Colíder, MT – 21 de maio de 2026 08:53

Guerra no Irã derruba em mais de 30% exportações brasileiras ao Golfo Pérsico

Guerra no Irã derruba em mais de 30% exportações brasileiras ao Golfo Pérsico

Veja os vídeos que estão em alta no g1
As exportações brasileiras para países do Golfo Pérsico caíram em março, em meio aos efeitos da guerra no Irã e às dificuldades de navegação no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas do comércio mundial.
Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), compilados na plataforma ComexStat, mostram que as vendas brasileiras para a região somaram US$ 537,1 milhões no mês. O valor representa uma queda de 31,47% em relação a março do ano passado.
🌊 O Golfo Pérsico reúne mercados importantes para o Brasil, como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Omã e Bahrein. A maior parte do comércio com esses países é formada por produtos do agronegócio, que representam cerca de 75% das exportações brasileiras para a região.
Isso porque a interrupção parcial do transporte marítimo afetou principalmente alimentos que dependem de embarques regulares em grande escala.
O milho praticamente deixou de ser enviado no mês, enquanto as exportações de açúcar e melaços sofreram forte retração. Outros grãos também sentiram o impacto: no caso do trigo e do centeio, não houve embarques relevantes ao Golfo Pérsico em março (veja os detalhes na tabela abaixo).

A principal explicação para a queda está na logística. Com o aumento do risco na região, companhias de navegação passaram a cobrar taxas adicionais e a adotar rotas mais longas, muitas vezes contornando o continente africano para evitar a passagem por Ormuz.
O desvio amplia o tempo de viagem e encarece o transporte.
Para analistas do mercado financeiro, episódios como o conflito no Irã mostram como fatores políticos passaram a influenciar diretamente o comércio de commodities.
“A geopolítica voltou a ditar regras no fluxo global de mercadorias”, afirma Pedro Ros, CEO da Referência Capital.
Segundo ele, tensões internacionais podem alterar rotas logísticas, pressionar custos de seguro e aumentar a volatilidade de preços, exigindo maior planejamento das empresas exportadoras.
Carnes e commodities mantêm demanda
Mesmo com a queda das exportações brasileiras ao Golfo Pérsico em março, alguns produtos mantiveram demanda e ajudaram a sustentar o fluxo comercial com a região. As carnes seguem como um dos principais pilares da pauta brasileira nesses mercados.
O frango permanece como o principal item exportado pelo Brasil ao Golfo, liderando as vendas externas tanto em 2025 quanto no início deste ano.
LEIA TAMBÉM: Conflito no Oriente Médio derruba exportações de carne bovina e de frango para a região
A carne bovina também mostrou resiliência no período, com avanço no valor exportado — movimento associado sobretudo à alta dos preços internacionais, e não necessariamente ao aumento do volume embarcado.

A relação comercial entre Brasil e Golfo, no entanto, não se limita às exportações brasileiras.
O país também depende de produtos vindos da região — especialmente fertilizantes nitrogenados, insumos essenciais para a produção agrícola. Omã, Qatar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos estão entre os principais fornecedores desses produtos para o mercado brasileiro.
Diante das incertezas sobre a duração do conflito e das dificuldades no transporte marítimo, empresas brasileiras passaram a antecipar compras para garantir estoques.
Não por acaso, em março, as importações de fertilizantes nitrogenados vindos desses países cresceram mais de 265%, segundo dados do MDIC.
Produção de soja e milho em Macapá – Exportação para a Guiana Francesa
Arthur Alves/PMM

Fertilizantes devem seguir caros e travar compras no 2º trimestre, aponta StoneX.

Fertilizantes devem seguir caros e travar compras no 2º trimestre, aponta StoneX.

Da redação | Ozieu Alves | Colíder, MT – 23 de Abril de 2026 | Foto: Reprodução da Internet (Gemini) Fertilizantes devem seguir caros e travar compras no 2º trimestre, aponta StoneX. Brasília – O segundo trimestre de 2026, tradicionalmente visto como uma oportunidade para compra de fertilizantes, deve ser mais desafiador neste ano. A […]

Pesquisadores brasileiros desenvolvem biodetergente capaz de prolongar a vida útil de frutas e legumes

Pesquisadores brasileiros desenvolvem biodetergente capaz de prolongar a vida útil de frutas e legumes

Mais tempo de prateleira
Pesquisares da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em parceria com a Embrapa, desenvolveram um biodetergente capaz de prolongar a vida útil de frutas e legumes.
Que laranja aguentaria uma injeção de fungos – direto na casca? Depois de dez dias, olha como é que fica…. A não ser que a fruta receba este líquido contendo uma década de muita pesquisa científica.
“Eu vou fazer um revestimento em todo o fruto”, diz Otiniel Freitas, pesquisador da Embrapa.
É um biodetergente, sem agrotóxico, capaz de impedir a ação dos fungos. De cada 12 laranjas testadas 11 ficaram intactas, em media.
“Ele faz uma, como se fosse uma desarrumação na estrutura do fungo. Então ele não consegue se proliferar. A gente aumenta o tempo de prateleira desses produtos”, afirma Denise Maria Guimarães Freire, Professora titular do Instituto de Química (UFRJ).
Agora, tão interessante quanto o efeito da formula é o caminho que os cientistas percorreram pra chegar até ela. Tudo começou com uma gota de petróleo, em um estudo encomendado pela Petrobras em 2009.
“Com os avanços da tecnologia, a gente observou que existia um leque de possibilidades para a utilização do mesmo produto, produzido da mesma forma”, conta Douglas Braga, engenheiro ambiental (LaBiM).
A parceria com a Embrapa começou em 2014 quando o laboratório de química da UFRJ venceu um edital para pesquisar conservação de alimentos.
“A gente viu nessa, nesse edital uma oportunidade da gente colaborar para desenvolver um produto biopesticida que não existe no mercado para aplicação em pós-colheita de frutas”, relata Otiniel Freitas, pesquisador da Embrapa.
O trabalho foi publicado recentemente em uma importante revista científica internacional. O laboratório vai testar agora aplicações em proporções maiores.
“Um teste num número maior de frutas, aplicado não com pincel, mas aplicado em uma esteira, que é o que é o mecanismo industrial de aplicação, para a gente conseguir provar que o que funciona em laboratório também funciona em uma escala industrial”, comenta Elisa Cavalcante, professora do Instituto de Química (UFRJ).
O grande trunfo dessa pesquisa é o impacto que ela pode ter em grande escala, na cadeia mundial de produção de alimentos, que todos os anos tem centenas de bilhões de dólares de prejuízos com alimentos que estragam depois de serem colhidos. Os pesquisadores agora estão tentando descobrir se o biodetergente funciona em outras frutas como morango, mamão, goiaba e em grãos como feijão e soja.
“Então você imagina o quanto não se economiza você tendo uma fruta que sai do pé e chega ao consumidor e fica lá na prateleira do consumidor por muito mais tempo. Eu estimo, com o investimento do governo ou de empresas, que esse produto chegue ao mercado em 5 anos”, completa Denise Maria Guimarães Freire, Professora titular do Instituto de Química (UFRJ).
Pesquisadores brasileiros desenvolvem biodetergente capaz de prolongar a vida útil de frutas e legumes
Reprodução/TV Globo

Calor extremo ameaça produção de alimentos no mundo, alertam agências da ONU

Calor extremo ameaça produção de alimentos no mundo, alertam agências da ONU

Cultivo de cenoura é novidade e está sendo testado em Boa Vista
Andro Barros/Rede Amazônica
O calor extremo está levando os sistemas agroalimentares globais ao limite, ameaçando os meios de subsistência e a saúde de mais de 1 bilhão de pessoas, de acordo com um novo relatório das agências de alimentação e de meteorologia da Organização das Nações Unidas (ONU).
A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) e a Organização Meteorológica Mundial (OMM) afirmaram que as ondas de calor estão se tornando mais frequentes, intensas e prolongadas, prejudicando as colheitas, a pecuária, a pesca e as florestas.
🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1
“O calor extremo está reescrevendo o roteiro sobre o que os agricultores, pescadores e silvicultores podem cultivar e quando podem cultivar. Em alguns casos, está até mesmo determinando se eles ainda podem trabalhar”, disse Kaveh Zahedi, chefe do escritório de mudanças climáticas da FAO.
Conjuntos de dados climáticos recentes mostram que o aquecimento global está se acelerando, com 2025 entre os três anos mais quentes já registrados, provocando extremos climáticos mais frequentes e severos.
Veja os vídeos que estão em alta no g1
Atuando como um multiplicador de riscos, o calor extremo intensifica as secas, os incêndios florestais e os surtos de pragas e reduz drasticamente a produtividade das colheitas quando os limites críticos de temperatura são ultrapassados.
O relatório afirma que as temperaturas mais altas estão diminuindo a margem de segurança da qual as plantas, os animais e os seres humanos dependem para funcionar, com queda na produtividade da maioria das principais culturas quando as temperaturas ultrapassam cerca de 30 graus Celsius.
Zahedi citou o Marrocos, onde seis anos de seca foram seguidos por ondas de calor recordes. “Isso levou a uma queda na produção de cereais em mais de 40%. Isso dizimou a colheita de azeitonas e frutas cítricas. Basicamente, essas colheitas fracassaram”, disse ele.
As ondas de calor marinhas também estão se tornando mais frequentes, reduzindo os níveis de oxigênio na água e ameaçando os estoques de peixes. Em 2024, 91% dos oceanos do mundo sofreram pelo menos uma onda de calor marinha, segundo o relatório.
Os riscos aumentam acentuadamente à medida que o aquecimento se acelera. Espera-se que a intensidade dos eventos extremos de calor dobre aproximadamente a 2 graus Celsius de aquecimento e quadruplique a 3 graus, em comparação com 1,5 grau, segundo o relatório.
Zahedi disse que cada aumento de um grau na temperatura média global reduz a produção das quatro principais culturas do mundo – milho, arroz, soja e trigo – em cerca de 6%.
A FAO e a OMM disseram que as respostas fragmentadas são inadequadas e pediram uma melhor governança dos riscos e sistemas meteorológicos de alerta antecipado para ajudar os agricultores e pescadores a tomar medidas preventivas.
“Se você conseguir colocar os dados nas mãos dos agricultores, eles poderão ajustar quando plantam, o que plantam e quando colhem”, disse Zahedi.
Mas o relatório afirma que a adaptação por si só não é suficiente, argumentando que a única solução duradoura para a crescente ameaça do calor extremo é uma ação ambiciosa e coordenada para conter a mudança climática.

Nem todo mel é igual: cor e sabor do produto mudam conforme a flor; entenda

Nem todo mel é igual: cor e sabor do produto mudam conforme a flor; entenda

Mel de cores e sabores diferentes: veja o que influencia a produção
O mel é um produto que pode chegar à mesa com diferentes sabores, cores e densidades. A variação se dá devido à diferença entre as plantas de onde é colhido o néctar usado pelas abelhas.
No Espírito Santo, é possível encontrar desde méis escuros e densos até os mais claros e líquidos. As plantas que dão origem aos produtos são a aroeira, o pé de café, pé de laranja, flores variadas – que resultam no “mel silvestre” – e a capuchinha.
📲 Clique aqui para seguir o canal do g1 ES no WhatsApp
Apesar de o consumidor brasileiro estar mais acostumado com o mel claro, que não cristaliza e é pouco denso, mais líquido, o apicultor de Domingos Martins, na Região Serrana do estado, Arno Wieringa, defende a riqueza das variedades.
“A gente, hoje em dia, tenta desmistificar e desafiar o consumidor a conhecer esses paladares diferentes.”
E ele explica: “a diferença começa na flor e continua no trabalho de quem acompanha cada etapa”. Segundo o apicultor, geralmente o mel mais escuro contém mais sais minerais, é mais encorpado e de sabor marcante.
Méis tem diferentes sabores e cores a depender da planta polinizada pelas abelhas no Espírito Santo
Reprodução/TV Gazeta
🍯 Mel de capuchinha: mel suave, claro e pouco denso.
🌸 Mel silvestre: mel suave, claro e de florada variada.
🌱 Mel de café: mel com acidez, mais denso e de coloração média.
🍊 Mel de laranja: mel com acidez, denso e escuro.
🐝 Mel de aroeira: mel potente, escuro e denso.
Para além da produção de méis com sabores e cores diferentes, o trabalho das abelhas desempenha um papel fundamental para a sobrevivência da flora.
“O papel mais importante da abelha é a fecundação das flores, a polinização. Se a gente não tem esses insetos, grande parte dessa produção (de flores e frutos), a gente não teria mais”, explicou Wieringa.
No Espírito Santo, é possível encontrar desde méis escuros e densos até os mais claros e líquidos
Reprodução/TV Gazeta
Vídeos: tudo sobre o Espírito Santo
Veja o plantão de últimas notícias do g1 Espírito Santo