Colíder, MT – 21 de maio de 2026 07:21

China renova e depois suspende licenças para centenas de exportadores de carne bovina dos EUA

China renova e depois suspende licenças para centenas de exportadores de carne bovina dos EUA

Trump ao lado de Xi Jinping na China, em 13 de maio de 2026
BRENDAN SMIALOWSKI/AFP
A alfândega chinesa parece ter interrompido as liberações de exportação para centenas de fábricas de carne bovina dos EUA nesta quinta-feira (14), horas depois que a Reuters informou que as tão esperadas licenças haviam sido aprovadas em meio a uma cúpula entre os presidentes dos EUA e da China em Pequim.
➡️ Mais de 400 fábricas de carne bovina dos EUA perderam a elegibilidade para exportação em 2025, depois que as permissões da China, concedidas entre março de 2020 e abril de 2021, expiraram sem a renovação usual, representando cerca de 65% das instalações antes registradas.
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A renovação das licenças seria uma clara vitória para os produtores de carne bovina dos EUA, depois que a Casa Branca disse nas últimas semanas que a questão seria levantada na cúpula.
O status do registro, que havia sido listado como “efetivo” no início da quinta-feira, mais tarde foi revertido para “expirado”, segundo o site da alfândega.
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A Administração Geral de Alfândega da China não estava disponível por telefone e não respondeu imediatamente às perguntas enviadas por fax pela Reuters sobre o motivo da mudança.
Alguns diretores de empresas chinesas de carne bovina contatados pela Reuters se recusaram a comentar ou a serem identificados, citando a sensibilidade do assunto.
“Uma coisa é certa: esse assunto é uma carta que a China está jogando nas negociações comerciais bilaterais — é muito eficaz para enviar sinais, enquanto o risco real permanece completamente gerenciável. É por isso que estamos observando mudanças tão drásticas”, disse Xu Hongzhi, analista sênior da PEQUIM Orient Agribusiness Consultants, acrescentando que não tinha certeza do que provocou a mudança.
Durante uma reunião bilateral nesta quinta-feira com o presidente dos EUA, Donald Trump, o presidente chinês, Xi Jinping, pediu que os dois lados ampliem a cooperação em áreas como comércio e agricultura, informou a emissora estatal CCTV.
O presidente-executivo da Cargill, Brian Sikes, está entre os CEOs dos EUA que acompanham Trump. As plantas de propriedade da Cargill e da Tyson Foods foram incluídas quando as renovações apareceram pela primeira vez no site da alfândega.
Vítima da guerra comercial entre Pequim e Washington, as exportações de carne bovina dos EUA para a China caíram constantemente para cerca de US$ 500 milhões no ano passado, em comparação com o pico de US$1,7 bilhão em 2022.

PF e Ministério da Agricultura apreendem 48 toneladas de açúcar com suspeita de adulteração

PF e Ministério da Agricultura apreendem 48 toneladas de açúcar com suspeita de adulteração

PF e Ministério da Agricultura apreendem 48 t de açúcar com suspeita de adulteração
Divulgação/Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e da Polícia Federal (PF)
O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e a Polícia Federal (PF) apreenderam aproximadamente 48 toneladas de açúcar VHP com suspeita de adulteração no corredor de exportação do Porto de Paranaguá (PR), informou o ministério nesta quinta-feira (14).
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“Durante teste preliminar realizado no momento da coleta das amostras, a fiscalização identificou a presença de materiais insolúveis, aparentemente areia, em quantidade superior ao limite permitido pela legislação…”, afirmou, em nota.
Isso indica “possível adulteração da carga e desconformidade com os padrões de qualidade exigidos para o produto”. A empresa responsável pela carga, que não teve o nome divulgado, foi autuada.
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Auditores fiscais federais agropecuários realizaram coleta de amostras para confirmação analítica da suspeita e adoção das medidas administrativas.
A operação integra uma articulação permanente entre a Polícia Federal, autoridades portuárias e o ministério no combate a fraudes em cargas de exportação.
Operações de fiscalização são fundamentais para garantir a integridade das cargas exportadas e preservar a confiança dos mercados internacionais nos produtos agropecuários do Brasil, maior produtor e exportador global de açúcar, disse o ministério.

Explosão e queda: quatro trabalhadores morrem em apenas duas semanas durante colheita no ES

Explosão e queda: quatro trabalhadores morrem em apenas duas semanas durante colheita no ES

Bombeiros fazem alerta para evitar acidentes de trabalho no campo
Com o início do período de colheita no Espírito Santo, os registros de acidentes nas lavouras, especialmente de café, começam a aumentar. Só neste mês, em apenas duas semanas, foram registradas quatro mortes no estado em áreas de produção. Os acidentes envolveram explosão, incêndio e queda.
Três delas são decorrentes de um incêndio em um alojamento de uma fazenda de café em Vila Valério, na Região Noroeste. A quarta vítima morreu ao cair de uma escada enquanto abastecia um secador de pimenta, em Jaguaré, no Norte capixaba.
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Os trabalhadores Gildeson Gama Leite, 30 anos, Ilmar Gama de Souza, 31 anos, e Aldino Alves Almeida, 28 anos, eram da Bahia e tiveram até 90% dos corpos queimados após uma explosão causar um incêndio no quarto em que estavam, na madrugada do dia 4 de maio. Outro homem também ficou ferido.
A administradora da fazenda, Fernanda Kefler, contou que há a suspeita de que o fogo tenha começado após um curto-circuito em uma tomada onde celulares estavam carregando.
O quarto onde o fogo começou ficou completamente destruído: os colchões foram destruídos e as telhas do telhado caíram. Eles estavam internados, intubados, no Hospital Jayme dos Santos Neves, na Serra, Grande Vitória.
Já o produtor José Albino, de 56 anos, estava abastecendo um secador de pimenta quando caiu da escada e bateu a cabeça. Ele ficou internado por seis dias, mas não resistiu e morreu no último dia 5.
Gildeson Gama, Ilmar Gama de Souza, Aldino Alves Almeida e José Albino morreram em lavouras de café e pimenta
Reprodução/TV Gazeta
Cuidados na colheita
Diante de casos como esses, a necessidade de adotar cuidados e reforçar o uso de equipamentos de segurança no campo são ainda mais importantes.
Segundo o tenente do Corpo de Bombeiros Leonardo Cazzotto, em São Mateus são registradas até duas ocorrências toda semana relacionadas aos trabalhos na lavoura, envolvendo diversos equipamentos.
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“A gente tem riscos envolvendo a colheita propriamente dita, como lesões, corte, risco de atropelamento. Eles (trabalhadores) também lidam com caminhões, com tratores, e aí existem pontos cegos em torno desses veículos”.
Casos de corpos estranhos, como galhos e grãos, atingindo os olhos dos trabalhadores também são comuns neste período, assim como a respiração da poeira do café que contém material orgânico.
Para se proteger destes agentes externos, conforme o tenente, é essencial utilizar Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), como luvas, óculos de proteção, máscaras, aventais e botinas, e aumentar a percepção de risco, observando com atenção a movimentação de veículos e o solo, que pode ter materiais que causam ferimentos nos pés.
As luvas protegem contra contaminações químicas, por exemplo. Já o avental protege contra vazamentos e respingos. Botinas dão estabilidade no terreno e protegem até de picadas de alguns animais no chão.
Produtor rural utilizando EPIs no Espírito Santo
Reprodução/TV Gazeta
Orientações aos contratantes
Os cuidados também devem ser adotados pelos proprietários das fazendas que contratam os trabalhadores.
Atualmente, o Pacto do Café institui políticas contra o trabalho análogo à escravidão e ao trabalho infantil no setor cafeeiro, mas outras situações precárias também devem ser evitadas pelos empregadores.
Segundo o superintendente do Ministério do Trabalho no Espírito Santo, Alcimar Candeias, “todas as questões relacionadas à segurança, à saúde no trabalho e à garantia dos direitos sociais previdenciários são responsabilidade de quem contrata”.
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ACRINORTE estreia na Acricorte 2026 e consolida força do agro do Norte em Mato Grosso.

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Arroba do boi em MT sob pressão: veto da UE e insegurança global afetam preços no campo

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Com cotação em R$ 357,50/@ e projeção de ajuste para a faixa de R$ 345,00, produtores recebem orientação para proteger margens em cenário de cautela. A análise considera o veto europeu e possíveis barreiras asiáticas, com impacto direto na renda do pecuarista mato-grossense. Por Redação TransMeridional Web 14 de maio de 2026 | Atualizado às […]

Brasil Mobiliza Diplomacia e Setor Técnico para Reverter Veto da União Europeia

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Com prazo fatal até 3 de setembro para adequar sistemas de controle sanitário, Brasília articula uma ofensiva técnica e diplomática para evitar a suspensão que ameaça US$ 1,8 bilhão em vendas externas. Segundo Luis Rua, secretário de Comércio e Relações Internacionais do MAPA e veterano em negociações agroexportadoras, o objetivo é blindar contratos e manter […]

Cotações do Agronegócio Hoje (14/05/2026): Soja em Alta e Boi Gordo Estável

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Cotação do Agro Hoje: Soja sobe em Chicago e preço do Boi Gordo estabiliza em Mato Grosso Com o mercado internacional atento ao plantio nos EUA, a soja registra alta de 0,79%, enquanto a pecuária mato-grossense mantém sustentação nas exportações sob análise de especialistas do setor. Por Redação TransMeridional Web 14 de maio de 2026 […]

Brasil vai enviar informações para UE para resolver veto à carne, diz Ministério

Brasil vai enviar informações para UE para resolver veto à carne, diz Ministério

Miriam Leitão: reação a veto da UE contra carne brasileira está sendo imediata
O secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Luis Rua disse nesta quarta-feira (13) que a União Europeia vai detalhar quais são as exigências de importação de carne que, na visão do bloco, ainda não são cumpridas pelo Brasil.
Segundo o secretário, isso ficou acertado em uma reunião em Bruxelas, onde fica a sede da União Europeia. Nesse encontro, o embaixador do Brasil junto ao bloco, Pedro Miguel da Costa e Silva, se reuniu com representantes do órgão sanitário europeu.
➡️ Contexto: a UE atualizou na terça-feira (12) a lista de países que cumprem suas regras contra o uso excessivo de antimicrobianos na pecuária e excluiu o Brasil. A lista define quais países podem continuar exportando carne para o bloco a partir de 3 de setembro.
“Em duas semanas, o Brasil já deve responder com as medidas que estão sendo tomadas e dando garantias de que as novas regras serão cumpridas antes do prazo”, disse Rua.
De acordo com Rua, ficou decidido ainda que a União Europeia vai tratar cada produto (como carne bovina, frangos, ovos e mel) separadamente, o que deve acelerar o processo de resolução, avaliou.
O secretário disse ainda que, no encontro com representantes da UE, o Brasil mostrou descontentamento com a decisão. “O Brasil colocou que bons parceiros devem ser tratados como bons parceiros. E isso envolve comunicação, não ser pego de surpresa. Esse é um recado importante”, destacou.
Governo quer reverter a decisão da UE de vetar compra de carne brasileira
O que aconteceu
Segundo a UE, o Brasil foi excluído por não fornecer garantias sobre a não utilização de antimicrobianos na pecuária. Outros países do Mercosul, como Argentina, Paraguai e Uruguai, seguem autorizados.
Na lista de 2024, o Brasil aparecia como autorizado a exportar carne bovina, de frango e de cavalo, além de tripas, peixe e mel.
➡️ Antimicrobianos são substâncias usadas para tratar e prevenir infecções em animais. Alguns desses medicamentos também podem funcionar como promotores de crescimento.
Segundo a porta-voz da Comissão Europeia para a Saúde, Eva Hrncirova, para voltar à lista, “o Brasil deve garantir o cumprimento dos requisitos da União relativos à utilização de antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais dos quais provêm os produtos exportados”.
“Assim que a conformidade for demonstrada, a UE poderá autorizar ou retomar as exportações”, afirmou, acrescentando que o bloco vem colaborando com as autoridades brasileiras sobre o tema.
Por outro lado, o governo brasileiro disse que recebeu com “surpresa” a notícia.
Proibição de antimicrobianos
A União Europeia proíbe os antimicrobianos que são utilizados também para crescimento dos animais, explica Leonardo Munhoz, doutor em direito agroambiental e advogado no VBSO.
São eles:
virginiamicina;
avoparcina;
cacitracina;
tilosina;
espiramicina;
avilamicina.
Em abril, o Ministério da Agricultura publicou uma portaria que proíbe a importação, fabricação, comercialização e uso de alguns antimicrobianos usados como melhoradores de desempenho, incluindo avoparcina e virginiamicina.
Para voltar à lista da UE, o Brasil tem dois caminhos: restringir legalmente o uso dos demais medicamentos mencionados ou garantir que a carne exportada não contenha essas substâncias.
A segunda opção não é fácil de aplicar, pois depende da rastreabilidade do produto, é mais demorada e custosa, aponta Munhoz.
Assim que for comprovado que a pecuária brasileira não usa esses antimicrobianos, o país poderá voltar a exportar, mesmo que isso ocorra após setembro.
Segundo o pesquisador, já se sabia que a União Europeia planejava essas restrições desde 2019.
“Gera preocupação relevante para o agro porque a União Europeia é um mercado estratégico para proteínas animais e porque essas exigências podem impactar rastreabilidade, certificação sanitária e compliance exportador”, afirma o pesquisador.
A União Europeia é o terceiro maior destino da carne bovina brasileira em valor exportado, depois de China e Estados Unidos, segundo dados do Agrostat, sistema do Ministério da Agricultura. Para carnes em geral, o bloco é o segundo maior mercado, atrás da China.
O que disse o setor
A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) disse que o Brasil segue “plenamente habilitado a exportar carne bovina ao mercado europeu” e que “o eventual impedimento às exportações somente ocorrerá caso as garantias e adequações requeridas pelas autoridades europeias não sejam apresentadas até a data estabelecida”.
“O setor privado tem trabalhado em parceria com o Ministério da Agricultura na elaboração de protocolos voltados ao atendimento das novas exigências europeias […]. Há, inclusive, previsão de missão europeia ao Brasil no segundo semestre para avanço e conclusão desse processo técnico.”
“A carne bovina brasileira atende aos requisitos sanitários e regulatórios dos principais mercados internacionais, com rígidos controles oficiais, sistemas de rastreabilidade e protocolos reconhecidos globalmente. Atualmente, o Brasil exporta para mais de 170 países, sustentado por um dos sistemas de inspeção e defesa agropecuária mais robustos do mundo”, destacou a entidade.
Já a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) disse que, com o apoio do governo, “prestará todos os esclarecimentos necessários à União Europeia”
“É importante enfatizar: o Brasil cumpre integralmente todos os requisitos da União Europeia, inclusive no que tange aos regulamentos sobre antimicrobianos. É o que o Brasil demonstrará às autoridades sanitárias europeias.”
“O setor brasileiro reforça que o país possui estruturas sanitárias e de controle produtivo robustas, com rígidos protocolos de rastreabilidade, monitoramento veterinário e uso responsável de medicamentos, em linha com referências internacionais de saúde animal e segurança dos alimentos”, destacou a ABPA.
O presidente da Associação Brasileira dos Exportadores de Mel (Abemel), Renato Azevedo, afirmou ao g1 que a notícia “pegou de surpresa” o setor. “Entendo que isso é algo político, visto que há uma grande pressão dos europeus para barrar produtos brasileiros depois do acordo do Mercosul”, afirmou.
“Para o mel, é totalmente descabido falar em risco de uso excessivo de antibióticos, considerando que o Brasil é o principal produtor de mel orgânico do mundo”, destacou Azevedo.
A Associação Brasileira das Indústrias de Pescados (Abepesca), por sua vez, diz que não exporta para UE desde 2016.
A Confederação da Agricultura e Pecuária (CNA) disse que a medida é preocupante, principalmente “considerando que o Acordo de Livre Comércio entre Mercosul e União Europeia entrou em vigor no início deste mês”.
A entidade irá buscar participar dos diálogos com autoridades europeias para reverter a medida.
A Frente Parlamentar da Agropecuária disse que, considerando o acordo comercial entre os dois blocos, “vê com preocupação qualquer tentativa de transformar exigências regulatórias em barreiras políticas ou comerciais contra a competitividade da produção brasileira”.
A bancada afirmou que acompanhará o tema junto ao setor e às autoridades competentes.
Acordo Mercosul e União Europeia
A publicação da lista ocorre 12 dias após a assinatura de um acordo de livre comércio com os países do Mercosul, criticado por agricultores e ambientalistas europeus, especialmente na França.
A medida desta terça-feira não tem relação com o acordo, afirma Munhoz. A lista é uma regulamentação sanitária, ou seja, uma exigência que qualquer país pode adotar para garantir a segurança dos alimentos consumidos pela população.
O acordo entrou em vigor em 1º de maio, em caráter provisório, e aguarda uma decisão judicial na Europa sobre sua legalidade.
“Nossos agricultores seguem alguns dos padrões de saúde e antimicrobianos mais rigorosos do mundo. Portanto, é legítimo que os produtos importados estejam sujeitos aos mesmos requisitos. A decisão tomada hoje demonstra que o sistema europeu de controle funciona”, afirmou o comissário europeu para a Agricultura, Christophe Hansen.
Carne bovina
Tiago Ghizoni/ NSC /Arquivo

O embate sobre a carne brasileira na UE: protecionismo ou questão de saúde pública?

O embate sobre a carne brasileira na UE: protecionismo ou questão de saúde pública?

União Europeia veta importações de carne e produtos de origem animal do Brasil
A decisão tomada ontem (12 de maio) pela Comissão Europeia, que exclui o Brasil da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal a partir de 3 de setembro de 2026, abala os alicerces da diplomacia comercial.
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Embora Bruxelas justifique a medida sob o guarda-chuva da saúde pública e do combate à resistência antimicrobiana (RAM), o cenário político sugere uma manobra desenhada para acalmar o convulso setor agrário europeu após a assinatura do acordo com o Mercosul.
A União Europeia sustenta que o Brasil descumpre as regras que exigem produtos totalmente livres de agentes antimicrobianos usados para engorda.
A resistência aos antibióticos é, sem dúvida, uma ameaça global legítima que a UE busca mitigar garantindo o uso prudente em animais. No entanto, surge uma vulnerabilidade na proporcionalidade da sanção: enquanto o Brasil é vetado, seus sócios de Mercosur — Argentina, Paraguai e Uruguai — permanecem na lista de países autorizados.
É necessário entender que a UE não questiona apenas a presença de substâncias, mas a robustez do sistema de rastreabilidade brasileiro. O Brasil defende que possui um sistema sanitário internacionalmente reconhecido, com 40 anos de história exportadora para o bloco.
Todavia, a disparidade no tratamento frente aos vizinhos sugere que a medida é uma barreira técnica aplicada ao ator com maior volume de mercado, buscando um impacto macroeconômico que os outros sócios não representam.
Governo recebe com ‘surpresa’ veto a carnes brasileiras pela UE e tentará reverter decisão
Bruxelas satisfaz as demandas do lobby agrário da UE
Para compreender este veto, é imprescindível olhar para o interior das fronteiras europeias. Nos últimos anos, agricultores protestaram contra a concorrência de potências agropecuárias com menores custos de produção.
Ao vetar a carne brasileira sob uma premissa sanitária, Bruxelas consegue satisfazer as demandas do lobby agrário sem invalidar formalmente os tratados de livre comércio. O momento da proibição é chave: chega apenas 12 dias após a entrada em vigor do acordo comercial Mercosul-UE,negociado durante um quarto de século.
Uma ‘bofetada política’ em Lula
Para o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, isso é percebido como uma “bofetada” política, dado que o mandatário investiu um capital político notável para fechar o pacto.
A sensação em Brasília é que a UE utilizou o acordo para garantir benefícios industriais, para imediatamente depois fechar a porta à proteína animal brasileira.
Se o veto entrar em vigor, as perdas serão massivas. Em 2025, o Brasil exportou para a UE mais de 370.000 toneladas de carne bovina, com valor de 1,8 bilhão de dólares.
Mas o impacto não é unidirecional. Ao eliminar o maior exportador mundial de proteína animal,a oferta na Europa cairá inevitavelmente, o que pressionará os preços para o consumidor final.
Este é um ponto crítico: a Comissão Europeia está sacrificando o poder de compra de seus cidadãos urbanos para proteger a base eleitoral do campo.
O Brasil não aceitou a decisão passivamente. O governo anunciou que apresentará seus argumentos técnicos imediatamente para reverter a medida. Além das reuniões diplomáticas, o caso tem um percurso legal claro. A legalidade do acordo Mercosul-UE e seus protocolos está sujeita à interpretação do Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE).
Se o Brasil provar que seu sistema é equivalente ao europeu, a medida poderá ser catalogada como uma barreira comercial arbitrária perante a Organização Mundial do Comércio (OMC).
Moeda de troca para comprar a paz social no campo europeu
O conflito transcende o sanitário. Embora a rastreabilidade seja um desafio técnico real, a severidade do veto e sua coincidência com o calendário político sugerem que a carne brasileira tornou-se moeda de troca para comprar a paz social no campo europeu.
Brasília deve agora transformar retórica em provas técnicas, enquanto a UE deverá justificar por que padrões (ou “cláusulas espelho”) aplicados ao Brasil não parecem ser tão urgentes para outros fornecedores globais.
Armando Alvares Garcia Júnior não presta consultoria, trabalha, possui ações ou recebe financiamento de qualquer empresa ou organização que poderia se beneficiar com a publicação deste artigo e não revelou nenhum vínculo relevante além de seu cargo acadêmico.