na saúde intestinal;
⚖️ Um fruto pode pesar até 400 gramas;
🗓️ Colheita entre julho a agosto;
🍨 Vira de sorvetes a ceviche;
☁️ Prefere temperaturas mais amenas;
🌳 Possui o nome “gigante” por ser a maior das outras espécies de gabiroba.
Conhecendo a gabiroba
A gabiroba, ou guabiroba gigante, faz parte de uma das principais famílias de plantas comestíveis da Mata Atlântica.
De acordo com a Nara Furtado, pesquisadora do Instituto Nacional da Mata Atlântica (INMA), só existem registros dessa espécie em Cachoeiro de Itapemirim, no Sul do estado e em Vargem Alta.
“Trata-se de uma espécie rara, pouco coletada. Começa frutificar com três anos de vida. o que para uma árvore é muito rápido. O tronco tem casca rugosa e se descama, assim como outras espécies da família (jabuticaba, pitanga, araça). Pode ser descrita como um arbusto ou uma árvore, variando 3 a 10 metros de comprimento”, explicou.
A gabiroba dá o maior dos frutos das espécies das Campomanesia, podendo a chegar a 12 cm de diâmetro, enquanto as espécies próximas podem atingir no máximo 8 cm de diâmetro. “Por isso, o nome super-gabiroba ou gabiroba gigante”, completou a pesquisadora.
Árvore da gabiroba gigante em Vargem Alta, Espírito Santo
Reprodução/TV Gazeta
Desde quando Adenilson conheceu a fruta, o empresário ficou curioso por ela ser tão diferente e resolveu entender um pouco mais sobre.
“Conheci em 1998 nas andanças dessas matas, fui andando com pessoas mais experientes. Ela não é praticamente cultivada em lugar nenhum, ninguém sabe aproveitar ela. Eu trouxe ela pra casa, plantei, fiz a muda. Conheço algumas pessoas que tinham a gabiroba no quintal, não sabiam do potencial e até cortavam a planta, acham a fruta muito ácida”, disse.
Ao resolver cultivar a gabiroba, Adenilson também montou um pequeno apiário com diversas espécies de abelhas, insetos que são essenciais para a gabiroba dar frutos.
“Nesses anos todos, fui aprendendo a cultivar, dando muito amor e carinho, e com isso o meu pé dá fruta quase o ano inteiro. São três coisas essenciais: altitude, umidade e os insetos. As abelhas sem ferrão que fazem a fecundação dela. Conheço algumas gabirobas na mata, no habitat dela, que não produzem, porque não tem mais tanta abelha, a umidade não é mais a mesma”.
Segundo o produtor, se levar a gabiroba para uma região mais costeira, por exemplo, ela pode não produzir mais por causa dessas condições necessárias. “Hoje, ela está praticamente extinta, é muito difícil de encontrar, o homem mudou o ecossistema”, destacou.
Na época da colheita entre os meses de junho a agosto, o empresário retirar os frutos e os congela. A principal destinação é geração de mudas, doação para escolas e também para a culinária. Toda a colheita do empresário é distribuída de forma gratuita.
Adenilson disse que pela raridade da gabiroba, um quilo chega a valer R$ 100. Quando madura, os frutos são grandes e podem chegar até 400 g.
Mesa com várias opções de pratos feitos com gabiroba gigante: bombom, suco, ceviche, caponata, mousse, bolo, brigadeiro, geleia e cachaça
Viviane Lopes/g1
Com a ajuda da esposa e do chef Ricado, o trio faz diversos pratos como bombons, mousse, caponatta, ceviche, bolos, sucos e cachaça e apresentam as opções feitas não só com a gabiroba, mas outros frutos nativos.
“Eu não conhecia a fruta, fiquei sabendo a partir da minha amizade com o Adenilson, e aí nós começamos a elaborar receitas e pratos falando da Mata Atlântica há dois anos. É importante mostrar o poder que tem a Mata Atlântica. Com a gabiroba, dá pra fazer várias coisas. Ela tem um sabor fantástico e você consegue utilizar em várias coisas na cozinha”, disse o chef Ricado.
“A variedade de frutas, essências e sabores da Mata Atlântica é imenso, mesmo hoje não tendo sobrado muito de floresta. E muita gente não conhece ainda. Eu quero divulgar isso, valorizar o homem do campo. Para ele saber que, se cultivar essa espécie, vai ter uma renda. Através das abelhas você preserva um bioma inteiro. É um valor inexplicável”, completou Adenilson.
Sabores da Mata
Gabriela Maretto é capixaba e faz sorvete há mais de três anos. A relação da capixaba com a produção de gelatos começou desde pequena, ao fazer sorvetes na lavanderia da casa da mãe. Sonho que foi deixado de lado com o passar dos anos, mas que voltou para a vida da mulher após o diagnóstico precoce da doença de Parkinson.
Ela conheceu o projeto das frutas da Mata Atlântica e topou o desafio do chef Ricardo em escolher uma fruta diferente para fazer um novo sabor de sorvete.
“Ele me apresentou a gabiroba e explicou a proposta de utilizar frutas não convencionais e outras plantas na comida. Eu fiquei encantada com ela. De início, foi bem difícil entender como aproveitar o sabor, porque ele é bem ácido, tem uma consistência diferente. Fiz baseado na minha receita de limão, de sorbet a base de água, e deu certo”, comentou.
Gabiroba gigante e sorvete feito com gabiroba gigante no Espírito Santo
TV Gazeta e Adenilson Panzini
Depois de aprender a trabalhar com a gabiroba, Gabriela resolveu apostar no sabor único da fruta para participar de um concurso nacional de sorvetes, o Gelato Festival World Masters, que aconteceu em julho em São Paulo.
“Eu já sabia que o sorvete de gabiroba tinha feito sucesso na loja, então resolvi mexer um pouco na receita, acrescentei o mel de uruçu, geleia de frutas vermelhas e um praliné de castanhas da Mata Atlântica e aí surgiu o Sabores da Mata, que eu sirvo em uma taça”, pontuou.
Durante a competição, pessoas do Brasil e do mundo inteiro passaram pelo estande da capixaba no evento, e Gabriela disse que se divertiu ao ver a reação das pessoas ao experimentarem um sorvete tão diferente.
O Sabores da Mata ganhou a Menção Honrosa do Júri Popular, um reconhecimento especial concedido ao sorvete que recebe a maior votação do público presente no evento. Ao contrário dos prêmios principais, que são em grande parte determinados por um júri técnico de especialistas, este prêmio destaca a popularidade e o apelo do sabor entre os consumidores.
“Cerca de 20 mil pessoas passaram por lá e todos podiam provar os 15 sabores do Brasil inteiro e o sabor encantou o pessoal. Teve uma senhora que até chorou quando experimentou, eu fiquei tão emocionada, disse que o sorvete tinha sabor de infância e todo mundo queria conhecer a gabiroba”, destacou.
Sorvete de gabiroba gigante feito por mestre sorveteira do Espírito Santo
Reprodução/TV Gazeta
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Vinhos soterrados por enchentes no RS viram edição especial; agricultores celebram retomada após tragédia

Vinhos soterrados por enchentes no RS viram edição especial; agricultores celebram retomada após tragédia

Agricultores testam novas variedades de uva no RS
Após enfrentarem a maior catástrofe ambiental da história do Rio Grande do Sul em 2024, os viticultores da Serra Gaúcha vivem um momento de alívio e celebração.
A safra deste ano é descrita como “emblemática”, com uma produção que atingiu 905 mil toneladas — somando uvas de mesa e para a indústria —, um volume considerado acima da média, segundo dados da Emater-RS.
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A retomada, no entanto, não é apenas fruto do clima favorável, mas de uma combinação de uma alta no investimento em tecnologia e persistência por parte dos agricultores.
Vinhos soterrados
Edição especial dos vinhos da família Argenta, de Barão (RS), que ficaram soterradas durante as enchentes no Rio Grande do Sul.
Reprodução/Globo Rural
Até chegarem ao atual momento de celebração, os agricultores do Rio Grande do Sul passaram por perdas sucessivas.
O produtor Arnaldo Argenta, de Barão (RS), por exemplo, relata que sua propriedade sofreu com transbordamentos e enchentes por três anos consecutivos, entre 2023 e 2025.
Em maio de 2024, a família perdeu toda a produção que estava em processo de fermentação e teve máquinas cobertas pela lama. O prejuízo acumulado em três anos chegou a R$ 1,5 milhão.
Para seguir adiante, a família transformou a tragédia em um símbolo de resistência: das garrafas soterradas, 180 foram limpas e vendidas como a “Edição Inundação”, acompanhadas de um poema sobre a força da terra e da água.
“A gente vai levar cinco anos para voltar ao estágio em que estávamos, mas a gente tem muita resiliência e vai conseguir”, afirma Arnaldo. (veja detalhes no vídeo acima)
Poema escrito na embalagem da edição Inundação dos vinhos produzidos pela família Argenta, de Barão (RS).
Reprodução/Globo Rural
Tecnologia contra as mudanças climáticas
Para reduzir os riscos impostos pelas variações extremas do tempo, a aposta tem sido o sistema de cultivo coberto.
A técnica protege os frutos da chuva e reduz em até 90% a ocorrência de doenças fúngicas, permitindo uma irrigação direta no solo. Contudo, o custo de implantação é elevado, chegando a R$ 450 mil por hectare.
Além da proteção física, a pesquisa com novas variedades é fundamental. Em Santa Teresa, a família de João Paulo Berra mantém uma área experimental com 50 variedades de uvas europeias, como a Palava, originária da República Checa.
Essa uva é precoce, o que ajuda a escalonar a colheita e o processamento industrial, evitando a pressa excessiva nos períodos de pico.
Tradição que atravessa gerações
A viticultura na Serra Gaúcha é um legado que remonta à chegada dos imigrantes italianos em 1875. Atualmente, cerca de 15 mil famílias cultivam uva no estado, sendo que 90% da produção está concentrada na região serrana.
Para muitos, como para João Paulo Berra, a continuidade do trabalho é uma questão de “sangue nas veias”. Mesmo trabalhando na cidade, ele retorna às origens todos os anos durante a colheita para manter viva a tradição da quinta geração da família.
“A viticultura não é só uma fonte de renda, é um legado. Passa de pai para filho”, resume João Paulo.
De onde vem o vinho

Preço da carne bovina no atacado dispara 45% em dois anos e bate recorde, diz USP

Preço da carne bovina no atacado dispara 45% em dois anos e bate recorde, diz USP

Carne bovina
Foto de David Foodphototasty na Unsplash
O preço da carne bovina negociada no atacado da Grande São Paulo bateu recorde neste mês, após um aumento de 45% em dois anos.
A informação é do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq-USP), de Piracicaba (SP).
Segundo o órgão, neste mês, o preço médio da carcaça casada do boi — formada por traseiro, dianteiro e ponta de agulha — é R$ 25,05.
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Esse é o maior valor desde quando o Cepea iniciou o levantamento, em 2001. O preço supera em 11% o registrado no mesmo mês de 2025 e em 45% o de abril de 2024.
O pesquisador e coordenador de pecuária do Cepea, Thiago Bernardino de Carvalho, elencou dois fatores que contribuem para o aumento do valor:
menor oferta de animal pronto para o abate;
aumento de exportações.
Motivos
Segundo ele, o começo do ano — de janeiro a meados de abril — costuma ser um período em que os bovinos são mantidos no pasto, em razão das condições climáticas.
“Há uma oferta mais restrita de animal pronto para o abate. Tradicionalmente, no começo do ano, a gente tem volume de chuva, sol, em que eu tenho uma condição de pasto mais favorável”, diz.
Thiago também apontou que a demanda exterior tem aumentado, com recorde de exportações no ano passado. Segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), o Brasil exportou 3,5 mil toneladas de carne bovina em 2025. Em 2024, foram 2,9 mil.
“Neste ano, a gente começa também a bater recorde, em janeiro, fevereiro e março e abril, sinalizando também um cenário de exportação forte.”
O pesquisador também destacou o impacto da demanda interna, impulsionada pela preferência do brasileiro pela carne bovina.
“Apesar do cenário de inadimplência do brasileiro, da preocupação em termos de gastos do orçamento familiar, o brasileiro gosta de comer carne bovina e, pelo menos até abril, vem mantendo um consumo relativamente positivo”, afirmou.
Cesta básica
Esses aumentos, no entanto, trazem um impacto para os consumidores. Segundo o Índice de Cesta Básica de Piracicaba (ICB-Esalq), de março de 2026, o preço da carne de primeira aumentou R$ 10 por quilo desde o início do ano. Passou de R$ 44,24 em janeiro para R$ 54,84 no mês passado.
“As carnes bovinas de primeira e de segunda são dois produtos que têm um peso grande no nosso cálculo da cesta básica. São dois produtos importantes”, diz Carlos Eduardo de Freitas Vian, professor do Departamento de Economia, Administração e Sociologia da Esalq.
Ele apontou que o valor deve subir ainda mais nas próximas semanas. Segundo o professor, neste momento de maior alta, a tendência é as pessoas trocarem a carne bovina por outra proteína, como frango, peixe e embutidos.
“É um peso grande, mas é um peso que pode ser substituído”, afirma Carlos, que também é delegado do Conselho Regional de Economia de São Paulo em Piracicaba.
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