Sistema Famato traça estratégias para fortalecer a cadeia leiteira em Mato Grosso

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📰 Recuperações Judiciais no Agro disparam quase 60% e ligam alerta em Mato Grosso

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Mistura maior de etanol na gasolina deve elevar demanda pelo combustível em 1 bilhão de litros, diz Unica


A recente escalada nas tensões geopolíticas e seus efeitos sobre o mercado internacional de petróleo já impactam os preços dos combustíveis no Brasil.
A recente escalada nas tensões geopolíticas e seus efeitos sobre o mercado internacional de petróleo já impactam os preços dos combustíveis no Brasil. Levantamento do Núcleo de Economia do Sincomercio Araraquara aponta que, embora o país não enfrente risco de desabastecimento, a alta global do petróleo e fatores internos seguem pressionando gasolina, etanol e diesel, com reflexos diretos no custo de vida. O Núcleo de Economia do Sincomercio Araraquara segue monitorando os dados divulgados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) a fim de avaliar o comportamento do preço dos combustíveis no município e no Brasil.
O aumento planejado pelo Brasil na mistura obrigatória de etanol na gasolina, de 30% para 32%, deve elevar a demanda anual de etanol anidro em cerca de 1 bilhão de litros, informou a União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica) nesta segunda-feira (27).
Na última sexta-feira (24), o governo brasileiro informou que o Conselho Nacional de Política Energética discutirá a proposta em sua próxima reunião, no início de maio. A decisão ocorre em um momento em que o país enfrenta custos mais altos dos combustíveis fósseis, em meio à guerra no Irã.
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O Brasil já havia ampliado a mistura de etanol de 27% para 30% em agosto do ano passado. A mudança para a chamada mistura E32 representaria um aumento de 2,4 bilhões de litros na demanda anual em comparação com o E27, de acordo com a Unica.
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“A ampliação da mistura é um caminho que o Brasil já conhece e sabe operar. O etanol permite avançar na segurança energética a partir de uma solução disponível, produzida no país e em larga escala, com ganhos relevantes também do ponto de vista ambiental, ao reduzir as emissões ao longo do ciclo de vida dos combustíveis”, disse o presidente da Unica, Evandro Gussi, em nota.
O aumento do uso de etanol reduziria a dependência das importações de gasolina e melhoraria a previsibilidade do fornecimento de combustível, segundo a Unica.
A expectativa é que uma mistura mais elevada de etanol aumente a destinação da cana-de-açúcar para a produção do biocombustível e impulsione uma expansão já forte do etanol à base de milho.
O setor já possui capacidade instalada suficiente para atender à demanda adicional, considerando tanto o etanol de cana quanto o de milho, além das novas usinas em construção, segundo a Unica.
“Somente a expansão esperada do etanol de milho seria suficiente para absorver esse aumento”, acrescentou a entidade.
Pecuária: Estacionalidade de outono eleva oferta e pressiona cotações do boi gordo

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Vinhos soterrados por enchentes no RS viram edição especial; agricultores celebram retomada após tragédia


Agricultores testam novas variedades de uva no RS
Após enfrentarem a maior catástrofe ambiental da história do Rio Grande do Sul em 2024, os viticultores da Serra Gaúcha vivem um momento de alívio e celebração.
A safra deste ano é descrita como “emblemática”, com uma produção que atingiu 905 mil toneladas — somando uvas de mesa e para a indústria —, um volume considerado acima da média, segundo dados da Emater-RS.
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A retomada, no entanto, não é apenas fruto do clima favorável, mas de uma combinação de uma alta no investimento em tecnologia e persistência por parte dos agricultores.
Vinhos soterrados
Edição especial dos vinhos da família Argenta, de Barão (RS), que ficaram soterradas durante as enchentes no Rio Grande do Sul.
Reprodução/Globo Rural
Até chegarem ao atual momento de celebração, os agricultores do Rio Grande do Sul passaram por perdas sucessivas.
O produtor Arnaldo Argenta, de Barão (RS), por exemplo, relata que sua propriedade sofreu com transbordamentos e enchentes por três anos consecutivos, entre 2023 e 2025.
Em maio de 2024, a família perdeu toda a produção que estava em processo de fermentação e teve máquinas cobertas pela lama. O prejuízo acumulado em três anos chegou a R$ 1,5 milhão.
Para seguir adiante, a família transformou a tragédia em um símbolo de resistência: das garrafas soterradas, 180 foram limpas e vendidas como a “Edição Inundação”, acompanhadas de um poema sobre a força da terra e da água.
“A gente vai levar cinco anos para voltar ao estágio em que estávamos, mas a gente tem muita resiliência e vai conseguir”, afirma Arnaldo. (veja detalhes no vídeo acima)
Poema escrito na embalagem da edição Inundação dos vinhos produzidos pela família Argenta, de Barão (RS).
Reprodução/Globo Rural
Tecnologia contra as mudanças climáticas
Para reduzir os riscos impostos pelas variações extremas do tempo, a aposta tem sido o sistema de cultivo coberto.
A técnica protege os frutos da chuva e reduz em até 90% a ocorrência de doenças fúngicas, permitindo uma irrigação direta no solo. Contudo, o custo de implantação é elevado, chegando a R$ 450 mil por hectare.
Além da proteção física, a pesquisa com novas variedades é fundamental. Em Santa Teresa, a família de João Paulo Berra mantém uma área experimental com 50 variedades de uvas europeias, como a Palava, originária da República Checa.
Essa uva é precoce, o que ajuda a escalonar a colheita e o processamento industrial, evitando a pressa excessiva nos períodos de pico.
Tradição que atravessa gerações
A viticultura na Serra Gaúcha é um legado que remonta à chegada dos imigrantes italianos em 1875. Atualmente, cerca de 15 mil famílias cultivam uva no estado, sendo que 90% da produção está concentrada na região serrana.
Para muitos, como para João Paulo Berra, a continuidade do trabalho é uma questão de “sangue nas veias”. Mesmo trabalhando na cidade, ele retorna às origens todos os anos durante a colheita para manter viva a tradição da quinta geração da família.
“A viticultura não é só uma fonte de renda, é um legado. Passa de pai para filho”, resume João Paulo.
De onde vem o vinho
Preço da carne bovina no atacado dispara 45% em dois anos e bate recorde, diz USP


Carne bovina
Foto de David Foodphototasty na Unsplash
O preço da carne bovina negociada no atacado da Grande São Paulo bateu recorde neste mês, após um aumento de 45% em dois anos.
A informação é do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq-USP), de Piracicaba (SP).
Segundo o órgão, neste mês, o preço médio da carcaça casada do boi — formada por traseiro, dianteiro e ponta de agulha — é R$ 25,05.
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Esse é o maior valor desde quando o Cepea iniciou o levantamento, em 2001. O preço supera em 11% o registrado no mesmo mês de 2025 e em 45% o de abril de 2024.
O pesquisador e coordenador de pecuária do Cepea, Thiago Bernardino de Carvalho, elencou dois fatores que contribuem para o aumento do valor:
menor oferta de animal pronto para o abate;
aumento de exportações.
Motivos
Segundo ele, o começo do ano — de janeiro a meados de abril — costuma ser um período em que os bovinos são mantidos no pasto, em razão das condições climáticas.
“Há uma oferta mais restrita de animal pronto para o abate. Tradicionalmente, no começo do ano, a gente tem volume de chuva, sol, em que eu tenho uma condição de pasto mais favorável”, diz.
Thiago também apontou que a demanda exterior tem aumentado, com recorde de exportações no ano passado. Segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), o Brasil exportou 3,5 mil toneladas de carne bovina em 2025. Em 2024, foram 2,9 mil.
“Neste ano, a gente começa também a bater recorde, em janeiro, fevereiro e março e abril, sinalizando também um cenário de exportação forte.”
O pesquisador também destacou o impacto da demanda interna, impulsionada pela preferência do brasileiro pela carne bovina.
“Apesar do cenário de inadimplência do brasileiro, da preocupação em termos de gastos do orçamento familiar, o brasileiro gosta de comer carne bovina e, pelo menos até abril, vem mantendo um consumo relativamente positivo”, afirmou.
Cesta básica
Esses aumentos, no entanto, trazem um impacto para os consumidores. Segundo o Índice de Cesta Básica de Piracicaba (ICB-Esalq), de março de 2026, o preço da carne de primeira aumentou R$ 10 por quilo desde o início do ano. Passou de R$ 44,24 em janeiro para R$ 54,84 no mês passado.
“As carnes bovinas de primeira e de segunda são dois produtos que têm um peso grande no nosso cálculo da cesta básica. São dois produtos importantes”, diz Carlos Eduardo de Freitas Vian, professor do Departamento de Economia, Administração e Sociologia da Esalq.
Ele apontou que o valor deve subir ainda mais nas próximas semanas. Segundo o professor, neste momento de maior alta, a tendência é as pessoas trocarem a carne bovina por outra proteína, como frango, peixe e embutidos.
“É um peso grande, mas é um peso que pode ser substituído”, afirma Carlos, que também é delegado do Conselho Regional de Economia de São Paulo em Piracicaba.
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